Sim, tumores glômicos podem ocorrer no canal auditivo externo, embora sejam extremamente raros nesta localização
Os tumores glômicos (glomangiomas) do canal auditivo externo são entidades raras mas bem documentadas, distintas dos paragangliomas timpânicos (glomus tympanicum) que são muito mais comuns na região temporal. 1
Distinção Crítica Entre Entidades
É fundamental diferenciar duas entidades completamente distintas:
- Tumor glômico verdadeiro (glomangioma): Neoplasia perivascular benigna derivada do corpo glômico, extremamente rara no canal auditivo externo 1
- Paraganglioma timpânico (glomus tympanicum): Tumor neuroendócrino muito mais comum, localizado na orelha média, frequentemente mencionado nas diretrizes de imagem 2
Características do Tumor Glômico Verdadeiro do Canal Auditivo Externo
Apresentação Clínica
- Otorreia serosa unilateral prolongada
- Perda auditiva progressiva
- Tinnitus intermitente
- Massa de tecido mole ocluindo o canal auditivo externo 1
- Pode apresentar-se com epistaxe ou hemoptise volumosa em casos com extensão para nasofaringe 3
Achados de Imagem
A TC com contraste demonstra:
- Lesão com realce que preenche o canal auditivo externo
- Possível extensão para orelha média, ático, antro mastoideo
- Abertura timpânica da tuba auditiva
- Caracteristicamente sem erosão óssea (diferente dos paragangliomas) 1
Diagnóstico Definitivo
A histopatologia com imuno-histoquímica é essencial, pois nem todas as massas vasculares otológicas são paragangliomas 1:
- Tumor bem circunscrito, não encapsulado
- Vasos de paredes finas ramificados
- Células redondas uniformes
- Positividade difusa para actina de músculo liso (α-SMA) 1, 4
- Também positivo para MSA, h-caldesmon, vimentina 4
Armadilha Clínica Importante
Nunca realizar biópsia ou sondagem de massas vasculares do canal auditivo sem imagem prévia, pois pode causar sangramento potencialmente fatal se for um paraganglioma ou tumor glômico 3. A TC de osso temporal sem contraste é adequada para avaliação inicial de lesões retrotimpânicas vasculares 2.
Tratamento
A excisão microcirúrgica assistida permanece o padrão-ouro:
- Mastoidectomia com remoção da parede do canal quando há extensão 1
- Excisão total macroscópica
- Baixa recorrência
- Mínima deformidade pós-operatória 4
Para pacientes com alto risco cirúrgico ou recorrência, a ablação por radiofrequência emerge como alternativa minimamente invasiva 4.
Vigilância Pós-Operatória
Vigilância estruturada é necessária quando há margens de excisão próximas, dado o potencial de recorrência 1.