Sim, a ampicilina pode e deve ser usada como profilaxia intraparto para gestantes GBS positivas
A ampicillin é um dos antibióticos de primeira linha recomendados para profilaxia intraparto em gestantes colonizadas por Streptococcus do Grupo B (GBS), sendo igualmente eficaz à penicilina G. 1
Regime Recomendado
O protocolo estabelecido pelo CDC para ampicilina é:
- Dose inicial: 2 g IV
- Doses de manutenção: 1 g IV a cada 4 horas até o parto 1
Eficácia e Tempo Necessário
A profilaxia com ampicilina é mais eficaz quando administrada por pelo menos 4 horas antes do parto 1. Estudos demonstram que:
- Com menos de 1 hora antes do parto: transmissão vertical de 46%
- Entre 1-2 horas: transmissão de 29%
- Entre 2-4 horas: transmissão de 2,9%
- Mais de 4 horas: transmissão de apenas 1,2% 2
Importante: Mesmo com apenas uma dose de 2 g, todos os níveis de ampicilina no sangue do cordão umbilical excedem os limiares bactericidas necessários (mínimo de 1,13 μg/mL), independentemente do IMC materno ou duração do trabalho de parto 3. Concentrações adequadas são detectadas já aos 5 minutos após a infusão 4.
Quando Usar Ampicilina vs. Penicilina G
Ambos são igualmente eficazes, mas:
- Penicilina G é preferida por ter espectro mais estreito 5
- Ampicilina é alternativa aceitável e pode ser mais conveniente em algumas instituições 1
- A escolha não deve atrasar o início da profilaxia
Situações Especiais
Alergia à Penicilina
Não use ampicilina em pacientes com história de:
- Anafilaxia
- Angioedema
- Desconforto respiratório
- Urticária após penicilina ou cefalosporina 1
Nestes casos:
- Sem alto risco de anafilaxia: Cefazolina 2 g IV inicial, depois 1 g IV a cada 8 horas
- Com alto risco de anafilaxia: Clindamicina (se sensível) ou Vancomicina 1
Trabalho de Parto Prematuro
Em gestantes com ruptura prematura de membranas pré-termo (pPROM), antibióticos para prolongar latência que incluam ampicilina 2 g IV seguido de 1 g IV a cada 6 horas por pelo menos 48 horas são adequados para profilaxia de GBS 1.
Armadilhas Comuns
Não administrar ampicilina antes do trabalho de parto: O tratamento pré-natal não é eficaz e não previne doença neonatal 5
Não usar em cesariana eletiva: Mulheres com cesariana planejada antes da ruptura de membranas e início do trabalho de parto não necessitam profilaxia rotineira 5
Atenção à clindamicina: Estudos recentes mostram que clindamicina está associada a morbidade infecciosa materna significativamente maior (corioamnionite clínica 9,0% vs 0,5% com ampicilina) e maior detecção de GBS em culturas corioamnióticas (28,2% vs 10,5%), levantando preocupações sobre sua eficácia intra-amniótica 6
Desfechos Neonatais
A profilaxia adequada com ampicilina resulta em:
- Redução de colonização neonatal de 51% para 9% 7
- Redução de bacteremia de 6% para 0% 7
- Redução de colonização grave (≥3 sítios) de 30% para 4% 7
- Prevenção efetiva de sepse neonatal precoce por GBS 8
A ampicilina permanece altamente eficaz, com resistência consistentemente baixa do GBS aos β-lactâmicos globalmente 9, tornando-a uma escolha segura e confiável para profilaxia intraparto.