Tratamento para paciente com câncer de mama triplo positivo com resposta clínica completa e êmbolos tumorais na margem
A melhor abordagem para esta paciente de 36 anos com tumor triplo positivo que teve resposta clínica e radiológica completa à quimioterapia, mas apresenta êmbolos tumorais por toda a área e na margem, é manter a terapia sistêmica e radioterapia sem necessidade de cirurgia adicional radical. 1
Análise da situação clínica
A paciente apresenta:
- 36 anos de idade
- Tumor triplo positivo (ER+, PR+, HER2+)
- Inicialmente cT3N1
- Resposta clínica e radiológica completa à quimioterapia neoadjuvante
- Cirurgia conservadora da mama + biópsia de linfonodo sentinela realizada
- Axila positiva (1/13 linfonodos positivos após esvaziamento)
- Ausência de tumor invasivo residual na mama
- Presença de êmbolos tumorais por toda a área e na margem
Justificativa para a abordagem recomendada
Fundamentos para evitar cirurgia adicional
Resposta completa à quimioterapia: A paciente já apresentou resposta clínica e radiológica completa à quimioterapia neoadjuvante, o que é um fator prognóstico favorável, especialmente em tumores HER2-positivos 1.
Ausência de tumor invasivo residual: Apesar da presença de êmbolos tumorais, não há tumor invasivo residual na mama, o que sugere boa resposta ao tratamento sistêmico 1.
Diretrizes para LABC (Câncer de Mama Localmente Avançado): As diretrizes ESO-ESMO recomendam que, se o LABC permanecer inoperável após terapia sistêmica e eventual radiação, a mastectomia "paliativa" não deve ser realizada, a menos que a cirurgia provavelmente resulte em uma melhora geral na qualidade de vida 1.
Abordagem terapêutica recomendada
Radioterapia:
Terapia sistêmica:
Monitoramento:
Evidências que suportam esta abordagem
As diretrizes ESO-ESMO para câncer de mama avançado recomendam uma abordagem multidisciplinar combinando terapia sistêmica, cirurgia e radioterapia 1.
Para tumores HER2-positivos, a terapia anti-HER2 concomitante com taxano é recomendada, pois aumenta a taxa de resposta patológica completa 1.
O NCCN recomenda que, para pacientes com doença HER2-positiva, a terapia direcionada ao HER2 mais quimioterapia seja a abordagem de primeira linha 1, 4.
A terapia endócrina é indicada em pacientes com tumores positivos para receptores hormonais 1.
Considerações importantes
Êmbolos tumorais: A presença de êmbolos tumorais na margem é um achado preocupante, mas a radioterapia é eficaz no controle local neste cenário, especialmente quando combinada com terapia sistêmica adequada.
Idade da paciente: Aos 36 anos, a paciente é jovem para câncer de mama, o que pode sugerir um comportamento mais agressivo da doença, mas o perfil triplo positivo geralmente tem melhor prognóstico quando comparado ao triplo negativo 5.
Resposta à terapia neoadjuvante: A resposta clínica e radiológica completa à quimioterapia neoadjuvante é um fator prognóstico favorável, especialmente em tumores HER2-positivos 1.
Armadilhas a evitar
Cirurgia radical desnecessária: Realizar mastectomia radical sem benefício comprovado pode afetar negativamente a qualidade de vida sem melhorar os resultados oncológicos 1.
Subestimar a importância da terapia anti-HER2: Não completar o ano de terapia anti-HER2 pode comprometer os resultados a longo prazo 2.
Negligenciar a terapia endócrina: Por ser um tumor triplo positivo, a terapia endócrina é parte fundamental do tratamento 1.
Atraso na radioterapia: Estudos sugerem que atrasar a radioterapia após a quimioterapia pode aumentar o risco de recorrência local 6, 7.
A abordagem recomendada visa otimizar o controle local e sistêmico da doença, preservando a qualidade de vida da paciente, sem necessidade de cirurgia adicional radical que não demonstrou benefício claro neste cenário específico.