Tratamento da Gastrite Atrófica Autoimune em Jovem de 25 Anos
O tratamento da gastrite atrófica autoimune neste paciente jovem deve focar em três pilares fundamentais: reposição de deficiências nutricionais (ferro e vitamina B12), vigilância endoscópica para tumores neuroendócrinos e adenocarcinoma gástrico, e rastreamento de doenças autoimunes associadas, especialmente considerando que o hipotireoidismo já está presente 1.
Avaliação Diagnóstica Inicial
Confirme o diagnóstico através de:
- Anticorpos anti-células parietais e anti-fator intrínseco para confirmar a etiologia autoimune 1
- Biopsias gástricas tópicas do corpo e antro/incisura em frascos separados para confirmação histopatológica e estadiamento 1
- Teste para H. pylori (obrigatório em todos os casos de gastrite atrófica, mesmo sendo autoimune) 1
Manejo das Deficiências Nutricionais
Avalie imediatamente deficiências de ferro e vitamina B12, que ocorrem em até 50% dos pacientes com gastrite atrófica de predomínio corporal 1. A deficiência de ferro geralmente se manifesta antes da deficiência de B12 1.
- Ferro: Reponha se houver deficiência documentada
- Vitamina B12: Reponha se houver deficiência, especialmente importante dado o risco de anemia perniciosa e manifestações neurológicas 1
A presença de hipocloridria pela perda de células parietais compromete a absorção destes nutrientes, tornando a suplementação essencial 1.
Vigilância Endoscópica
Realize vigilância endoscópica para tumores neuroendócrinos tipo 1 (TNE) e adenocarcinoma gástrico 1:
TNE tipo 1: Ocorrem em 0,4-0,7% ao ano devido à hipergastrinemia compensatória 1
- Ressecção endoscópica de todos os TNE <1 cm
- Vigilância endoscópica a cada 1-2 anos dependendo da carga tumoral 1
Adenocarcinoma gástrico: Risco de progressão de 0,1-0,3% ao ano 1
Rastreamento de Doenças Autoimunes Associadas
Este paciente já tem hipotireoidismo, confirmando a associação conhecida entre gastrite autoimune e doença tireoidiana autoimune (presente em até um terço dos pacientes) 1.
Considere rastreamento adicional para 1:
- Diabetes mellitus tipo 1
- Doença de Addison
- Outras condições autoimunes se clinicamente indicado
Considerações sobre Medicações em Uso
Sertralina e Hipotireoidismo
A sertralina é segura em pacientes com hipotireoidismo em reposição adequada de levotiroxina 2. Estudos demonstram que ISRSs não causam alterações clinicamente significativas na função tireoidiana ou autoimunidade tireoidiana em pacientes hipotireoideos em tratamento adequado 2. A dose de 100 mg está dentro da faixa terapêutica padrão (50-200 mg/dia) 3.
Venvanse (Lisdexanfetamina)
Não há contraindicações específicas relacionadas à gastrite atrófica autoimune. Mantenha conforme prescrição psiquiátrica.
Inibidores de Bomba de Prótons (IBPs)
EVITE o uso crônico de IBPs neste paciente 4. Evidências recentes (2025) demonstram que o uso de IBPs em dose plena está associado a escores OLGA e OLGIM mais graves (atrofia e metaplasia intestinal mais severas) 4. Isto é particularmente problemático porque:
- A gastrite atrófica autoimune já causa hipocloridria pela destruição de células parietais
- IBPs agravam ainda mais a supressão ácida
- Pacientes frequentemente recebem IBPs por erro diagnóstico antes da avaliação gastroenterológica 4
Armadilhas Comuns a Evitar
Não prescrever IBPs: A hipocloridria já está presente pela destruição autoimune das células parietais; IBPs são desnecessários e potencialmente prejudiciais 4
Não negligenciar a reposição nutricional: Mesmo pacientes assintomáticos podem ter deficiências significativas 5, 6
Não esquecer o rastreamento de H. pylori: Mesmo em gastrite autoimune, a coinfecção deve ser excluída e tratada se presente 1
Não subestimar o risco neoplásico: Apesar da idade jovem, a vigilância é essencial dado o risco aumentado de TNE e adenocarcinoma 1, 5
Monitorar interações medicamentosas: Embora a sertralina seja segura com levotiroxina, monitore sinais de síndrome serotoninérgica se houver adição de outros agentes serotoninérgicos 3
Seguimento
- Laboratorial: Hemograma, ferro, ferritina, vitamina B12, TSH periódicos
- Endoscópico: Conforme protocolo de vigilância estabelecido
- Clínico: Avaliação de sintomas gastrointestinais, neurológicos e hematológicos
A idade jovem deste paciente (25 anos) torna o diagnóstico precoce particularmente valioso, permitindo décadas de vigilância adequada e prevenção de complicações graves 5, 6.