Como Fazer Infusão de Atropina em Bradicardia Sinusal
A atropina NÃO deve ser administrada em infusão contínua para bradicardia sinusal - deve ser administrada em bolus intravenoso de 0,5 mg a cada 3-5 minutos, titulada até uma frequência cardíaca minimamente efetiva (aproximadamente 60 bpm), com dose máxima total de 2-3 mg 1, 2.
Protocolo de Administração
Dose e Via de Administração
Para bradicardia sinusal sintomática:
- Dose inicial: 0,5 mg IV em bolus 1, 2
- Repetição: A cada 3-5 minutos conforme necessário 2, 3
- Dose máxima total: 2,0 mg (bloqueio vagal completo) 1, 2
- Pico de ação: Observado dentro de 3 minutos após administração IV 2
Evidência recente sugere que dose inicial de 1,0 mg pode ser mais efetiva: Um estudo retrospectivo de 2026 demonstrou que 1,0 mg inicial teve maior taxa de sucesso na primeira dose (44,8% vs 25,3%) comparado a 0,5 mg, com menos necessidade de terapia de resgate 4. Entretanto, as diretrizes oficiais ainda recomendam iniciar com 0,5 mg para minimizar efeitos adversos 1, 2, 3.
Indicações Classe I (Fortemente Recomendadas)
A atropina está indicada para 1, 2, 3:
Bradicardia sinusal sintomática (geralmente FC < 50 bpm) associada a:
- Hipotensão
- Isquemia
- Arritmias ventriculares de escape
- Baixo débito cardíaco com sinais de hipoperfusão periférica
Contextos específicos:
Armadilhas Críticas e Contraindicações
⚠️ NUNCA Use Doses < 0,5 mg
Doses menores que 0,5 mg podem causar efeito paradoxal com piora da bradicardia e depressão da condução AV 2, 5. Este efeito ocorre por estimulação reflexa central do vago ou efeito parassimpatomimético periférico 2.
Contraindicações Relativas (Classe III)
NÃO use atropina em:
- Bradicardia sinusal assintomática (FC > 40 bpm sem sinais de hipoperfusão) 1, 2
- Bloqueio AV infranodal (associado a IAM anterior com ritmo de escape de QRS largo) 1
- Pacientes transplantados cardíacos sem reinervação autonômica - pode causar bloqueio cardíaco paradoxal ou assistolia em 20% dos casos 3, 6
Precauções Importantes
No contexto de IAM agudo:
- Use com cautela devido ao efeito protetor do tônus parassimpático contra fibrilação ventricular e extensão do infarto 1
- Titule para FC minimamente efetiva (~60 bpm), evitando taquicardia excessiva que aumenta consumo de oxigênio miocárdico 1
- Em pacientes com doença coronariana: Limite a dose total a 0,03-0,04 mg/kg 6
Efeitos Adversos e Manejo
Efeitos Adversos Graves (2-3% dos casos)
Correlacionam-se com 7:
- Dose inicial alta (≥ 1,0 mg)
- Dose cumulativa > 2,5 mg em 2,5 horas
Incluem:
- Taquicardia ventricular ou fibrilação ventricular 2, 7
- Taquicardia sinusal sustentada 7
- Aumento de extrassístoles ventriculares 7
- Hipertensão grave (raro) 8
- Psicose tóxica 7
Monitorização Necessária
- ECG contínuo
- Pressão arterial
- Frequência cardíaca
- Sinais de isquemia miocárdica
- Estado mental (alucinações, febre em doses repetidas) 2
Quando a Atropina Falha
Se bradicardia sintomática não responde prontamente à atropina 1, 2:
- Marca-passo transcutâneo é a próxima opção (preferencial em 2019) 3
- Alternativas farmacológicas (se baixa probabilidade de isquemia coronariana) 3, 6:
- Dopamina: 5-20 mcg/kg/min IV
- Isoproterenol: 2-10 mcg/min IV (evitar se isquemia)
- Epinefrina: 2-10 mcg/min IV
Eficácia Esperada
Estudos demonstram 9:
- Resposta completa: 27,5% dos pacientes
- Resposta parcial: 19,8% dos pacientes
- Sem resposta: 49,6% dos pacientes
- Efeitos adversos: 2,3% dos pacientes
Pacientes com bradicardia sinusal respondem melhor que aqueles com bloqueio AV (mais provavelmente atingem ritmo sinusal normal com dose única e dose total menor) 9.
Contextos Especiais
Lesão medular espinal: Aminofilina ou teofilina podem ser alternativas razoáveis 3, 6
Pós-transplante cardíaco: Aminofilina (6 mg/kg em 100-200 mL IV em 20-30 min) ou teofilina são preferíveis à atropina 3, 6