What are the key clinical features, physical examination findings, laboratory investigations, and recommended treatment for acute appendicitis?

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Resumo da Clínica, Exame Físico, Laboratoriais e Tratamento da Apendicite Aguda

A apendicite aguda deve ser diagnosticada através de uma combinação de escores clínicos (Alvarado, AIR, AAS), marcadores laboratoriais e ultrassonografia como primeira linha, reservando a tomografia computadorizada para casos inconclusivos, seguida de apendicectomia laparoscópica como tratamento padrão ou, em casos selecionados de apendicite não complicada sem apendicolito, tratamento não operatório com antibióticos.

Apresentação Clínica

A apendicite aguda apresenta-se tipicamente com:

  • Dor migratória: Inicia periumbilical e migra para fossa ilíaca direita (sinal altamente sugestivo) 1
  • Dor em quadrante inferior direito: Especialmente no ponto de McBurney (mais específico) 2
  • Sinais ao exame físico:
    • Sinal de Rovsing (dor na FID com palpação da FIE)
    • Sinal do psoas (dor com extensão do quadril direito)
    • Sinal do obturador (dor com rotação interna do quadril)
    • Defesa muscular e descompressão brusca positiva 3

O exame físico sistemático demonstra a maior sensibilidade (95,2%) e acurácia diagnóstica (88,9%) quando realizado adequadamente, superando inclusive exames de imagem em alguns estudos 4.

Avaliação Laboratorial

Os marcadores laboratoriais essenciais incluem:

  • Leucócitos totais: Sensibilidade de 87,9% quando elevados 4
  • Contagem de neutrófilos: Alta sensibilidade para diagnóstico 4, 2
  • Proteína C-reativa (PCR): Importante marcador inflamatório 2, 3
  • Relação neutrófilo/linfócito: Auxilia na estratificação de risco 2
  • Bilirrubina total e indireta: Maior especificidade (89,7% e 94,7% respectivamente) 4

Importante: A combinação de leucócitos normais, distribuição de neutrófilos normal e PCR normal torna apendicite menos provável 3.

Escores Clínicos para Estratificação de Risco

Utilize os escores AIR (Appendicitis Inflammatory Response), AAS (Adult Appendicitis Score) ou RIPASA, que demonstram a maior acurácia diagnóstica 1, 5, 3:

  • Baixo risco: Pacientes podem receber alta com seguimento ambulatorial, sem necessidade de exames adicionais quando usado com decisão compartilhada 3
  • Risco intermediário: Requerem investigação adicional com imagem 1
  • Alto risco: Encaminhamento cirúrgico direto pode ser apropriado 1

O escore de Alvarado, embora amplamente conhecido, tem acurácia inferior aos escores mais recentes 3.

Estratégia de Imagem

Adultos < 40 anos:

  1. Primeira linha: Ultrassonografia (US) ou ultrassonografia point-of-care (POCUS) 1, 5
  2. Se US inconclusivo: TC com protocolo de baixa dose 1
  3. Pacientes > 40 anos: Considerar TC diretamente, especialmente se suspeita de doença complicada 1

Crianças:

  • Preferir ultrassonografia como primeira linha para evitar radiação 6, 1
  • Ressonância magnética como alternativa se US inconclusivo 5

Gestantes:

  • Ultrassonografia ou ressonância magnética são as modalidades recomendadas 5, 3

Armadilha comum: A ultrassonografia é operador-dependente e frequentemente não diagnóstica. Não hesite em solicitar TC se a US for inconclusiva e a suspeita clínica permanecer 2.

Tratamento

Apendicite Não Complicada (sem perfuração, abscesso ou necrose):

A apendicectomia laparoscópica permanece o tratamento padrão de ouro 1, 5, 7:

  • Menor dor pós-operatória
  • Menor taxa de infecção de sítio cirúrgico
  • Menor tempo de internação
  • Retorno mais rápido às atividades
  • Melhor qualidade de vida 1

Tratamento não operatório com antibióticos é uma alternativa segura em pacientes selecionados 5, 8:

  • Critérios de seleção: Ausência de apendicolito na imagem 5, 2, 8
  • Taxa de sucesso: Substancial proporção evita cirurgia imediata
  • Desvantagem: Maior taxa de recorrência (12-24%) e necessidade de apendicectomia subsequente 1, 8
  • Contraindicações absolutas: Presença de apendicolito, gestantes, imunossuprimidos 2, 7

Apendicite Complicada (perfurada, com abscesso ou fleimão):

Duas estratégias são aceitáveis 1:

  1. Apendicectomia laparoscópica precoce: Onde expertise laparoscópica avançada está disponível, pode resultar em menor tempo de internação 1

  2. Tratamento não operatório inicial: Antibióticos + drenagem percutânea (se abscesso > 3-4 cm), seguido de decisão sobre apendicectomia intervalar 1, 7

Recomendação sobre apendicectomia intervalar 1:

  • NÃO realizar rotineiramente em adultos < 40 anos e crianças após tratamento não operatório bem-sucedido
  • Realizar apenas se sintomas recorrentes
  • Exceção: Pacientes ≥ 40 anos devem realizar colonoscopia e TC contrastada para rastreio de neoplasia (incidência de 3-17%) 1

Timing Cirúrgico:

A cirurgia pode ser seguramente adiada até 24 horas sem aumento de complicações ou perfuração 1, 5. Isso permite otimização do paciente e programação cirúrgica adequada.

Técnica Cirúrgica:

  • Preferir laparoscopia de três portais sobre incisão única (menor tempo operatório, menos dor, menor infecção) 1
  • Aspiração isolada é suficiente; irrigação peritoneal não oferece benefício adicional 1
  • Drenos abdominais NÃO são recomendados rotineiramente, mesmo em casos complicados 1

Antibioticoterapia Perioperatória

Apendicite Não Complicada:

Administrar dose única pré-operatória de antibiótico de amplo espectro (0-60 minutos antes da incisão) 1:

  • Cefalosporinas de 2ª ou 3ª geração (cefoxitina, cefotetan)
  • NÃO continuar antibióticos no pós-operatório 1

Apendicite Complicada:

Iniciar antibióticos de amplo espectro cobrindo gram-negativos entéricos e anaeróbios 1:

  • Piperacilina-tazobactam, ampicilina-sulbactam, ou carbapenêmicos
  • Alternativa: Ampicilina + clindamicina (ou metronidazol) + gentamicina

Duração pós-operatória:

  • Adultos: Descontinuar após 3-5 dias se controle adequado da fonte 1
  • Crianças: Transição precoce para via oral após 48h, duração total < 7 dias 1

Armadilha: Cursos prolongados de antibióticos (> 5 dias) não melhoram desfechos e aumentam custos e resistência 1.

Populações Especiais

  • Gestantes: Apendicectomia laparoscópica é segura e preferível à cirurgia aberta 1
  • Obesos: Laparoscopia oferece vantagens significativas 1
  • Idosos (≥ 65 anos): Laparoscopia é segura e recomendada 1
  • Imunossuprimidos: Intervenção cirúrgica precoce é mandatória para reduzir complicações 7

Algoritmo Prático de Decisão

  1. Paciente com dor em FID → Aplicar escore AIR/AAS/RIPASA + exame físico sistemático
  2. Baixo risco → Alta com seguimento
  3. Risco intermediário/alto → Solicitar US (ou TC se > 40 anos)
  4. Apendicite confirmada → Avaliar se complicada ou não complicada
  5. Não complicada SEM apendicolito → Oferecer escolha: laparoscopia OU antibióticos (exceto gestantes/imunossuprimidos)
  6. Não complicada COM apendicolito → Apendicectomia laparoscópica
  7. Complicada → Antibióticos + considerar drenagem percutânea se abscesso, seguido de decisão cirúrgica baseada em expertise local

1, 5

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