Manejo de Paciente com Hemorragia na Fossa Posterior e Dano Neurológico Irreversível em ECMO
O manejo conservador é a abordagem mais apropriada para esta paciente com hemorragia substancial na fossa posterior, compressão do tronco cerebral e dano neurológico irreversível, conforme já decidido pela equipe de neurocirurgia.
Entendimento do Caso
Esta é uma paciente jovem, previamente saudável, que desenvolveu:
- Cardiomiopatia de Takotsubo (cardiomiopatia adrenérgica) com choque cardiogênico
- Necessidade de suporte com ECMO VA (veno-arterial)
- Hemorragia substancial na fossa posterior com compressão do tronco cerebral
- Evolução para coma profundo, anisocoria e ausência de reflexos de tronco
- Protocolo de morte encefálica em andamento
Avaliação da Hemorragia na Fossa Posterior
A hemorragia na fossa posterior é particularmente grave devido:
- Espaço anatômico limitado da fossa posterior
- Proximidade com estruturas vitais (tronco cerebral)
- Rápida deterioração neurológica quando há compressão do tronco 1
- Menor volume de sangramento necessário para causar danos graves comparado à região supratentorial 2
Justificativa para Abordagem Conservadora
Dano neurológico irreversível:
- Midríase paralítica
- Ausência de reflexos de tronco
- Protocolo de morte encefálica em andamento
Evidência científica:
- Embora as diretrizes da American Heart Association/American Stroke Association recomendem evacuação cirúrgica para hemorragias cerebelares ≥15 mL ou com compressão do tronco cerebral 1, esta recomendação aplica-se principalmente a pacientes com potencial de recuperação
Complicações do ECMO:
- Paciente em ECMO VA com necessidade de anticoagulação
- Alto risco de sangramento pós-operatório 1
- Contraindicação relativa para intervenções neurocirúrgicas
Avaliação neurocirúrgica:
- A equipe de neurocirurgia já avaliou o caso e determinou que não há benefícios com abordagem cirúrgica agressiva
Manejo Atual
Continuidade do protocolo de morte encefálica:
- Repetir Doppler transcraniano (DTC)
- Realizar eletroencefalograma (EEG)
Manejo da ECMO:
- Manter suporte circulatório conforme necessário
- Monitorar cuidadosamente a anticoagulação
Suporte à família:
- Manter comunicação clara e compassiva com os familiares
- Continuar o acolhimento já iniciado
Pontos Importantes
- A hemorragia na fossa posterior com compressão do tronco cerebral tem prognóstico extremamente reservado 3
- Mesmo pequenos volumes de sangramento nesta região podem ser fatais devido ao espaço limitado 2
- A intervenção neurocirúrgica seria considerada em pacientes com potencial de recuperação, mas não quando há evidência de dano irreversível ao tronco cerebral 1
Armadilhas a Evitar
- Insistir em intervenção neurocirúrgica quando há dano neurológico irreversível
- Suspender anticoagulação em paciente com ECMO VA (alto risco de trombose do circuito)
- Tomar decisões sem envolvimento multidisciplinar (neurologia, cardiologia, terapia intensiva)
Este caso ilustra a complexidade do manejo de complicações neurológicas graves em pacientes em ECMO, onde a abordagem conservadora pode ser a mais apropriada quando há evidência de dano neurológico irreversível.