Prescrição de Exercício em Reabilitação Cardíaca
Para pacientes em reabilitação cardíaca após infarto do miocárdio, cirurgia de revascularização ou insuficiência cardíaca estável, prescreva exercício aeróbico de intensidade moderada a 60-80% da frequência cardíaca máxima ou 50-75% do VO2 pico, 3-5 sessões por semana, 20-30 minutos por sessão, com progressão individualizada baseada na capacidade funcional inicial. 1
Intensidade do Exercício
A intensidade deve ser determinada preferencialmente por teste cardiopulmonar:
- 50-75% do VO2 pico (método preferencial) 1
- 60-80% da frequência cardíaca máxima 2
- Escala de Borg (RPE) 3-5 (em escala de 10 pontos) ou 12-13 (em escala de 6-20) 3, 1
- Fórmula de Karvonen: FC de treino = (FC máxima - FC repouso) × 70% + FC repouso 1
A intensidade moderada (65-85% FC máxima) demonstrou redução de 26% na mortalidade cardíaca em meta-análise envolvendo pacientes com doença arterial coronariana 4.
Frequência e Duração
A prescrição varia conforme a capacidade funcional basal:
Para pacientes com capacidade <3 METS (25-40W):
- Múltiplas sessões curtas de 5-10 minutos diariamente 3
Para pacientes com capacidade 3-5 METS (40-80W):
- 1-2 sessões por dia de 15 minutos cada 3
Para pacientes com capacidade >5 METS:
- 3-5 sessões por semana, 20-30 minutos cada 3
- Mínimo recomendado: 30 minutos de exercício aeróbico de intensidade moderada pelo menos 5 vezes por semana 4
Modalidades de Exercício
Exercício Aeróbico Contínuo
Caminhada rápida, corrida leve, ciclismo ou natação são as modalidades principais 1. O exercício aeróbico demonstrou redução de 74% na mortalidade cardiovascular (RR: 0.74, IC 95%: 0.64-0.86, NNT: 37) 5.
Treinamento Intervalado
Para pacientes estáveis já em treinamento contínuo:
- Intervalos curtos de 15-30 segundos (RPE 3-5) com períodos de recuperação de igual duração 1
- Duração total: 15-30 minutos 1
- Melhor realizado em cicloergômetro, mas pode ser adaptado para caminhada 3
- Permite estímulos periféricos mais intensos sem aumento significativo da frequência cardíaca 3
Treinamento Resistido
Como adjuvante ao aeróbico:
- Pesos leves (2-5 kg) 1
- 10-20 repetições por série 1
- 2-3 vezes por semana 1
- Intensidade: 50-60% de uma repetição máxima 2
Particularmente benéfico para pacientes com perda de massa muscular, melhorando função diária, qualidade de vida e resistência à insulina 1.
Progressão do Treinamento
Fase Inicial (primeiras semanas)
- Intensidade baixa: 40-50% do VO2 pico 3
- Aumentar duração até 10-15 minutos 3
- Ajustar frequência conforme sintomas e estado clínico 3
Fase de Melhoria (até 6 meses)
- Aumentar gradualmente intensidade: 50% → 60% → 70% e até >70% se tolerado 3
- Prolongar sessões para 15-20 minutos, até 30 minutos se tolerado 3
- Ordem de progressão: duração → frequência → intensidade 3
- Melhorias máximas ocorrem em 16-26 semanas 3
Fase de Manutenção (após 6 meses)
- Manter treinamento individualizado para preservar capacidade de exercício 3
- Melhorias adicionais são mínimas, mas o treinamento contínuo previne perda de capacidade 3
Monitorização e Segurança
Interromper o exercício imediatamente se:
- Queda aguda da pressão arterial 3
- Início de angina 3
- Dispneia ou fadiga significativas 3
- Sensação de exaustão 3
- Arritmias graves induzidas pelo exercício 3
Monitorizar:
- Pressão arterial (aumento de apenas 10-20 mmHg pode ser aceitável se sem sintomas concomitantes) 3
- Frequência cardíaca 3
- Percepção de esforço (fadiga e dispneia separadamente) 3
Considerações Especiais
Pacientes com Insuficiência Cardíaca
- Exercício demonstrou redução de 32% na mortalidade e 23% no desfecho combinado (morte ou hospitalização) 2
- Pacientes NYHA I-III estáveis devem ser encaminhados para reabilitação cardíaca 2
- Aguardar estabilização dos sintomas e euvolemia antes de iniciar 2
Pacientes com CDI (Cardioversor-Desfibrilador Implantável)
- Exercício é seguro: apenas 10 terapias (7 choques) em 834 pacientes durante média de 9,6 semanas de reabilitação 1
- Evitar exercícios onde perda breve de consciência seja perigosa (natação, atividades com risco de queda) 1
Pacientes Idosos ou Descondicionados
- Iniciar com intensidade mais baixa e sessões mais curtas 2
- Pacientes com capacidade muito baixa demonstram adaptação mais rápida nas primeiras semanas 3
Armadilhas Comuns
Não confiar apenas na escala de Borg: Em insuficiência cardíaca, a percepção de esforço pode não se traduzir consistentemente na mesma intensidade durante o treinamento 3
Evitar exercícios isométricos não supervisionados: Podem causar aumentos excessivos de pré e pós-carga 2
Não iniciar exercício em pacientes instáveis: Aguardar estabilização clínica e euvolemia 2
Reavaliar periodicamente: Ajustar intensidade quando o paciente consegue realizar determinada intensidade com menor percepção de esforço 3
Benefícios Documentados
A reabilitação cardíaca baseada em exercício demonstra: