Organograma Rápido de Disnatremias
Avaliação Inicial
Meça a osmolalidade sérica primeiro para classificar a hiponatremia e determine o status volêmico para guiar o tratamento.
1. HIPONATREMIA (Na < 135 mEq/L)
Passo 1: Verificar Osmolalidade Sérica
- Osmolalidade > 280 mOsm/L: Considere pseudo-hiponatremia (hipertrigliceridemia, paraproteinemia) 1
- Osmolalidade baixa: Prossiga para classificação por gravidade
Passo 2: Classificar por Gravidade e Sintomas
Hiponatremia Leve (126-135 mEq/L)
- Assintomática: Apenas monitorização e restrição hídrica 2
- Sem tratamento específico necessário
Hiponatremia Moderada (120-125 mEq/L)
- Restrição hídrica: 1.000-1.500 mL/dia 1, 2
- Suspender diuréticos
- Ajustar lactulose/laxantes (evitar perdas excessivas)
- Monitorar eletrólitos
Hiponatremia Grave (< 120 mEq/L) ou Sintomática
- Sintomas: alterações cognitivas, tonturas, convulsões, náuseas, vômitos 1
- Hospitalização obrigatória
- Restrição hídrica mais rigorosa (< débito urinário)
- Suspender diuréticos e laxantes
- Avaliar infecções (paracentese diagnóstica se cirrose)
- Corrigir hipocalemia
Passo 3: Tratamento Específico por Contexto
Cirrose com Hiponatremia Hipervolêmica:
- Restrição de sódio + água (1-1.5 L/dia) 1
- Se hipotensão (PAS < 90 mmHg): considere albumina IV ou midodrina 1
- Suspender beta-bloqueadores não seletivos se necessário
Casos Graves/Emergências:
- Salina hipertônica 3%: Reservada para casos sintomáticos graves ou pré-transplante hepático 2
- Meta de correção: 4-6 mEq/L por 24h, NÃO exceder 8 mEq/L em 24h para evitar síndrome de desmielinização osmótica 2
- Em risco alto de SDO (cirrose avançada, alcoolismo, desnutrição): meta ainda mais conservadora
Vaptans (antagonistas V2):
- Uso cauteloso, apenas curto prazo (≤ 30 dias) 2
- Reservados principalmente para hiponatremia grave aguardando transplante
- Risco de lesão hepática e mortalidade 1
Armadilha Comum
⚠️ Síndrome de Desmielinização Osmótica: Ocorre com correção rápida em hiponatremia crônica. Pacientes com cirrose avançada, alcoolismo e desnutrição têm risco aumentado 2. Se ocorrer supercorreção, considere reduzir novamente com água livre de eletrólitos ou desmopressina 2.
2. HIPERNATREMIA (Na > 145 mEq/L)
Passo 1: Avaliar Status Volêmico
Hipernatremia = Déficit de Água Livre
Passo 2: Determinar Cronicidade
- Aguda (< 48h): Correção mais rápida pode ser indicada 3
- Crônica: Correção lenta obrigatória
Passo 3: Tratamento
Princípios Gerais:
- Corrigir a causa subjacente
- Repor déficit de água
- Meta de correção: Similar à hiponatremia - evitar correção > 10-12 mEq/L em 24h em casos crônicos 3
Escolha da Solução:
- Hipovolêmico: Soluções hipotônicas com sódio (ex: SF 0,45%)
- Euvolêmico: Água livre de eletrólitos (oral ou IV)
- Hipervolêmico: Diuréticos + água livre
Armadilha Comum
⚠️ Edema cerebral: Correção rápida em hipernatremia crônica pode causar edema cerebral. A mortalidade na hipernatremia aguda é significativa (29% em estudos) 3, exigindo tratamento imediato mas controlado.
Algoritmo de Decisão Rápida
Na sérico anormal
↓
Osmolalidade sérica
↓
├─ > 280 → Pseudo-hiponatremia
├─ Baixa → HIPONATREMIA
│ ↓
│ Sintomas? Gravidade?
│ ↓
│ ├─ Leve assintomática → Observação + restrição hídrica
│ ├─ Moderada → Restrição 1-1.5L + suspender diuréticos
│ └─ Grave/sintomática → Hospitalização + salina 3% (meta: 4-6 mEq/L/24h)
│
└─ Alta → HIPERNATREMIA
↓
Status volêmico + cronicidade
↓
Reposição de água (oral/IV) + correção lentaMonitorização Essencial
- Eletrólitos a cada 4-6h durante correção ativa
- Osmolalidade sérica e urinária para diagnóstico diferencial 4
- Débito urinário para ajustar restrição hídrica
- Avaliação neurológica contínua para detectar complicações precocemente