What are MINOCA (myocardial infarction with non‑obstructive coronary arteries) and TINOCA (troponin‑positive non‑obstructive coronary arteries), and how should patients presenting with acute chest pain be evaluated and managed?

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MINOCA e TINOCA: Definições e Abordagem na Dor Torácica

MINOCA (Infarto do Miocárdio com Artérias Coronárias Não Obstrutivas) é um diagnóstico de trabalho que requer investigação sistemática para identificar a causa subjacente e direcionar o tratamento específico, enquanto TINOCA (Troponina Positiva com Artérias Coronárias Não Obstrutivas) é um termo genérico mais amplo que engloba todas as causas de lesão miocárdica com troponina elevada e coronárias não obstrutivas.

Definições Essenciais

MINOCA

MINOCA representa um grupo heterogêneo de condições cardiovasculares que resultam em infarto verdadeiro sem doença coronariana obstrutiva 1. Os critérios diagnósticos são rigorosos e devem ser aplicados após a angiografia coronariana 1:

Critérios obrigatórios:

  • Preenche critérios de IAM pela 4ª definição universal: troponina elevada (≥1 valor >percentil 99) com elevação e/ou queda
  • MAIS pelo menos um dos seguintes:
    • Sintomas de isquemia miocárdica
    • Alterações isquêmicas novas no ECG
    • Desenvolvimento de ondas Q patológicas
    • Evidência por imagem de nova perda de miocárdio viável ou nova alteração de motilidade regional consistente com etiologia isquêmica
    • Identificação de trombo coronariano por angiografia ou autópsia
  • Ausência de doença coronariana obstrutiva (≥50% de estenose) em qualquer artéria epicárdica
  • Exclusão de causas não isquêmicas óbvias (miocardite, cardiomiopatia de Takotsubo)

TINOCA

TINOCA é o termo genérico mais abrangente que descreve qualquer paciente com troponina positiva e coronárias não obstrutivas 2. Este termo evita confusão porque engloba tanto MINOCA verdadeiro quanto suas causas não isquêmicas (miocardite, Takotsubo) e causas extracardíacas 2.

Fisiopatologia e Causas

Causas Ateroscleróticas (≈2/3 dos casos)

As causas ateroscleróticas são as mais comuns em MINOCA 1:

  • Ruptura de placa com trombose e embolização distal
  • Erosão de placa
  • Nódulos calcificados
  • Perfil de risco similar ao IAM com doença obstrutiva

Causas Não Ateroscleróticas Coronarianas

Vasoespasmo coronariano:

  • Hiperreatividade do músculo liso vascular (epicárdico e/ou microvascular)
  • Dor torácica com alterações transitórias no ECG, responsiva à nitroglicerina
  • 90% demonstram vasoconstrição angiográfica durante teste provocativo com acetilcolina ou ergonovina

  • Fatores de risco: tabagismo, síndrome de Kounis, drogas (5-fluorouracil, cocaína), feocromocitoma 1

Dissecção Espontânea de Artéria Coronária (SCAD):

  • Diagnóstico único, >90% em mulheres
  • Hematoma intramural coronariano causa obstrução luminal ao fluxo distal
  • Representa aproximadamente 4% de todos os IAMs e 40% dos IAMs em mulheres <50 anos 1

Disfunção Microvascular Coronariana (DMC):

  • Causa menos reconhecida mas importante de morbidade 3

Tromboembolismo coronariano

Abordagem Diagnóstica Sistemática

Avaliação Inicial na Dor Torácica Aguda

História clínica focada deve identificar 4:

  • Características dos sintomas: qualidade, localização, irradiação, duração
  • Fatores provocadores e de alívio: esforço, estresse emocional, repouso, nitroglicerina
  • Sintomas associados: dispneia, náusea, diaforese
  • Fatores de risco cardiovascular

Classificação da dor torácica 4:

  • Cardíaca: desconforto subesternal provocado por esforço/estresse emocional, aliviado por repouso/nitroglicerina
  • Possível cardíaca: características intermediárias
  • Não cardíaca: características que afastam origem isquêmica
  • Evite o termo "atípica" - é ambíguo e problemático 4

Investigação Após Angiografia Não Obstrutiva

Quando MINOCA é suspeitado (troponina elevada + coronárias não obstrutivas), a investigação deve ser estruturada em etapas 1, 5, 6:

1. Imagem Coronariana Invasiva (Durante Angiografia Índice)

Ultrassom intravascular (IVUS) ou Tomografia de Coerência Óptica (OCT) devem ser utilizados quando disponíveis 6:

  • Detectar ruptura de placa não visualizada na angiografia
  • Identificar SCAD com características patológicas distintivas
  • Avaliar erosão de placa ou nódulos calcificados

2. Teste de Reatividade Vascular

Teste provocativo com acetilcolina ou ergonovina 1:

  • Identifica vasoespasmo epicárdico em >90% dos casos
  • Essencial quando história sugere vasoespasmo (sintomas em repouso, resposta à nitroglicerina)

3. Ressonância Magnética Cardíaca (RMC)

A RMC é a modalidade não invasiva essencial e deve ser o primeiro passo após angiografia não diagnóstica 5, 6, 7:

  • Confirma infarto verdadeiro vs lesão miocárdica não isquêmica
  • Diferencia MINOCA de seus "imitadores":
    • Miocardite (realce tardio subepicárdico/mesocárdico)
    • Takotsubo (balonamento apical sem realce tardio correspondente)
    • Outras cardiomiopatias
  • Fornece informação prognóstica crucial
  • Padrão de realce tardio ajuda identificar mecanismo (subendocárdico = isquêmico)

4. Tomografia Computadorizada Cardíaca

Útil para diagnosticar causas extracardíacas 2:

  • Embolia pulmonar
  • Dissecção aórtica
  • Outras causas torácicas não cardíacas

Abordagem Terapêutica

Princípios Gerais

O tratamento deve ser direcionado à causa subjacente identificada, não existe protocolo único para todos os casos de MINOCA 1, 7, 8.

Estratégias Específicas por Etiologia

Para causas ateroscleróticas (ruptura/erosão de placa):

  • Terapia antitrombótica (antiagregantes plaquetários)
  • Estatinas em altas doses
  • IECA/BRA
  • Betabloqueadores
  • Controle agressivo de fatores de risco

Para vasoespasmo coronariano:

  • Bloqueadores de canais de cálcio
  • Nitratos de longa ação
  • Evitar betabloqueadores (podem piorar vasoespasmo)
  • Cessação tabágica obrigatória

Para SCAD:

  • Abordagem conservadora preferencial (evitar intervenção quando possível)
  • Betabloqueadores
  • Antiagregação plaquetária cautelosa

Para disfunção microvascular:

  • Betabloqueadores
  • IECA/BRA
  • Estatinas
  • Considerar bloqueadores de canais de cálcio

Terapia Cardioprotetora Geral

Independente da causa, considere 7, 8:

  • Modificação de fatores de risco cardiovascular
  • Intervenções no estilo de vida
  • Terapia anti-inflamatória quando apropriado (dados emergentes sugerem inflamação como mecanismo chave) 9

Prognóstico

MINOCA não é uma condição benigna 3, 10, 9. Embora pacientes com MINOCA tenham prognóstico melhor que aqueles com IAM obstrutivo, apresentam risco aumentado de morbidade e mortalidade comparado à população geral 5, 10. Eventos adversos cardiovasculares maiores (MACE) e morte cardiovascular ocorrem com menor frequência que em IAM obstrutivo, mas permanecem significativos 9.

Considerações Especiais

Diferenças por Sexo

MINOCA é significativamente mais prevalente em mulheres 7:

  • SCAD representa 40% dos IAMs em mulheres <50 anos 1
  • Diferenças fisiopatológicas, de apresentação e desfechos clínicos relacionadas ao sexo
  • Necessidade de abordagens personalizadas

Armadilhas Comuns

  • Não assumir que coronárias não obstrutivas = prognóstico benigno
  • Não rotular como "atípico" e descartar sem investigação completa
  • Não aplicar tratamento genérico de IAM sem identificar a causa específica
  • Não esquecer de excluir causas não isquêmicas (miocardite, Takotsubo) antes de confirmar MINOCA
  • Não negligenciar a RMC - é essencial para diagnóstico diferencial e prognóstico 5, 6

References

Research

Myocardial Infarction with Nonobstructive Coronary Artery Disease-Definition, Etiopathogenesis, Diagnosis, and Management.

The International journal of angiology : official publication of the International College of Angiology, Inc, 2024

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