Esofagite Grau A e B: Risco de Progressão para Neoplasia
A esofagite erosiva graus A e B de Los Angeles apresenta risco muito baixo de progressão para neoplasia, e a vigilância endoscópica de rotina não é recomendada para estes pacientes.
Evidência sobre Progressão da Doença
As diretrizes da American Gastroenterological Association estabelecem claramente que a progressão da DRGE não segue necessariamente um continuum linear 1. Os dados disponíveis demonstram que:
Em pacientes com mucosa cicatrizada na endoscopia inicial, o risco de desenvolver estenose, metaplasia de Barrett ou adenocarcinoma em 7 anos é de apenas 1,9%, 0% e 0,1%, respectivamente 1
A progressão para esôfago de Barrett ocorre principalmente em esofagite grave: pacientes com esofagite de Los Angeles C ou D apresentam aproximadamente 6% de risco de desenvolver Barrett após cicatrização 1
Esofagite graus A e B não progridem para graus mais severos: um estudo prospectivo com 219 pacientes demonstrou que nenhum paciente progrediu para graus mais severos de esofagite durante o seguimento 2
Dados Específicos sobre Graus A e B
A evidência mais recente da European Society of Gastrointestinal Endoscopy (2020) é categórica: recomenda-se contra a vigilância de esofagite erosiva graus A ou B de Los Angeles 3. Esta recomendação baseia-se em:
Taxa de Barrett similar entre graus leves e graves: no estudo de Mayo Clinic, a taxa de esôfago de Barrett foi de 5% em LA-A/B versus 14% em LA-C (p = 0,6), diferença não estatisticamente significativa 2
Cicatrização ocorre na maioria dos casos: 73% dos pacientes apresentaram cicatrização na endoscopia de seguimento, independentemente do uso contínuo de IBP 2
Progressão é evento raro: em seguimento médio de 6,5 anos, apenas 4,5% dos pacientes mostraram progressão das lesões erosivas 4
Risco Absoluto de Neoplasia
Embora a esofagite erosiva seja fator de risco para Barrett (RRR 5,2; IC 95% 1,2-22,9) 5, o risco absoluto permanece extremamente baixo:
- Incidência de Barrett: 9 por 1.000 pessoas-ano em pacientes com esofagite erosiva 5
- Risco de adenocarcinoma em Barrett: aproximadamente 0,5% por paciente-ano, ou 1 em 200 pacientes por ano 6
- Risco combinado: o risco de desenvolver câncer a partir de esofagite A/B é inferior a 0,1% em 7 anos 1
Implicações Clínicas Práticas
Não realize endoscopia de vigilância de rotina em pacientes com esofagite graus A ou B 1, 3. A monitorização endoscópica não demonstrou reduzir o risco de câncer e esta prática é desencorajada 1.
Armadilhas Comuns a Evitar:
- Não confundir risco relativo com risco absoluto: embora o risco relativo seja elevado, o risco absoluto de progressão para neoplasia permanece muito baixo
- Não aplicar protocolos de vigilância de Barrett: estes pacientes não necessitam seguimento endoscópico programado
- Não manter IBP indefinidamente sem indicação: em pacientes com LA-A/B sem hérnia hiatal, estratégia conservadora de IBP pode ser razoável 2
Quando Considerar Reavaliação Endoscópica:
- Persistência de sintomas apesar de tratamento adequado
- Desenvolvimento de sintomas de alarme (disfagia, perda ponderal, anemia)
- Esofagite grau C ou D na endoscopia inicial (risco 6% de Barrett) 1
A mensagem fundamental é clara: esofagite graus A e B apresentam curso benigno na grande maioria dos casos, com risco de progressão para neoplasia extremamente baixo, não justificando vigilância endoscópica de rotina.