Papel das Antraciclinas na Terapia Neoadjuvante para Câncer de Mama
O estudo KN522 demonstrou que o regime preferencial para câncer de mama triplo-negativo estágio II/III inclui antraciclinas, taxanos e carboplatina, confirmando o papel importante das antraciclinas na sobrevida livre de progressão (SLP) e sobrevida global (SG) em pacientes submetidas à terapia neoadjuvante. 1
Importância das Antraciclinas por Subtipo de Câncer de Mama
Câncer de Mama Triplo-Negativo
- As antraciclinas continuam sendo componentes essenciais do tratamento neoadjuvante para câncer de mama triplo-negativo estágio II/III
- O consenso de St. Gallen 2023 endossa especificamente o regime do estudo KN522, que inclui antraciclinas, taxanos e carboplatina, como tratamento preferencial 1
- Este regime demonstrou melhora significativa em desfechos de SLP e SG neste subtipo agressivo
Câncer de Mama HER2-Positivo
- Combinações baseadas em antraciclinas e taxanos têm sido tradicionalmente o pilar da quimioterapia neoadjuvante para doença HER2-positiva 1
- Embora regimes sem antraciclinas (como carboplatina com taxanos) mostrem desfechos similares com melhor segurança cardíaca, não há evidência definitiva de superioridade em termos de SLP e SG 1, 2
- Uma meta-análise de 2023 não mostrou diferença estatisticamente significativa na taxa de resposta patológica completa (pCR) entre regimes com ou sem antraciclinas (OR 0,95; IC 95%: 0,61-1,48; P=0,83) 2
Câncer de Mama HR-Positivo/HER2-Negativo
- A quimioterapia neoadjuvante pode efetivamente reduzir o estágio de cânceres HR-positivo/HER2-negativo para fins cirúrgicos 1
- Embora a pCR seja menos comum neste subtipo, os regimes contendo antraciclinas continuam sendo considerados eficazes
Riscos e Considerações de Segurança
- As antraciclinas apresentam risco baixo, mas potencialmente significativo, de toxicidade cardíaca e leucemia mieloide aguda secundária 1, 3
- O risco de desenvolver insuficiência cardíaca clinicamente evidente é estimado em aproximadamente 0,9% com dose cumulativa de 550 mg/m², 1,6% com 700 mg/m² e 3% com 900 mg/m² 3
- A incidência de diminuição da fração de ejeção do ventrículo esquerdo é significativamente maior com regimes contendo antraciclinas em comparação com regimes sem antraciclinas (OR 0,50; IC 95%: 0,35-0,71; P=0,0001) 2
Algoritmo de Decisão para Uso de Antraciclinas na Neoadjuvância
Câncer de mama triplo-negativo estágio II/III:
- Regime preferencial: antraciclinas + taxanos + carboplatina + pembrolizumabe 1
- Benefício claro em SLP e SG
Câncer de mama HER2-positivo estágio II/III:
- Opção 1: Regime com antraciclinas + taxanos + terapia anti-HER2 dupla (trastuzumabe + pertuzumabe)
- Opção 2: Regime sem antraciclinas (carboplatina + taxanos + terapia anti-HER2 dupla) para pacientes com fatores de risco cardíaco 1
- Considerar que ambos os regimes têm eficácia similar em termos de pCR 2
Câncer de mama HR-positivo/HER2-negativo:
- Para tumores de alto risco: considerar regimes contendo antraciclinas
- Para tumores de baixo risco: considerar terapia endócrina neoadjuvante ou regimes sem antraciclinas 1
Considerações Importantes
- A terapia neoadjuvante é o tratamento padrão para pacientes com câncer de mama inflamatório ou outros tumores localmente avançados inoperáveis 1
- O painel de St. Gallen 2023 recomenda terapia sistêmica pré-operatória como abordagem preferencial para câncer de mama estágio II ou III, particularmente nos subtipos HER2-positivo ou triplo-negativo 1
- Pacientes que recaem mais de 12 meses após tratamento baseado em antraciclinas podem ser retratados com quimioterapia baseada em antraciclinas até doses cumulativas de doxorrubicina e epirrubicina de 450-550 mg/m² e 800-1000 mg/m², respectivamente 1
As evidências mais recentes, particularmente do estudo KN522 citado no consenso de St. Gallen 2023, confirmam que as antraciclinas mantêm papel importante na melhoria da SLP e SG em pacientes com câncer de mama submetidas à terapia neoadjuvante, especialmente no subtipo triplo-negativo.