Quadro Clínico da Discinesia Tardia
A discinesia tardia (DT) é um distúrbio de movimento involuntário caracterizado por movimentos atetoides ou coreiformes que afetam principalmente a região orofacial, embora possa envolver qualquer parte do corpo, associado ao uso prolongado de medicamentos neurolépticos (antipsicóticos) e pode persistir mesmo após a descontinuação do medicamento causador. 1
Manifestações Clínicas Principais
Movimentos Involuntários
Região orofacial: Os movimentos mais comuns incluem:
Extremidades:
- Movimentos coreicos (rápidos, irregulares) dos dedos e mãos
- Movimentos atetoides (lentos, contorcidos) dos membros
- Balismo (movimentos amplos, violentos) - forma mais rara 2
Formas de Apresentação
A DT pode se manifestar como:
Características Temporais
- Duração dos episódios: Geralmente menos de 1 minuto em mais de 98% dos pacientes 2
- Frequência: Varia significativamente entre indivíduos, podendo ocorrer de várias vezes por ano a mais de 100 vezes por dia 3
Subtipos Clínicos
- Discinesia tardia clássica: Caracterizada por movimentos orais-bucais-linguais
- Distonia tardia: Pode ser focal, segmentar ou generalizada, afetando comumente face e pescoço, seguidos por braços e tronco. Frequentemente resulta em retrocollis quando envolve o pescoço e arqueamento do tronco para trás 4
- Acatisia tardia: Caracterizada por sensação interna de inquietação e nervosismo com incapacidade de ficar sentado ou em pé 4
- Outros subtipos: Incluem tiques tardios, mioclonia, tremor e síndrome de emergência por retirada 4
Fatores de Risco
- Idade avançada: Até 50% de risco após 2 anos de uso contínuo de antipsicóticos típicos em pacientes idosos 1
- Sexo feminino: Maior prevalência em mulheres 1
- Duração do tratamento: O risco aumenta com a duração do tratamento e a dose cumulativa total de medicamentos antipsicóticos 5, 6
- Escores AIMS basais mais altos: Indicam maior predisposição 1
- Comprometimento intelectual: Aumenta o risco 1
- Uso de antipsicóticos típicos: Maior risco em comparação com atípicos 7
Evolução Clínica
- A DT pode se desenvolver após períodos relativamente breves de tratamento em doses baixas ou mesmo após a descontinuação do tratamento 5, 6
- A frequência dos episódios geralmente atinge o pico durante a puberdade e diminui após os 20 anos de idade 2
- Alguns pacientes raramente experimentam ataques ou até mesmo experimentam remissão espontânea da doença após os 30 anos de idade 2
- O risco de permanência aumenta com o tempo, tornando crucial o diagnóstico precoce 3, 8
- A DT pode remitir, parcial ou completamente, se o tratamento antipsicótico for retirado 5
- O tratamento antipsicótico pode suprimir (ou parcialmente suprimir) os sinais e sintomas da síndrome, potencialmente mascarando o processo subjacente 5, 6
Impacto Funcional e Social
- A DT pode estar associada a comprometimento funcional significativo 3, 8
- Os movimentos involuntários podem ser socialmente estigmatizantes 8
- Por estarem fora do controle do paciente, esses movimentos podem ter efeitos físicos e psicológicos graves 3
Diagnóstico Diferencial
- Parkinsonismo induzido por medicamentos: Importante diferenciar, pois o tratamento anticolinérgico pode piorar a DT 3
- Acatisia: Pode ser confundida com DT 1
- Discinesia de retirada: Pode ser confundida com DT 1
A avaliação regular usando a Escala de Movimentos Involuntários Anormais (AIMS) a cada 3-6 meses é recomendada para pacientes em terapia antipsicótica, para avaliar o risco e a progressão da DT 1. É fundamental registrar medidas basais de movimentos anormais antes de iniciar a terapia antipsicótica para monitorar o desenvolvimento da discinesia tardia 1.