Uso da Gabapentina no Tratamento de Dor Crônica Neuropática
A gabapentina é recomendada como tratamento farmacológico oral de primeira linha para dor neuropática crônica, com evidência moderada de eficácia e perfil de segurança aceitável. 1
Eficácia na Dor Neuropática
A gabapentina demonstra eficácia significativa no tratamento de várias condições de dor neuropática:
- Neuralgia pós-herpética: 32% dos pacientes alcançam alívio substancial da dor (pelo menos 50% de redução) comparado a 17% com placebo 2
- Neuropatia diabética dolorosa: 38% dos pacientes alcançam alívio substancial da dor comparado a 21% com placebo 2
- Neuropatia associada ao HIV: Um pequeno estudo randomizado duplo-cego mostrou melhora nas medidas de dor na escala visual analógica e nos escores medianos de sono 1
- Dor neuropática em lesão medular: Demonstrou redução na intensidade e frequência da dor, melhorando a qualidade de vida 3
Dosagem e Administração
- Dose inicial: Começar com 300 mg/dia e titular gradualmente
- Dose alvo: 1800-3600 mg/dia divididos em 3 doses (TID) 4
- Titulação recomendada: Aumentar em incrementos de 600-1200 mg/dia a cada 3-7 dias até atingir a dose alvo 4
- Ajuste para função renal: Necessário em pacientes com comprometimento renal 5
| Clearance de Creatinina (mL/min) | Dose Diária Total (mg/dia) | Regime de Dose |
|---|---|---|
| ≥60 | 900-3600 | 300-1200 mg TID |
| 30-59 | 400-1400 | 200-700 mg BID |
| 15-29 | 200-700 | 200-700 mg QD |
| ≤15 | 100-300 | 100-300 mg QD |
Efeitos Adversos Comuns
- Sonolência: Relatada em 80% dos pacientes em estudos clínicos 1
- Tontura: Ocorre em aproximadamente 19% dos pacientes 2
- Edema periférico: Afeta cerca de 7% dos pacientes, sendo mais comum com doses mais altas 5, 2
- Distúrbios de marcha: Relatados em 14% dos pacientes 2
Considerações Importantes
Não interromper abruptamente: A descontinuação súbita pode causar problemas graves, incluindo convulsões em pacientes com epilepsia 4
Monitoramento para ideação suicida: Como outros antiepilépticos, a gabapentina pode causar pensamentos suicidas em uma pequena proporção de pacientes (aproximadamente 1 em 500) 4
Interações medicamentosas: Usar com cautela quando combinada com depressores do SNC, como medicamentos para ansiedade ou insônia 4
Populações especiais:
- Idosos: Monitorar cuidadosamente devido ao maior risco de eventos adversos
- Pacientes com doença cardiovascular: Maior risco de eventos cardíacos adversos
- Pacientes com histórico de abuso de substâncias: Monitorar de perto devido aos efeitos sedativos 5
Alternativas Terapêuticas
Se os pacientes tiverem resposta inadequada à gabapentina, considere:
- Inibidores da recaptação de serotonina e norepinefrina (IRSN) como duloxetina 1, 5
- Antidepressivos tricíclicos 1
- Pregabalina para neuralgia pós-herpética 1
- Capsaicina tópica: Uma única aplicação de 30 minutos de patch ou creme a 8% pode proporcionar alívio da dor por pelo menos 12 semanas 1
- Ácido alfa-lipoico (ALA) para dor neuropática periférica associada ao HIV 1
Abordagem Não Farmacológica
- Terapia cognitivo-comportamental (TCC): Fortemente recomendada como tratamento de primeira linha para manejo da dor crônica 5
- Fisioterapia: Recomendada para manejo da dor crônica, com foco no fortalecimento central 5
Conclusão
A gabapentina é uma opção eficaz de primeira linha para o tratamento da dor neuropática crônica, particularmente em condições como neuralgia pós-herpética e neuropatia diabética dolorosa. A titulação adequada da dose e o monitoramento dos efeitos adversos são essenciais para otimizar o tratamento. Para pacientes que não respondem adequadamente à gabapentina, existem várias alternativas terapêuticas disponíveis, incluindo outros medicamentos e abordagens não farmacológicas.