O Sinal do Aplauso: Características Semiológicas, Origem Anatômica e Principais Causas
O sinal do aplauso é um teste neurológico simples e específico para distúrbios parkinsonianos, sendo mais sensível na degeneração corticobasal e na paralisia supranuclear progressiva, caracterizado pela incapacidade do paciente de bater palmas exatamente três vezes quando solicitado.
Características Semiológicas e Reconhecimento na Avaliação Clínica
Como realizar o teste
- Solicite ao paciente que bata palmas exatamente três vezes após demonstração pelo examinador
- Observe atentamente o número de palmas que o paciente executa
- A pontuação pode ser classificada da seguinte forma 1:
- 3 pontos = bate palmas exatamente três vezes (normal)
- 2 pontos = bate palmas quatro vezes
- 1 ponto = bate palmas de 5 a 10 vezes
- 0 pontos = bate palmas mais de 10 vezes
Interpretação do teste
- O sinal é considerado positivo quando o paciente continua batendo palmas além das três vezes solicitadas
- Representa uma forma de "impulsividade de parada" (stopping impulsivity) 2
- É altamente específico para diferenciar pacientes com distúrbios parkinsonianos de indivíduos normais 1
Variações do teste
O teste das três palmas (TCT - Three Clap Test) pode elicitar outros sinais além do sinal do aplauso clássico 2:
- Sinal de não-aplauso: quando o paciente não consegue iniciar o movimento de bater palmas
- Sinal de "jumping the gun": quando o paciente começa a bater palmas antes mesmo da instrução completa
Origem Anatômica
O sinal do aplauso está associado a disfunções em estruturas específicas do cérebro:
- Núcleos da base: particularmente o globo pálido e o núcleo subtalâmico 3
- Estas estruturas desempenham papel crucial na inibição de respostas motoras
- Estudos de volumetria por ressonância magnética mostram correlação inversa entre o volume do diencéfalo ventral e do pálido com a presença do sinal do aplauso 3
- Pacientes que apresentam o sinal têm volumes significativamente menores dessas estruturas
Principais Causas e Correlações Clínicas
Doenças associadas ao sinal do aplauso
- Paralisia Supranuclear Progressiva (PSP): prevalência de 40% 3
- Síndrome Corticobasal (CBS): prevalência de 29,5% 3
- Esclerose Lateral Amiotrófica com Demência Frontotemporal (ELA/DFT): prevalência de 25% 3
- Afasia Progressiva Primária (PPA): prevalência de 13,3% 3
- Variante Comportamental da Demência Frontotemporal (bvFTD): prevalência de 9% 3
- Doença de Parkinson avançada: prevalência de 20,5% em residentes de casas de repouso 4
Correlações com déficits cognitivos
- Pacientes com doença de Parkinson avançada que apresentam o sinal do aplauso têm pontuações significativamente mais baixas no MMSE (25,1 vs 22,9 pontos) e no Scopa-cog (14,8 vs 12,0 pontos) 4
- Correlaciona-se fortemente com medidas de função executiva, visuoespacial e de linguagem 3
- Indica maior comprometimento do lobo frontal e maior gravidade da doença 4, 3
Valor Diagnóstico
- Especificidade: 100% para distinguir pacientes com distúrbios parkinsonianos de indivíduos normais 1
- Sensibilidade: mais alta em pacientes com degeneração corticobasal 1
- Valor preditivo: embora sugestivo de PSP, deve ser interpretado com cautela e no contexto clínico completo 3
O sinal do aplauso representa uma ferramenta semiológica valiosa e simples de ser aplicada na prática clínica, auxiliando na identificação de disfunções dos núcleos da base e do lobo frontal, particularmente em distúrbios parkinsonianos e demências frontotemporais.