What are the pathophysiology, diagnosis, and management of Guillain-Barré Syndrome?

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Fisiopatologia da Síndrome de Guillain-Barré

Introdução à Fisiopatologia

A Síndrome de Guillain-Barré (SGB) é uma doença autoimune desencadeada por uma resposta imunológica aberrante a infecções prévias, resultando em danos aos nervos periféricos, embora sua patogênese não seja completamente compreendida. 1, 2 Esta resposta imune anormal é direcionada contra componentes dos nervos periféricos, particularmente contra os gangliosídeos que estão presentes em alta densidade no axolema e em outros componentes dos nervos periféricos.

Mecanismos Imunológicos Fundamentais

Mimetismo Molecular

  • O principal mecanismo fisiopatológico da SGB é o mimetismo molecular, onde patógenos compartilham epítopos homólogos com componentes dos nervos periféricos 3
  • A resposta imune inicialmente dirigida contra o patógeno passa a reagir cruzadamente com estruturas nervosas, causando dano neural
  • O Campylobacter jejuni é o gatilho infeccioso mais frequentemente identificado mundialmente, presente em aproximadamente dois terços dos pacientes nas 4-6 semanas que precedem o início dos sintomas 2

Alvos Moleculares

  • Na forma axonal (AMAN - Neuropatia Axonal Motora Aguda), os alvos moleculares são principalmente os gangliosídeos GM1, GM1b, GD1a e GalNAc-GD1a expressos no axolema motor 3
  • Na forma desmielinizante (AIDP - Polineuropatia Desmielinizante Inflamatória Aguda), as reações do sistema imunológico são contra epítopos-alvo nas células de Schwann ou na mielina, resultando em desmielinização 3
  • Na Síndrome de Miller Fisher, os anticorpos anti-GQ1b são encontrados em até 90% dos casos 2

Processo Inflamatório

  • A ativação do complemento é um componente crítico da lesão neural na SGB
  • Infiltração de macrófagos nas bainhas de mielina e nos axônios
  • Edema dos nervos periféricos e raízes nervosas
  • Desmielinização segmentar (na AIDP) ou degeneração axonal (na AMAN/AMSAN)

Subtipos Fisiopatológicos

Polineuropatia Desmielinizante Inflamatória Aguda (AIDP)

  • Forma mais comum na Europa e América do Norte 3
  • Caracterizada por desmielinização segmentar dos nervos periféricos
  • Mediada principalmente por células T e macrófagos
  • Alvos moleculares específicos ainda não foram completamente identificados
  • Apresenta velocidades de condução nervosa reduzidas e bloqueios de condução nos estudos eletrofisiológicos

Neuropatia Axonal Motora Aguda (AMAN)

  • Mais frequente no leste asiático (China e Japão) 3
  • Caracterizada por degeneração axonal primária sem desmielinização significativa
  • Mediada principalmente por anticorpos anti-gangliosídeos (GM1, GD1a)
  • Apresenta amplitude reduzida dos potenciais de ação muscular compostos com velocidades de condução relativamente preservadas

Neuropatia Axonal Sensitivo-Motora Aguda (AMSAN)

  • Variante mais grave com envolvimento tanto motor quanto sensitivo
  • Degeneração axonal afetando fibras motoras e sensitivas
  • Padrão eletrofisiológico semelhante ao AMAN, mas com envolvimento adicional dos potenciais de ação sensitivos

Síndrome de Miller Fisher

  • Caracterizada pela tríade: oftalmoplegia, ataxia e arreflexia 4
  • Forte associação com anticorpos anti-GQ1b (presentes em até 90% dos casos) 2
  • Afeta predominantemente os nervos cranianos, particularmente os oculomotores

Correlação Clínico-Patológica

Progressão da Doença

  • A progressão rápida dos sintomas reflete o ataque imunológico agudo aos nervos periféricos
  • A maioria dos pacientes atinge o pico de incapacidade dentro de 2 semanas 1
  • A fase de plateau pode durar de dias a semanas ou meses, seguida por recuperação gradual

Manifestações Autonômicas

  • O envolvimento do sistema nervoso autônomo resulta em arritmias cardíacas e instabilidade da pressão arterial 1
  • A disfunção autonômica contribui significativamente para a mortalidade (estimada em 3-10% mesmo com os melhores cuidados médicos disponíveis) 1
  • Outros sintomas autonômicos incluem disfunção pupilar e alterações do controle vesical e intestinal 2

Dor e Fadiga

  • A dor, frequentemente severa e precedendo a fraqueza, é um sintoma comum na SGB 2
  • Mecanismos fisiopatológicos da dor incluem inflamação neural, ativação nociceptiva anormal e sensibilização central
  • A fadiga persistente pode estar relacionada a danos axonais residuais e alterações na excitabilidade neural

Gatilhos e Fatores de Risco

Infecções Precedentes

  • Campylobacter jejuni: mais frequentemente associado, especialmente com a forma AMAN 2, 3
  • Citomegalovírus: associado principalmente com a forma AIDP
  • Vírus Epstein-Barr: pode desencadear várias formas de SGB
  • Mycoplasma pneumoniae: outro patógeno frequentemente identificado 3
  • Vírus Zika: associado a surtos de SGB na Polinésia Francesa (2013) e América Latina/Caribe (2015-2016) 1

Associação com Vacinas

  • Raramente associada a vacinas, com a vacina contra gripe suína de 1976 mostrando um risco aumentado de 7,3 vezes 2
  • Vacinas subsequentes contra influenza mostraram apenas aproximadamente um caso adicional de SGB por milhão de vacinações 2

Evolução e Prognóstico

  • Doença tipicamente monofásica, embora alguns pacientes possam deteriorar após estabilização inicial ou melhora com terapia (flutuação relacionada ao tratamento) 1
  • Recidivas da SGB podem ocorrer em 2-5% dos pacientes 1, 2
  • Cerca de 60-80% dos pacientes conseguem andar independentemente 6 meses após o início da doença, com ou sem tratamento 1, 2
  • A melhora clínica é geralmente mais extensa no primeiro ano após o início da doença e pode continuar por mais de 3-5 anos 1, 2

Considerações Especiais

Variantes Clínicas e Sobreposições

  • Aproximadamente 5% dos pacientes inicialmente diagnosticados com SGB acabam desenvolvendo polineuropatia desmielinizante inflamatória crônica com início agudo (A-CIDP) 5, 6
  • Existe uma forma clínica que se sobrepõe entre SGB e polineuropatia desmielinizante crônica relacionada a anticorpos contra neurofisina e contactina 4

Biomarcadores em Desenvolvimento

  • Anticorpos anti-gangliosídeos têm valor diagnóstico limitado na SGB típica, mas são úteis na Síndrome de Miller Fisher 2
  • Anticorpos nodo-paranodais devem ser testados quando se suspeita de nodopatia autoimune 6
  • O papel potencial de biomarcadores em fluidos está sob escrutínio contínuo para monitorar a atividade da doença e a resposta ao tratamento 7

Conclusão Fisiopatológica

A Síndrome de Guillain-Barré representa um espectro de neuropatias imunomediadas agudas com mecanismos fisiopatológicos diversos, mas compartilhando o denominador comum de uma resposta imune aberrante desencadeada principalmente por infecções. A compreensão desses mecanismos tem implicações diretas para o diagnóstico, tratamento e desenvolvimento de novas terapias para esta condição potencialmente devastadora, mas tratável.

References

Guideline

Guideline Directed Topic Overview

Dr.Oracle Medical Advisory Board & Editors, 2025

Guideline

Guillain-Barré Syndrome

Praxis Medical Insights: Practical Summaries of Clinical Guidelines, 2025

Research

Diagnosis, treatment and prognosis of Guillain-Barré syndrome (GBS).

Presse medicale (Paris, France : 1983), 2013

Research

Guillain-Barré syndrome: a comprehensive review.

European journal of neurology, 2024

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