Avaliação Pré-Operatória Pulmonar para Lipoaspiração e Abdominoplastia
Para uma paciente de 50 anos com asma leve e rinite alérgica sob controle adequado, submetida a lipoaspiração e abdominoplastia, não são necessários exames pulmonares de rotina além da avaliação clínica detalhada do controle da asma. 1
Avaliação Clínica Obrigatória
A avaliação pré-operatória deve focar em:
- Nível de controle da asma atual: Verificar frequência de sintomas, uso de medicação de resgate, limitações nas atividades diárias e histórico de exacerbações recentes 2
- Uso de corticosteroides sistêmicos: Documentar se houve uso nos últimos 6 meses, pois isso indica necessidade de cobertura com hidrocortisona perioperatória 2
- Medicações atuais: Confirmar adesão ao tratamento de manutenção (corticosteroides inalatórios, broncodilatadores)
- Exame físico respiratório: Ausculta pulmonar e avaliação de vias aéreas 3
Exames Complementares - Quando NÃO São Necessários
A espirometria e radiografia de tórax de rotina não devem ser solicitadas para predizer risco de complicações pulmonares pós-operatórias 1. Esta é uma recomendação forte baseada em evidência de que estes testes não melhoram a predição de risco em pacientes sem indicações clínicas específicas.
Exames Complementares - Quando SÃO Indicados
A espirometria pode ser apropriada apenas se 1:
- Houver dúvida sobre o controle atual da asma
- A paciente apresentar sintomas sugestivos de exacerbação
- Necessidade de documentar função pulmonar basal para comparação pós-operatória
Fatores de Risco Relevantes para Esta Paciente
Fatores de BAIXO risco presentes:
- Asma leve controlada não é fator de risco significativo para complicações pulmonares pós-operatórias 1
- Cirurgia estética abdominal tem risco intermediário (não é cirurgia torácica, abdominal alta ou vascular de grande porte)
- Idade de 50 anos está no limiar (risco aumenta significativamente após 60 anos) 1
Fatores que NÃO aumentam risco:
- Obesidade isoladamente não é fator de risco significativo 1
- Asma leve a moderada controlada não aumenta risco 1
Otimização Pré-Operatória
Se a asma estiver bem controlada (sem sintomas frequentes, sem uso excessivo de broncodilatador de resgate):
- Manter medicações habituais até o dia da cirurgia 2
- Não há necessidade de corticosteroides sistêmicos profiláticos 2
Se houver qualquer dúvida sobre o controle:
- Considerar curso curto de corticosteroides sistêmicos para otimizar função pulmonar antes da cirurgia 2
- Intensificar broncodilatadores 24-48 horas antes do procedimento 4
Cuidados Perioperatórios Específicos
Durante a cirurgia, a equipe anestésica deve 2:
- Ter broncodilatadores de ação rápida disponíveis
- Evitar intubação se possível (considerar anestesia regional/local com sedação)
- Se intubação necessária, pré-tratar com broncodilatadores
Para pacientes que usaram corticosteroides sistêmicos nos últimos 6 meses: Administrar hidrocortisona 100mg IV a cada 8 horas durante o período cirúrgico, reduzindo rapidamente nas primeiras 24 horas pós-operatórias 2
Medidas Pós-Operatórias Recomendadas
Todos os pacientes devem receber 1:
- Exercícios respiratórios profundos ou espirometria de incentivo (recomendação forte)
- Uso seletivo de sonda nasogástrica (apenas se necessário para náuseas, vômitos ou distensão abdominal sintomática)
- Mobilização precoce
Armadilhas Comuns a Evitar
Não solicitar espirometria de rotina apenas porque a paciente tem asma - isso não muda a conduta se a asma está clinicamente controlada 1
Não subestimar o risco de broncoespasmo durante intubação - mesmo asma controlada pode reagir à manipulação de vias aéreas 2, 5
Não esquecer de documentar uso prévio de corticosteroides sistêmicos - a supressão adrenal pode persistir e causar crise durante o estresse cirúrgico 2
Não suspender medicações de controle da asma no perioperatório - manter corticosteroides inalatórios e broncodilatadores de longa ação 2
Albumina Sérica
Considerar dosagem de albumina sérica se houver suspeita clínica de hipoalbuminemia, pois albumina <35 g/L é marcador poderoso de risco aumentado para complicações pulmonares pós-operatórias 1. Porém, não há indicação de suporte nutricional parenteral ou enteral apenas para reduzir risco pulmonar 1.