What is the initial resuscitation and management of a pediatric trauma patient according to the Brazilian trauma protocol?

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Ressuscitação e Manejo Inicial do Trauma Pediátrico

A ressuscitação inicial do paciente pediátrico traumatizado deve seguir rigorosamente a sequência ABCDE do ATLS, com atenção especial às diferenças anatômicas e fisiológicas das crianças, priorizando controle imediato de hemorragia, reanimação volêmica agressiva com cristaloides isotônicos em bolus de 20 mL/kg, e transporte rápido para centro de trauma com expertise pediátrica 1, 2, 1.

Avaliação Primária e Prioridades Imediatas

A - Via Aérea com Proteção Cervical

  • Mantenha imobilização cervical rigorosa quando o mecanismo de trauma for compatível com lesão espinhal 1, 2, 1
  • Abra a via aérea com manobra de elevação da mandíbula (jaw thrust) sem inclinação da cabeça 1, 2
  • Se jaw thrust falhar, use head tilt-chin lift - via aérea pérvia é prioridade absoluta sobre proteção cervical 1, 2
  • Antecipe obstrução por fragmentos dentários, sangue ou detritos - tenha aspiração disponível 1
  • Posicionamento crítico: devido à cabeça desproporcionalmente grande em lactentes e crianças pequenas, recesse o occipital ou eleve o tronco para evitar flexão cervical indesejada na prancha 1, 2

B - Respiração e Ventilação

  • Avalie expansão torácica, ausculta e esforço respiratório
  • Não hiperventile rotineiramente, mesmo em trauma craniano (Classe III) 2
  • Hiperventilação breve pode ser usada apenas como terapia de resgate temporária se houver sinais de herniação cerebral iminente (aumento súbito da PIC, dilatação pupilar, bradicardia, hipertensão) 2
  • Suspeite lesão torácica em todo trauma toracoabdominal, mesmo sem lesões externas visíveis - pneumotórax hipertensivo, hemotórax ou contusão pulmonar podem comprometer oxigenação 2

C - Circulação e Controle de Hemorragia

Controle de sangramento:

  • Pare todo sangramento externo com pressão direta imediatamente 1
  • Identifique fonte de sangramento e proceda com controle hemorrágico definitivo se medidas iniciais falharem 3

Reanimação volêmica:

  • Use cristaloide isotônico (Ringer Lactato ou Soro Fisiológico 0,9%) como fluido inicial (Classe I) 2
  • Administre bolus de 20 mL/kg mesmo se pressão arterial estiver normal quando houver sinais de choque (Classe IIb) 2
  • Repita bolus adicionais de 20 mL/kg se perfusão sistêmica não melhorar 2
  • Não há benefício adicional em usar coloide (albumina) na fase inicial 2
  • Cristaloides podem ter benefício de sobrevida sobre coloides em trauma geral, TCE e queimaduras 2

Reconhecimento de choque em crianças:

  • Crianças podem manter pressão arterial normal até perder 25-30% da volemia devido à resposta compensatória vigorosa 4, 5
  • Sinais precoces de choque incluem: taquicardia, tempo de enchimento capilar >2 segundos, pulsos periféricos fracos, extremidades frias, alteração do nível de consciência 4, 5
  • Hipotensão é sinal tardio e indica choque descompensado - requer intervenção imediata 4, 6

Transfusão massiva e ressuscitação de controle de dano:

  • Se necessidade de transfusão massiva, inicie protocolo de ressuscitação balanceada com hemácias, plasma e plaquetas em proporção 1:1:1 4
  • Considere sangue total quando disponível 4
  • Evite hemodilução, acidose e hipotermia 4

D - Déficit Neurológico

  • Avalie sinais de aumento da PIC e herniação cerebral iminente
  • Não use hiperventilação rotineira - apenas se sinais de herniação 2
  • Mantenha perfusão cerebral adequada

E - Exposição e Controle de Temperatura

  • Exponha completamente para identificar todas as lesões
  • Previna hipotermia ativamente - crianças perdem calor rapidamente 4, 7
  • Use cobertores aquecidos, fluidos aquecidos, ambiente aquecido

Investigação Diagnóstica

Para pacientes hemodinamicamente estáveis ou estabilizados:

  • Proceda com investigação adicional para determinar fonte de sangramento 3
  • TC é modalidade de escolha quando disponível próximo à sala de emergência 3
  • Ultrassonografia (FAST) pode ser útil na avaliação inicial 3

Para pacientes em choque com fonte identificada:

  • Proceda imediatamente com controle hemorrágico definitivo 3

Transporte e Destino

Transporte imediato para centro de trauma com expertise pediátrica sempre que possível 1, 2, 1, 8:

  • Crianças mais jovens e gravemente feridas têm melhores desfechos em centros de trauma pediátrico 8
  • Se estabilização inicial em centro regional, organize transporte com equipe de cuidados críticos pediátricos 8

Considerações Especiais para Crianças

Diferenças Anatômicas e Fisiológicas Críticas:

  • Reservas fisiológicas limitadas: crianças desidratam mais rapidamente com vômitos e diarreia 9
  • Débito cardíaco dependente de frequência: bradicardia é sinal ominoso 9
  • Maior incidência de convulsões após intoxicação organofosforada ou hipóxia 9
  • Doses de atropina relativamente maiores podem ser necessárias (até 0,1 mg/kg) 9

Armadilhas Comuns a Evitar:

  1. Não reconhecer choque precoce - crianças compensam bem até descompensação súbita 4, 5
  2. Reanimação volêmica inadequada - principal erro evitável 2
  3. Falha em abrir/manter via aérea - causa principal de morte evitável 2
  4. Não reconhecer sangramento interno - requer alto índice de suspeição 2
  5. Hiperventilação desnecessária em TCE - piora desfecho 2

Critérios para Não Iniciar ou Interromper Ressuscitação:

Considere não iniciar ressuscitação em 10:

  • Lesões obviamente incompatíveis com vida (decapitação, hemicorporectomia) (Nível 2)
  • Sinais de tempo significativo desde parada (livores, rigor mortis, decomposição) (Nível 2)

Transporte imediato ao hospital se 10:

  • Sinais de vida testemunhados antes da parada
  • RCP iniciada em <5 minutos no campo (Nível 2)

Protocolo de Implementação

A evidência mais recente enfatiza que cada instituição deve desenvolver, implementar e aderir a protocolo clínico baseado em evidências para manejo de pacientes traumatizados 11. Este protocolo deve incluir:

  • Avaliação inicial padronizada
  • Critérios claros para intervenção hemorrágica
  • Protocolos de reanimação volêmica
  • Manejo de coagulopatia
  • Critérios de transferência
  • Feedback contínuo para provedores 8, 12

A abordagem sistemática ABCDE permanece o padrão-ouro, com adaptações específicas para anatomia e fisiologia pediátricas sendo essenciais para otimizar desfechos 1, 2, 1, 7.

References

Research

Damage-control resuscitation in pediatric trauma: What you need to know.

The journal of trauma and acute care surgery, 2023

Guideline

management of pediatric trauma.

Pediatrics, 2016

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