Avaliação e Conduta para Dor Torácica com ECG e Raio-X Normais
Este paciente deve ser estratificado por risco usando troponina seriada e escores clínicos validados, seguido de teste funcional ou angiotomografia coronariana conforme o nível de risco, pois ECG e raio-X normais não excluem síndrome coronariana aguda. 1
Estratificação de Risco Inicial
A primeira etapa crítica é categorizar o paciente em baixo, intermediário ou alto risco usando vias de decisão clínica (CDPs) que incorporam:
- História clínica detalhada: características da dor (qualidade, localização, irradiação, fatores desencadeantes/aliviadores, duração)
- Fatores de risco cardiovascular: idade, diabetes, hipertensão, dislipidemia, tabagismo, história familiar
- Alterações sutis no ECG: considerar derivações suplementares V7-V9 para excluir infarto posterior 1
- Troponina seriada obrigatória: 1
- Troponina de alta sensibilidade: repetir em 1-3 horas
- Troponina convencional: repetir em 3-6 horas
Armadilha Crítica
1-4% dos pacientes com ECG absolutamente normal têm infarto agudo do miocárdio, e 4% com ECG inespecífico também apresentam IAM. 2 A história clínica permanece a ferramenta mais importante - nunca confiar excessivamente em ECG normal quando a história sugere angina típica.
Algoritmo de Conduta por Nível de Risco
Pacientes de BAIXO Risco (risco <1% de MACE em 30 dias)
Para pacientes com troponina de alta sensibilidade abaixo do limite de detecção após ≥3 horas do início dos sintomas e ECG normal, é razoável excluir lesão miocárdica. 1
- Conduta: Alta hospitalar segura com seguimento ambulatorial
- Considerar teste opcional (ECG de esforço ou escore de cálcio coronariano) conforme disponibilidade
Pacientes de RISCO INTERMEDIÁRIO (sem DAC conhecida)
A angiotomografia coronariana (CCTA) é o teste de primeira linha para excluir placa aterosclerótica e DAC obstrutiva. 1, 3
Testes alternativos válidos incluem: 3
- ECG de esforço
- Ecocardiografia de estresse
- Cintilografia miocárdica (SPECT/PET) com estresse
- Ressonância magnética cardíaca de estresse
Interpretação dos Resultados da CCTA:
- DAC não-obstrutiva (<50%): alta com terapia médica otimizada
- Estenose intermediária (40-90%): FFR-CT pode ser útil para avaliar isquemia específica do vaso 3
- DAC obstrutiva (≥50%) ou isquemia moderada-grave: angiografia coronariana invasiva 3
- CCTA inconclusiva: prosseguir com teste de estresse com imagem 3
Pacientes de ALTO Risco
Angiografia coronariana invasiva imediata está indicada. 1
Considerações Sobre Causas Não-Cardíacas
O raio-X de tórax é útil para avaliar causas cardíacas, pulmonares e torácicas alternativas 1, mas deve-se manter vigilância para:
- Embolia pulmonar: usar critérios de Wells e D-dímero conforme apropriado
- Dissecção aórtica: considerar em dor súbita, rasgante, com irradiação para dorso
- Causas gastrointestinais: refluxo, espasmo esofágico, úlcera péptica
- Causas musculoesqueléticas: costocondrite, dor neuropática
- Pericardite/miopericardite: considerar se dor pleurítica com sintomas virais recentes 4
Pontos Críticos de Segurança
Nunca descartar SCA baseado apenas em ECG e raio-X normais - a história clínica tem precedência 2
Implementar protocolo institucional padronizado para coleta de troponina baseado no tipo de ensaio disponível 1
Incorporar testes prévios (quando disponíveis) nas vias de decisão clínica 1
Teste negativo recente: CCTA normal ≤2 anos (sem placa) OU teste de estresse negativo ≤1 ano permite diferimento de novos testes 3
Evitar testes em camadas desnecessários - escolher o teste diagnóstico correto desde o início baseado no risco e disponibilidade local 1