Critérios de Diagnóstico da Epilepsia segundo a ILAE
A epilepsia é diagnosticada quando o paciente apresenta pelo menos duas crises não provocadas com intervalo superior a 24 horas, OU uma crise não provocada com probabilidade de recorrência ≥60% nos próximos 10 anos, OU diagnóstico de uma síndrome epiléptica específica 1, 2.
Três Critérios Diagnósticos Principais
A definição prática da ILAE estabelece que epilepsia pode ser diagnosticada por qualquer uma das seguintes condições:
1. Duas Crises Não Provocadas
- Intervalo mínimo de 24 horas entre as crises
- As crises devem ser não provocadas (sem fator desencadeante agudo identificável)
- Inclui crises reflexas 1, 2
2. Uma Crise Não Provocada com Alto Risco de Recorrência
- Uma única crise não provocada (ou reflexa) E
- Probabilidade de crises futuras similar ao risco geral de recorrência após duas crises não provocadas (≥60%) nos próximos 10 anos
- Este critério permite diagnóstico precoce em situações de alto risco, como:
- Lesão estrutural epileptogênica identificada em neuroimagem
- Descargas epileptiformes no EEG
- Síndromes específicas com alto risco de recorrência 2
3. Diagnóstico de Síndrome Epiléptica
- Identificação de uma síndrome epiléptica específica reconhecida pela ILAE
- Mesmo que não cumpra os critérios de número de crises
- As síndromes são definidas por agrupamentos característicos de manifestações clínicas e eletroencefalográficas 1, 3, 2
Definição de Crise Epiléptica
Uma crise é definida como ocorrência transitória de sinais e/ou sintomas devido à atividade neuronal anormal, excessiva ou síncrona no cérebro 1.
Classificação das Crises (Atualização 2025)
A classificação mais recente da ILAE (2025) mantém a estrutura de 2017 com modificações importantes 4, 5:
Quatro Classes Principais de Crises:
- Crises Focais - originam-se em redes de um hemisfério cerebral
- Crises Generalizadas - afetam rapidamente ambos os hemisférios
- Crises de início desconhecido - quando não é possível determinar se focal ou generalizada
- Crises não classificadas - informação insuficiente 5
Mudanças Importantes na Classificação 2025:
- O termo "consciência" substitui "awareness" como classificador, definido por awareness (recordação) E responsividade
- "Características observáveis" substitui "crises motoras"
- Maior ênfase na sequência cronológica da semiologia da crise
- Reconhecimento do mioclono negativo epiléptico como novo tipo de crise
- Espasmos epilépticos agora são descritores em crises focais e desconhecidas, mantidos como tipo de crise nas generalizadas 4, 5
Resolução da Epilepsia
A epilepsia é considerada resolvida quando:
- Síndrome epiléptica idade-dependente e o paciente ultrapassou a idade aplicável, OU
- Paciente permanece livre de crises por 10 anos E sem medicação antiepiléptica por pelo menos 5 anos 2
Importante: "Resolvida" não é necessariamente idêntico a "remissão" ou "cura" 2.
Armadilhas Clínicas Comuns
- Não confundir crise única com epilepsia: Uma crise isolada não é epilepsia, a menos que haja alto risco de recorrência documentado
- Distinguir crises provocadas de não provocadas: Crises provocadas por fatores agudos (hipoglicemia, abstinência alcoólica, trauma agudo) não contam para o diagnóstico de epilepsia
- Documentar o intervalo entre crises: O intervalo de 24 horas é crítico para aplicar o critério das duas crises
- Avaliar risco de recorrência objetivamente: Usar neuroimagem e EEG para quantificar o risco após primeira crise, não apenas impressão clínica
Epilepsia Ativa
Define-se como epilepsia ativa quando o paciente tem:
- História de epilepsia diagnosticada por médico E
- Está atualmente em uso de medicação para controle OU
- Teve uma ou mais crises no último ano 1
Esta definição prática da ILAE, revisada em 2014 e mantida nas diretrizes subsequentes, trouxe o termo em concordância com o uso clínico comum e permite diagnóstico mais precoce em situações de alto risco, potencialmente melhorando desfechos através de tratamento mais oportuno 2.