Manejo Perioperatório para Artroplastia Total de Quadril em Janeiro
Continue todos os medicamentos cardiovasculares (furosemida, espironolactona, losartana) até o dia da cirurgia, exceto a losartana que deve ser suspensa 24 horas antes da operação para evitar hipotensão intraoperatória grave. 1
Medicações Cardiovasculares e Diuréticos
Losartana (Bloqueador do Receptor de Angiotensina II)
- Suspender 24 horas antes da cirurgia devido ao risco aumentado de hipotensão intraoperatória refratária 1, 2
- Reiniciar dentro de 24-48 horas após a cirurgia quando o paciente estiver hemodinamicamente estável 1
- A pressão arterial de 139x87 mmHg está razoavelmente controlada, mas requer monitoramento rigoroso
Furosemida 80mg e Espironolactona 100mg
- Continuar até a manhã da cirurgia 3, 4
- ATENÇÃO CRÍTICA: A dose de espironolactona 100mg é alta e está associada a risco significativamente aumentado de hiponatremia, especialmente em combinação com furosemida em doses elevadas 5
- Verificar eletrólitos séricos (sódio, potássio, magnésio) obrigatoriamente 24-48 horas antes da cirurgia 3
- Se sódio <135 mEq/L, considerar redução temporária das doses de diuréticos no pré-operatório
- Monitorar função renal (creatinina, ureia) pois a combinação com losartana pode causar deterioração renal aguda 3
Armadilha comum: A combinação de furosemida em dose alta + espironolactona 100mg + losartana aumenta dramaticamente o risco de hipotensão intraoperatória e lesão renal aguda perioperatória.
Tirzepatida (Agonista GLP-1/GIP)
Suspender a tirzepatida 7 dias (uma semana) antes da cirurgia devido ao risco de gastroparesia e aspiração pulmonar 6
- A tirzepatida tem meia-vida prolongada (aproximadamente 5 dias)
- O esvaziamento gástrico retardado persiste por vários dias após a última dose
- Risco de conteúdo gástrico residual durante indução anestésica com aspiração potencialmente fatal
- Reiniciar somente quando o paciente estiver tolerando dieta oral completa, geralmente 48-72 horas pós-operatório 6
Depakene (Valproato) 500mg 2x/dia
Continuar o valproato sem interrupção durante todo o período perioperatório 7, 4
- Com 3 crises tônico-clônicas mistas diárias de 10 minutos cada, a suspensão seria catastrófica
- O valproato tem meia-vida curta (6-16 horas); qualquer interrupção aumenta drasticamente o risco de status epilepticus perioperatório
- Administração no dia da cirurgia: Dar a dose matinal com pequeno gole de água 2-3 horas antes da cirurgia
- Se o paciente não puder tomar via oral no pós-operatório imediato, solicitar valproato intravenoso na mesma dose
- Monitorar níveis séricos de valproato no pós-operatório (alvo: 50-100 mcg/mL) 7
Interações críticas: O valproato pode aumentar o tempo de sangramento; comunicar ao cirurgião ortopédico e anestesiologista 7
Metadona 10mg
Continuar a metadona durante todo o período perioperatório 4
- Pacientes em uso crônico de opioides desenvolvem tolerância e hiperalgesia
- A suspensão causa síndrome de abstinência grave e dor pós-operatória incontrolável
- Plano de analgesia multimodal obrigatório:
- Manter metadona 10mg diariamente
- Adicionar analgesia regional (bloqueio do nervo femoral ou bloqueio periarticular intraoperatório) 8
- Analgesia multimodal: paracetamol + anti-inflamatório (se função renal permitir) + opioides de resgate em doses maiores que o habitual
- Considerar cetamina em baixas doses para hiperalgesia induzida por opioides
Considerações Específicas para Osteonecrose Bilateral
- Pacientes com osteonecrose da cabeça femoral em uso de corticosteroides (embora não mencionado explicitamente, é causa comum) têm risco aumentado de reoperação precoce após ATQ 9
- Vigilância aumentada para infecção: osteonecrose + imunossupressão potencial aumenta risco de artrite séptica concomitante 10, 11
- Monitorar sinais de infecção (febre, PCR, VHS elevados) no pós-operatório imediato
Manejo da Pressão Arterial Intraoperatória
Manter PAM ≥60-65 mmHg ou PAS ≥90 mmHg durante toda a cirurgia 1
- A hipotensão intraoperatória aumenta risco de lesão miocárdica, AVC, lesão renal e mortalidade
- Ter vasopressores prontamente disponíveis (norepinefrina preferencial)
- Evitar hipotensão prolongada devido ao edema grau 2 e uso de múltiplos anti-hipertensivos
Manejo Pós-Operatório Imediato
Pressão Arterial
- Reiniciar losartana dentro de 24 horas se PA >140/90 mmHg e paciente hemodinamicamente estável 1
- Reiniciar furosemida e espironolactona quando paciente estiver ingerindo líquidos
Eletrólitos
- Verificar eletrólitos diariamente nos primeiros 3 dias pós-operatórios 3
- Ajustar doses de diuréticos conforme função renal e balanço hídrico
Anticoagulação
- Profilaxia para trombose venosa profunda é obrigatória em ATQ
- Considerar heparina de baixo peso molecular ou anticoagulante oral direto conforme protocolo institucional
- O edema grau 2 e imobilidade prévia aumentam significativamente o risco tromboembólico
Ansiedade
- A ansiedade relacionada ao estado acamado requer abordagem multidisciplinar
- Evitar benzodiazepínicos de longa ação devido à interação com metadona e risco de depressão respiratória
- Considerar suporte psicológico e técnicas não-farmacológicas
Armadilha final: Este paciente tem múltiplos fatores de risco para complicações perioperatórias (polifarmácia, epilepsia não controlada, uso crônico de opioides, edema, hipertensão). A comunicação clara entre equipe cirúrgica, anestesiologia, neurologia e medicina interna é essencial para otimizar desfechos.