What therapies are used for acute epileptic seizures and status epilepticus, and what are the mechanisms of action of these treatments?

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Terapêutica para Crises Epilépticas Agudas e Estado de Mal Epiléptico

Para crises epilépticas agudas e estado de mal epiléptico, utilize benzodiazepinas como primeira linha (lorazepam IV ou midazolam IM), seguidas por valproato, levetiracetam ou fenitoína/fosfenitoína como segunda linha, e anestésicos gerais (propofol, midazolam ou barbitúricos) para casos refratários.

Abordagem Terapêutica em Estágios

Primeira Linha: Benzodiazepinas (Estado de Mal Epiléptico Inicial)

As benzodiazepinas são o tratamento de primeira linha para crises epilépticas agudas e estado de mal epiléptico inicial 1, 2:

  • Lorazepam IV: Eficaz em aproximadamente 63-73% dos pacientes 3
  • Midazolam IM: Preferido pela via intramuscular que economiza tempo e é pelo menos tão eficaz quanto lorazepam IV 4
  • Midazolam bucal: Em crianças, emergiu como primeira linha não-intravenosa com eficácia e segurança similares 5

Mecanismo de ação: As benzodiazepinas são moduladores alostéricos dos receptores GABA-A, potencializando a inibição mediada por GABA, que está comprometida no estado de mal epiléptico 4.

Armadilha comum: Muitos pacientes em estado de mal epiléptico inicial recebem doses inadequadas de benzodiazepinas 4. Administre doses completas e adequadas imediatamente.

Segunda Linha: Anticonvulsivantes IV (Estado de Mal Epiléptico Estabelecido)

Pacientes que não respondem a benzodiazepinas adequadas devem receber anticonvulsivantes de segunda linha 1, 2:

Valproato IV

  • Dose: 20-30 mg/kg a 40 mg/min 1
  • Eficácia: 75,7% (IC 95% 63,7-84,8) 5; 79% como segunda linha vs 25% com fenitoína 1
  • Vantagens: Pode ser administrado mais rapidamente que fenitoína, com menos efeitos adversos; sem hipotensão associada 1
  • Mecanismo: Múltiplos mecanismos incluindo bloqueio de canais de sódio voltagem-dependentes, aumento da neurotransmissão GABAérgica

Levetiracetam IV

  • Dose: 30-50 mg/kg IV a 100 mg/min 2; estudos usaram 30 mg/kg a 5 mg/kg/min 1
  • Eficácia: 68,5% (IC 95% 56,2-78,7) 5; 47% no estudo ESETT 2; 73% em estudos comparativos com valproato 1
  • Vantagens: Perfil de tolerabilidade favorável; efeitos adversos mínimos (náusea, transaminite transitória) 1
  • Mecanismo: Liga-se à proteína SV2A da vesícula sináptica, modulando a liberação de neurotransmissores

Fenitoína/Fosfenitoína IV

  • Dose: 18-20 mg/kg (fenitoína) ou 18-20 PE/kg (fosfenitoína) 1
  • Eficácia: 50,2% (IC 95% 34,2-66,1) 5; 45% no estudo ESETT 2; apenas 56% de sucesso no estudo Veterans Affairs 1
  • Desvantagens: Hipotensão (12% dos pacientes), arritmias cardíacas, lesão de tecidos moles com extravasamento, síndrome da luva roxa 1
  • Mecanismo: Bloqueio de canais de sódio voltagem-dependentes

Fenobarbital

  • Dose: 10-20 mg/kg; pode repetir 5-10 mg/kg aos 10 min 1
  • Eficácia: 73,6% (IC 95% 58,3-84,8) 5; 58,2% como medicação inicial no estudo Veterans Affairs 1
  • Desvantagens: Depressão respiratória, hipotensão 1
  • Mecanismo: Modulador alostérico dos receptores GABA-A, prolonga a abertura dos canais de cloreto

Evidência mais recente e forte: O estudo ESETT (2019) - ensaio clínico randomizado, duplo-cego, Classe I - demonstrou que levetiracetam, fosfenitoína e valproato têm eficácia equivalente (47%, 45% e 46% respectivamente) para estado de mal epiléptico estabelecido 2. Não houve diferença significativa entre os três medicamentos.

Recomendação prática: Baseado no perfil de segurança superior, prefira valproato ou levetiracetam sobre fenitoína para estado de mal epiléptico estabelecido 1, 5. O Comitê de Redação de Diretrizes da Neurocritical Care Society recomendou controle urgente com qualquer um dos seguintes: valproato, levetiracetam ou fenobarbital, além de fenitoína/fosfenitoína 1.

Terceira Linha: Anestésicos (Estado de Mal Epiléptico Refratário)

Para pacientes que continuam com crises após benzodiazepinas e anticonvulsivantes de segunda linha 1:

Propofol

  • Dose: Bolus de 2 mg/kg, seguido por infusão de 5 mg/kg/h (pode variar 3-7 mg/kg/h) 1
  • Vantagens: Tão eficaz quanto pentobarbital, mas requer menos dias de ventilação mecânica (4 vs 14 dias) 1; menos hipotensão que barbitúricos (42% vs 77%) 1
  • Mecanismo: Modulador alostérico dos receptores GABA-A

Midazolam

  • Dose: Doses anestésicas conforme recomendado pela European Federation of Neurological Societies 1
  • Eficácia: 63% de cessação do estado de mal epiléptico 1
  • Mecanismo: Modulador alostérico dos receptores GABA-A

Barbitúricos (Pentobarbital)

  • Dose: Bolus de 13 mg/kg; infusão de 2-3 mg/kg/h 1
  • Eficácia: 92% vs 73% com propofol 1
  • Desvantagens: Perfil de efeitos adversos aumentado, particularmente hipotensão e depressão respiratória 1
  • Mecanismo: Modulador alostérico dos receptores GABA-A, prolonga abertura dos canais de cloreto

Considerações Especiais

Estado de mal epiléptico não-convulsivo: Utilize EEG na fase diagnóstica 6. Tratamento de primeira e segunda linha como para crises convulsivas; se falhar, tente mais anticonvulsivantes (fenobarbital, valproato, levetiracetam) antes de anestesia geral 6.

Crises mioclônicas: Benzodiazepinas para estado de mal epiléptico com crises mioclônicas sem distúrbios perceptíveis de consciência (em epilepsia generalizada idiopática) 6.

Epilepsia parcial contínua: Anestesia geral não é indicada 6.

Mecanismos de Ação Resumidos

  • Benzodiazepinas: Modulação alostérica de receptores GABA-A, aumentando inibição GABAérgica
  • Valproato: Bloqueio de canais de sódio, aumento de GABA, múltiplos mecanismos
  • Levetiracetam: Ligação à proteína SV2A, modulação da liberação de neurotransmissores
  • Fenitoína/Fosfenitoína: Bloqueio de canais de sódio voltagem-dependentes
  • Fenobarbital: Modulação de receptores GABA-A, prolongamento de abertura de canais de cloreto
  • Propofol/Midazolam/Barbitúricos: Modulação alostérica de receptores GABA-A

Protocolo Simultâneo Essencial

Durante o tratamento farmacológico, busque simultaneamente causas tratáveis do estado de mal epiléptico 1:

  • Hipoglicemia
  • Hiponatremia
  • Hipóxia
  • Toxicidade medicamentosa
  • Infecção sistêmica ou do SNC
  • AVC isquêmico
  • Hemorragia intracerebral
  • Síndromes de abstinência

Se uma causa provocadora for descoberta, administre tratamento específico para a condição 1.

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