Oxigenação Apneica Durante Intubação
A oxigenação apneica deve ser realizada rotineiramente durante a intubação de adultos utilizando cânula nasal com fluxo de 15 L/min (ou oxigênio nasal de alto fluxo a 30-70 L/min), mantida continuamente desde a pré-oxigenação até a via aérea estar segura, com via aérea pérvia sendo essencial para sua eficácia.
Técnica Recomendada
A abordagem mais atual baseia-se no conceito de "peroxigenação" - fornecimento contínuo de oxigênio em três fases 1:
Fase 1: Pré-oxigenação
- Posicionamento: Cabeceira elevada (posição head-up)
- Dispositivo: Máscara facial bem ajustada com circuito capaz de fornecer CPAP
- Pressão positiva: CPAP de 5-10 cm H₂O se oxigenação comprometida
- Cânula nasal: Aplicar durante pré-oxigenação com fluxo de 5 L/min enquanto acordado 2
Fase 2: Oxigenação Apneica (Durante Laringoscopia)
Após perda de consciência:
- Aumentar fluxo da cânula nasal para 15 L/min 2
- Alternativa preferencial: Oxigênio nasal de alto fluxo (HFNO) a 30-70 L/min 1
- Requisito crítico: Via aérea pérvia - força cricoide inadequada pode obstruir e tornar oxigenação nasal ineficaz 2
Fase 3: Entre Tentativas de Intubação
- Ventilação com máscara facial + CPAP se hipoxemia ocorrer ou for provável (insuficiência respiratória, obesidade) 2
- Manter oxigenação nasal contínua durante todas as tentativas
Evidência de Eficácia
A oxigenação apneica demonstra benefício significativo:
- Prolonga tempo de apneia segura: Em pacientes com apneia obstrutiva do sono, HFNO prolongou tempo até SpO₂ <95% de 4,2 para 18,1 minutos 3
- Melhora SpO₂ mínima: Meta-análise mostrou aumento médio de 2,31% na SpO₂ mínima 4, 5
- Aumenta sucesso na primeira tentativa sem hipoxemia: De 69% para 82,1% em departamento de emergência 6
Oxigênio Nasal de Alto Fluxo (HFNO)
Indicação prioritária segundo diretrizes mais recentes 1:
- Pacientes com risco de via aérea fisiologicamente ou anatomicamente difícil
- Risco de dessaturação rápida ou tentativas prolongadas de intubação
- Fluxo típico: >30 L/min (excede fluxo inspiratório de pico)
Limitações Importantes do HFNO
- Não iniciar como técnica de resgate quando ventilação com máscara facial falhou 1
- Pode interferir com selo da máscara facial para ventilação subsequente 2
- Contraindicações: trauma facial grave, suspeita de fratura de base de crânio 2
- Pode não prevenir hipoxemia (apenas retardar) 1
- Uso concomitante com máscara facial bem ajustada pode gerar pressões elevadas 2
Armadilhas Comuns
Via aérea não pérvia: Oxigenação apneica é ineficaz se via aérea obstruída - força cricoide excessiva é causa frequente 2
Remoção prematura da cânula: Alguns dispositivos HFNO precisam ser removidos para permitir selo eficaz durante ventilação com máscara 1
Não funciona em insuficiência respiratória grave: Meta-análise não demonstrou benefício significativo em pacientes cuja indicação de intubação é insuficiência respiratória 4 - nestes casos, ventilação com pressão positiva é mais importante
Bloqueio neuromuscular inadequado: Bloqueio neuromuscular eficaz melhora ventilação com máscara facial e é essencial para maximizar benefício da oxigenação apneica 1
Algoritmo de Decisão
Para todos os pacientes:
- Cânula nasal padrão 5 L/min → 15 L/min após indução
Pacientes de alto risco (obesidade, apneia do sono, insuficiência respiratória, SpO₂ <80%):
- HFNO 30-70 L/min desde pré-oxigenação
- CPAP 5-10 cm H₂O durante pré-oxigenação
- Ventilação com máscara + CPAP entre tentativas
Se HFNO já em uso:
- Continuar durante manejo de via aérea difícil
- Manter via aérea pérvia
- Considerar remoção temporária se necessário selo para ventilação com máscara
A evidência mais recente e de maior qualidade (Difficult Airway Society 2025) 1 enfatiza que oxigenação apneica, especialmente com HFNO, é particularmente importante em pacientes de alto risco, mas deve ser parte de estratégia integrada de "peroxigenação" contínua, não técnica isolada.