How should bleeding be managed at a central venous catheter puncture site in a patient with coagulopathy?

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Manejo do Sangramento em Sítio de Punção de Cateter Venoso Central em Paciente Discrásico

Aplique pressão digital firme diretamente no sítio de sangramento por pelo menos 5 minutos, seguida de curativo oclusivo, e considere sutura de pele se o sangramento persistir - a correção profilática da coagulopatia NÃO é necessária na maioria dos casos. 1

Abordagem Imediata ao Sangramento Ativo

Quando ocorre sangramento no sítio de punção do cateter venoso central:

  • Pressão local é a primeira linha: Aplique pressão digital firme diretamente sobre o local sangrante por no mínimo 5 minutos 1
  • Cuidado crítico: Não oclua o fluxo venoso distal ao sítio de sangramento, pois isso pode elevar a pressão intraluminal a níveis arteriais e piorar o sangramento 2
  • Posicionamento: Mantenha o paciente em decúbito dorsal com o sítio de saída abaixo do nível do coração para reduzir risco de embolia aérea 1
  • Curativo oclusivo: Após controle inicial, aplique curativo oclusivo 1
  • Sangramento persistente: Se o sangramento não ceder com pressão prolongada, considere sutura de pele 1

Avaliação da Gravidade do Sangramento

Classifique o sangramento segundo critérios do ACC 2020 3:

Sangramento Maior (qualquer um dos seguintes):

  • Sangramento em sítio crítico
  • Instabilidade hemodinâmica
  • Queda de hemoglobina ≥2 g/dL ou necessidade de ≥2 unidades de concentrado de hemácias

Sangramento Menor:

  • Sangramento local sem os critérios acima
  • Hematoma superficial ou extravasamento local

Correção da Coagulopatia: Quando NÃO Fazer

A evidência mais recente e de alta qualidade demonstra que a correção profilática da coagulopatia geralmente NÃO é necessária e pode causar mais danos que benefícios. 1

Limiares para NÃO Corrigir Rotineiramente

Segundo as diretrizes da Association of Anaesthetists (2016), a reversão rotineira da coagulopatia só é necessária se 1:

  • Contagem de plaquetas < 50 × 10⁹/L
  • TTPa > 1,3 vezes o normal (ou > 45 segundos)
  • RNI > 1,8

Abaixo desses limiares, o risco de hemorragia NÃO está aumentado, e os riscos da correção (infecção, lesão pulmonar, trombose) podem exceder o risco de sangramento local 1.

Evidência de Estudos Observacionais

Estudos retrospectivos sugerem segurança mesmo com 4:

  • Contagem de plaquetas até 20 × 10⁹/L
  • RNI até 3,0

Um estudo de 2022 com 289 inserções de CVC em pacientes com plaquetas ≤50 × 10⁹/L mostrou que coagulopatia grave (RNI >1,5 e/ou TTPa >45s) NÃO aumentou o risco de sangramento 5. A incidência de sangramento foi de 15,5%, com apenas 2,1% sendo grau 2-3, sem diferença entre grupos com e sem coagulopatia.

Quando Considerar Correção da Coagulopatia

Considere correção apenas em situações específicas de alto risco:

Para Pacientes em Anticoagulantes Orais

Se o paciente está em uso de anticoagulantes orais e apresenta sangramento maior 3:

Antagonistas da Vitamina K (Varfarina):

  • Administre vitamina K 5-10 mg IV 3
  • Se sangramento crítico ou ameaçador à vida: adicione Concentrado de Complexo Protrombínico (CCP) conforme bula 3
  • Verifique RNI em 30 minutos 6

DOACs (Anticoagulantes Orais Diretos):

  • Suspenda o anticoagulante 3
  • Considere agentes de reversão específicos se disponíveis (idarucizumabe para dabigatrana; andexanet alfa para apixabana/rivaroxabana) 3

Para Remoção de Cateteres de Grande Calibre

Segundo diretrizes de 2025, para remoção de cateteres não-tunelizados >8,5 Fr ou tunelizados (Hickman, portocath) 7:

Considere correção se:

  • TP ≥18s ou RNI ≥1,5 ou TTPa ≥42s
  • Alvo de plaquetas: ≥30 × 10⁹/L

Para cateteres ≤8,5 Fr (PICC, não-tunelizados pequenos):

  • Nenhum tratamento normalmente necessário, mesmo com coagulopatia
  • Alvo de plaquetas: ≥10 × 10⁹/L

Transfusão de Hemoderivados: Abordagem Reativa vs Profilática

A estratégia preferencial é administrar hemoderivados SE ocorrerem problemas, ao invés de profilaticamente. 1

Plaquetas

  • NÃO transfundir rotineiramente para inserção ou manejo de sangramento em CVC 8, 5
  • Estudo de 2022 mostrou que transfusão profilática de plaquetas em pacientes com trombocitopenia grave NÃO reduziu sangramento (16,4% com transfusão vs 14,9% sem transfusão) 5
  • Considere transfusão apenas se sangramento persistente apesar de medidas locais

Plasma Fresco Congelado

  • NÃO transfundir rotineiramente para inserção de CVC ou manejo de sangramento 8
  • Diretrizes CHEST 2025 recomendam contra transfusão profilática de PFC para inserção de CVC em pacientes com coagulopatia 8

Medidas Adicionais de Suporte

  • Suporte volêmico e ressuscitação conforme necessário 3
  • Avalie e trate comorbidades que contribuem para sangramento (trombocitopenia, uremia, doença hepática) 3
  • Considere manejo cirúrgico/procedural do sítio de sangramento se medidas conservadoras falharem 3

Armadilhas Comuns a Evitar

  1. Não corrija coagulopatia profilaticamente sem indicação clara - os riscos (infecção, TRALI, sobrecarga volêmica, trombose) frequentemente excedem os benefícios 1

  2. Não oclua o fluxo venoso distal ao aplicar pressão - isso aumenta a pressão intraluminal 2

  3. Não transfunda plaquetas ou plasma rotineiramente - estudos mostram ausência de benefício e potenciais danos 8, 5

  4. Não remova o cateter precipitadamente - se funcional e necessário, pode ser mantido mesmo com sangramento menor controlado 1

  5. Atenção especial a pacientes em antitrombóticos - estudo de 2025 mostrou associação significativa entre uso de antitrombóticos e sangramento menor (p=0,03), embora o benefício do procedimento supere os riscos 9

Monitorização Pós-Procedimento

  • Observe o sítio por 24-48 horas para sangramento tardio
  • Verifique hemoglobina se houver suspeita de sangramento significativo
  • Hematomas grandes podem comprimir o vaso e causar trombose - avalie fluxo no cateter e extremidade adjacente 2
  • Sangramento persistente que requer sutura ou resulta em hematoma muito grande sugere estenose venosa de saída - considere angiografia diagnóstica 2

References

Guideline

kdoqi clinical practice guideline for vascular access: 2019 update.

American Journal of Kidney Diseases, 2020

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