Uso do Ácido Tranexâmico Além de Sangramentos e Hemorragias
O ácido tranexâmico (transamin) é utilizado principalmente para hemorragia pós-parto, trauma com sangramento grave, hemofilia durante extração dentária, e sangramento cirúrgico, além de indicações emergentes em epistaxe, sangramento pós-amigdalectomia e hemorragia intracraniana traumática.
Indicações Principais Baseadas em Evidências
Hemorragia Pós-Parto
A OMS recomenda fortemente o uso precoce de ácido tranexâmico intravenoso (dentro de 3 horas após o parto) para mulheres com hemorragia pós-parto clinicamente diagnosticada, seja após parto vaginal ou cesariana 1. Esta indicação demonstrou redução significativa da mortalidade materna por sangramento em mais de 20.000 mulheres estudadas no ensaio WOMAN 1.
Protocolo específico: 1g IV em 10 minutos, com segunda dose de 1g se o sangramento continuar após 30 minutos ou recomeçar dentro de 24 horas 1.
Advertência crítica: O benefício diminui 10% a cada 15 minutos de atraso, sem benefício após 3 horas do parto, quando pode ser potencialmente prejudicial 1.
Hemofilia e Extração Dentária
A bula da FDA indica o ácido tranexâmico em pacientes com hemofilia para uso de curto prazo (2 a 8 dias) para reduzir ou prevenir hemorragia durante e após extração dentária 2.
Dosagem: 10 mg/kg de peso corporal IV antes da extração, seguido de 10 mg/kg 3-4 vezes ao dia por 2-8 dias 2.
Trauma com Sangramento Grave
O ácido tranexâmico reduz a mortalidade em pacientes gravemente traumatizados, especialmente aqueles em choque hemorrágico 3. A administração deve ocorrer o mais precocemente possível, idealmente nos primeiros 90 minutos após o trauma 3.
Dosagem recomendada: 1-2g (15-30 mg/kg) em dose única, preferencialmente antes da chegada ao hospital 3.
Risco tromboembólico: Aumenta significativamente com doses de 4g (HR 5.33), portanto doses mais baixas são preferíveis 3.
Indicações Cirúrgicas
O ácido tranexâmico é eficaz na redução de sangramento cirúrgico em cirurgias cardiovasculares, ortopédicas e ginecológicas 4, 5. Apesar de estar nas diretrizes NICE desde 2016, aproximadamente 25% dos pacientes cirúrgicos elegíveis no Reino Unido não recebem TXA 6.
Indicações Pediátricas Emergentes
Sangramento Pós-Amigdalectomia
Protocolos hospitalares incorporam TXA nebulizado para todos os casos de sangramento pós-amigdalectomia, com TXA IV reservado para sangramento ativo ou de maior volume 7.
Epistaxe e Sangramento Oral
TXA tópico e sistêmico pode ser usado para epistaxe e sangramento gengival em crianças 8.
Trauma Cranioencefálico
Embora não haja efeito consistente na mortalidade em lesão cerebral traumática isolada, pode haver benefício na progressão do sangramento intracraniano 3.
Efeitos Além da Antifibrinólise
Pesquisas recentes demonstram que o ácido tranexâmico possui efeitos que transcendem a simples inibição da fibrinólise 9, 4:
- Atividade anti-inflamatória: Redução significativa das taxas de infecção pós-cirúrgica cardíaca 9
- Proteção endotelial e epitelial 4
- Supressão de edema pós-traumático 4
- Estimulação da respiração mitocondrial 4
Contraindicações Absolutas
- Hemorragia subaracnóidea (risco de edema cerebral e infarto cerebral) 2
- Coagulação intravascular ativa 2
- Evento tromboembólico conhecido durante a gravidez 1
- Hipersensibilidade grave ao ácido tranexâmico 2
Advertências Importantes
Via de administração: SOMENTE USO INTRAVENOSO. A injeção inadvertida no sistema neuraxial pode resultar em convulsões 2.
Hipotensão: Infundir não mais que 1 mL/minuto para evitar hipotensão 2.
Ajuste renal: Reduzir a dose em pacientes com insuficiência renal 2.
Uso concomitante com Fator IX: Evitar uso concomitante devido ao risco aumentado de trombose 2.