Utilização do Laser Infravermelho em Lesões por Pressão
A terapia com laser infravermelho não é recomendada como tratamento de rotina para lesões por pressão, pois não demonstrou superioridade em relação aos cuidados padrão para cicatrização completa das feridas. 1
Evidência das Diretrizes
A diretriz do American College of Physicians (2015) é clara e direta: a terapia com laser foi similar aos controles para alívio de úlceras por pressão 1. Embora a fototerapia tenha resultado em redução do tamanho da úlcera comparada ao controle, ela foi equivalente ao tratamento simulado (sham) para cicatrização completa 1.
Importante destacar que:
- Nenhum efeito adverso substancial foi relatado com a terapia a laser (evidência de baixa qualidade) 1
- A diretriz não faz recomendação formal para uso de laser, diferentemente de outras terapias como estimulação elétrica, curativos hidrocoloides/espuma, e suplementação proteica 1
O Que a Diretriz Recomenda Efetivamente
Em vez de laser, a diretriz ACP recomenda:
- Suplementação proteica ou de aminoácidos para reduzir tamanho da ferida (recomendação fraca, evidência de baixa qualidade) 1
- Curativos hidrocoloides ou de espuma para reduzir tamanho da ferida (recomendação fraca, evidência de baixa qualidade) 1
- Estimulação elétrica como terapia adjuvante para acelerar cicatrização em úlceras estágio 2-4 (recomendação fraca, evidência de qualidade moderada) 1
Evidências de Pesquisa Mais Recentes
Parâmetros Quando Laser é Utilizado
Uma revisão sistemática de 2020 identificou que laser de 658 nm com 4 J/cm² e 50 mW demonstrou cicatrização completa (P < 0,001) quando comparado a lasers de 990 nm e 808 nm 2. Contudo, não houve diferença estatisticamente significativa em relação ao tempo para cicatrização completa ou redução de área comparado ao cuidado padrão 2.
Outros estudos utilizaram:
- 904 nm, 5000 Hz, modo pulsado, 13,5 mW/cm², 2 minutos por zona, com contato, acelerando cicatrização em 1,3-1,4 vezes 3
- 830 nm, onda contínua, 5,0 J/cm², diariamente nos dias 3-13 pós-ulceração 4
- 956 nm (infravermelho) e 637 nm (vermelho), luz monocromática pulsada, 15,6 Hz a 8,58 kHz, 9 minutos por sessão, resultando em 49% maior taxa de cicatrização 5
Limitações Críticas
A revisão sistemática de 2020 observou heterogeneidade clínica dos participantes, variação nos parâmetros do laser e predominância de estudos de baixa qualidade metodológica 2. Isso explica por que as diretrizes não fazem recomendação formal.
Armadilhas Comuns e Precauções
- Não substituir tratamentos comprovados: O laser não deve substituir curativos adequados, alívio de pressão, ou suplementação nutricional
- Variabilidade de parâmetros: A literatura mostra protocolos extremamente variados sem consenso sobre comprimento de onda, dose, frequência ou duração ideal
- Foco no desfecho errado: Muitos estudos avaliam redução de tamanho da ferida, não cicatrização completa - o desfecho que realmente importa para morbimortalidade e qualidade de vida
- Custo-benefício questionável: Sem evidência de superioridade sobre cuidados padrão mais baratos e acessíveis
Abordagem Prática Recomendada
Priorize primeiro as intervenções com evidência mais forte:
- Garanta alívio adequado de pressão (superfícies de suporte apropriadas)
- Implemente suplementação proteica/aminoácidos se deficiência nutricional
- Utilize curativos hidrocoloides ou de espuma
- Considere estimulação elétrica como adjuvante (evidência moderada)
- Laser pode ser considerado apenas como terapia adjuvante experimental quando os tratamentos acima já estão otimizados e a ferida não responde adequadamente
Se optar por usar laser apesar da falta de recomendação formal, o protocolo com melhor evidência seria: 658 nm, 4 J/cm², 50 mW 2, aplicado como adjuvante aos cuidados padrão, não como monoterapia.