Can toxic shock cause pleocytosis in the cerebrospinal fluid?

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Choque Tóxico e Pleocitose no Líquor

Sim, o choque tóxico pode causar pleocitose no líquor, embora isso não seja uma característica típica ou bem documentada da síndrome do choque tóxico (SCT) isoladamente. A pleocitose, quando presente, geralmente indica envolvimento do sistema nervoso central por meningite bacteriana concomitante ou outra infecção do SNC.

Contexto Fisiopatológico

O choque tóxico é uma síndrome mediada por exotoxinas superantigênicas produzidas principalmente por Staphylococcus aureus (TSST-1 e enterotoxinas) ou Streptococcus pyogenes (exotoxinas pirogênicas estreptocócicas). Essas toxinas causam ativação policlonal massiva de linfócitos, levando a choque rápido e falência de múltiplos órgãos 1.

Pleocitose no Líquor: Quando Esperar

A pleocitose liquórica não é uma manifestação primária do choque tóxico, mas pode ocorrer nas seguintes situações:

1. Meningite Bacteriana Concomitante

  • Se o paciente com choque tóxico desenvolver meningite bacteriana por S. aureus ou S. pyogenes, haverá pleocitose polimorfonuclear clássica
  • A meningite bacteriana tipicamente apresenta pleocitose com predomínio de neutrófilos, embora 10% dos casos possam ter <100 células/mm³ 2
  • Infecções por S. aureus podem causar contagens celulares elevadas (>100 células/µL) 3

2. Sepse Grave com Envolvimento do SNC

  • Sinais de sepse grave são contraindicações relativas à punção lombar até estabilização 2
  • A sepse pode causar alterações inflamatórias no SNC mesmo sem meningite franca

3. Ausência de Pleocitose Não Exclui Infecção do SNC

  • Armadilha clínica importante: 19% das infecções do SNC podem não apresentar pleocitose 4
  • Mesmo na meningite pneumocócica (0,2% dos casos) e na encefalite por HSV-1 (23,7% dos casos) pode haver ausência de pleocitose 4, 5

Abordagem Prática

Quando Considerar Punção Lombar no Choque Tóxico:

Indicações:

  • Sinais meníngeos (rigidez de nuca)
  • Alteração do estado mental desproporcional ao choque
  • Convulsões
  • Sinais neurológicos focais (após neuroimagem)

Contraindicações temporárias 2:

  • Sinais de sepse grave ou rash rapidamente evolutivo
  • Comprometimento respiratório ou cardíaco
  • Glasgow ≤12 (realizar TC antes)
  • Papiledema
  • Convulsões não controladas
  • Coagulopatia/trombocitopenia

Interpretação dos Achados:

Se a punção lombar for realizada:

  • Pleocitose presente (>5 células/µL): Considere fortemente meningite bacteriana concomitante

    • Contagem >100 células/µL com predomínio de neutrófilos sugere infecção bacteriana 3
    • Proteína >100 mg/dL e glicose <2,6 mmol/L reforçam diagnóstico bacteriano 2
    • Relação glicose LCR:plasma <0,36 tem sensibilidade de 93% para meningite bacteriana 2
  • Ausência de pleocitose: NÃO exclui infecção do SNC

    • Mantenha alta suspeição clínica
    • Considere antibioticoterapia empírica se houver sinais clínicos sugestivos
    • A ausência de pleocitose está associada a desfechos desfavoráveis quando há infecção do SNC 4

Manejo Prioritário

O tratamento do choque tóxico é emergência médica 1:

  1. Ressuscitação imediata
  2. Controle do foco infeccioso
  3. Antibióticos bactericidas + inibidores de síntese proteica (para bloquear produção de toxinas)
  4. Não retarde antibioticoterapia aguardando punção lombar se houver instabilidade ou contraindicações

A decisão de realizar punção lombar deve ser individualizada com base na estabilidade hemodinâmica e presença de sinais de envolvimento do SNC, lembrando que a prioridade absoluta é a estabilização e o tratamento antimicrobiano precoce.

References

Research

Toxic Shock Syndrome: A Literature Review.

Antibiotics (Basel, Switzerland), 2024

Research

Central nervous system infections in the absence of cerebrospinal fluid pleocytosis.

International journal of infectious diseases : IJID : official publication of the International Society for Infectious Diseases, 2017

Research

Absence of Cerebrospinal Fluid Pleocytosis in Encephalitis.

Clinical infectious diseases : an official publication of the Infectious Diseases Society of America, 2024

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