What is the recommended treatment regimen for leishmaniasis in a patient with HIV infection?

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Tratamento da Leishmaniose em Pacientes com HIV

A anfotericina B lipossomal (L-AmB) é o tratamento de escolha para leishmaniose visceral em pacientes com HIV, utilizando o regime aprovado pela FDA de 4 mg/kg/dia IV nos dias 1-5,10,17,24,31 e 38 (dose total de 40 mg/kg), seguido obrigatoriamente de profilaxia secundária em pacientes com CD4 <200 células/mm³. 1

Tratamento Inicial da Leishmaniose Visceral

A L-AmB é superior aos antimoniais pentavalentes em pacientes coinfectados, com taxas de mortalidade significativamente menores (6,1% vs 18,4%) 2. O regime específico para imunossuprimidos requer:

  • Dose mais alta: 4 mg/kg (vs 3 mg/kg em imunocompetentes)
  • Mais doses: 10 doses ao longo de 38 dias (vs 7 doses)
  • Dose total maior: 40 mg/kg (vs 21 mg/kg) 1

Considerações Importantes

Pacientes HIV-positivos apresentam:

  • Menor resposta ao tratamento inicial (54,8% vs 89,7% em HIV-negativos) 3
  • Taxa de recidiva muito elevada (46,2% vs 7,5%) 3
  • Contagem de CD4 tipicamente <200 células/mm³ (frequentemente <100) no diagnóstico 1

Terapia Antirretroviral Concomitante

Inicie ou otimize a terapia antirretroviral (TARV) assim que o paciente estiver suficientemente estável para tolerá-la (durante ou logo após o tratamento inicial da leishmaniose) 1. A reconstituição imunológica é fundamental para prevenir recidivas, embora a TARV sozinha ofereça apenas proteção parcial 1.

Cuidado com IRIS

Monitore para síndrome inflamatória de reconstituição imune (IRIS). Se a leishmaniose se manifestar ou piorar após início da TARV, trate com terapia antileishmania (e corticosteroides se indicado) 1.

Profilaxia Secundária (Essencial)

Administre profilaxia secundária obrigatoriamente em pacientes com CD4 <200 células/mm³ após resposta ao tratamento inicial 1. Esta é uma recomendação forte com evidência moderada.

Opções de Profilaxia Secundária:

  • L-AmB: 3-5 mg/kg IV a cada 3-4 semanas 1
  • Pentamidina: 4 mg/kg (máximo 300 mg) a cada 2-4 semanas 1
  • Antimonial pentavalente: 20 mg SbV/kg a cada 3-4 semanas 1

Em um pequeno ensaio randomizado, a profilaxia com complexo lipídico de anfotericina B reduziu a taxa de recidiva de 78% para 50% em 1 ano 1.

Descontinuação da Profilaxia

Considere suspender a profilaxia secundária quando:

  • CD4 >200-350 células/mm³ por ≥6 meses em TARV
  • Sem evidência de infecção ativa por Leishmania 1

Advertência: Recidivas foram relatadas mesmo com CD4 >200 células/mm³ ou carga viral indetectável 1.

Casos Refratários ou Recidivas

Para pacientes que não respondem ou recidivam:

  1. Retratamento com L-AmB é justificado (recidivas geralmente representam falha imunológica, não resistência ao medicamento) 1

  2. Terapia combinada (L-AmB + miltefosina) pode ser considerada, especialmente em casos refratários 1, embora a evidência seja limitada

  3. Doses mais altas ou duração prolongada podem ser necessárias dependendo do nível de imunossupressão 1

Leishmaniose Cutânea/Mucosa em HIV

Use terapia sistêmica mesmo para lesões aparentemente focais, particularmente em pacientes com CD4 <200-350 células/mm³, devido ao risco não quantificado de disseminação 1. Os regimes sistêmicos usados em imunocompetentes são geralmente recomendados, considerando interações medicamentosas e toxicidade 1.

Monitoramento

Monitore indefinidamente (até reconstituição imunológica efetiva) para evidência de recidiva pós-tratamento 1. A TARV e profilaxia secundária fornecem apenas proteção parcial. Retrate se houver evidência clínica e parasitológica de recorrência 1.

Armadilhas Comuns a Evitar:

  • Não use antimoniais pentavalentes em altas doses como primeira linha (mortalidade inaceitavelmente alta de 18,4%) 2
  • Não confie apenas em testes sorológicos (sensibilidade de apenas 50% em HIV-positivos vs 80% em HIV-negativos) 1, 3
  • Não omita a profilaxia secundária em pacientes com CD4 <200 células/mm³ (taxa de recidiva de 78% sem profilaxia) 1
  • Não atrase o início da TARV, mas estabilize o paciente primeiro 1

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