Colangiorresonância é a escolha preferencial para pacientes com colecistolitíase que apresentam acolia, colúria e icterícia
A colangiorresonância magnética (MRCP) deve ser o exame de escolha para pacientes com colecistolitíase que apresentam acolia, colúria e icterícia, pois estes sintomas sugerem obstrução biliar que requer avaliação detalhada das vias biliares. 1, 2
Justificativa para escolha da colangiorresonância
Quadro clínico sugestivo de obstrução biliar
- A tríade de acolia (fezes esbranquiçadas), colúria (urina escura) e icterícia são sinais clássicos de obstrução biliar, indicando provável coledocolitíase ou outra obstrução das vias biliares
- Estes sintomas sugerem que o problema não está limitado à vesícula biliar, mas envolve as vias biliares, necessitando avaliação detalhada do sistema biliar
Vantagens da colangiorresonância
Avaliação não invasiva e completa das vias biliares:
Superioridade na detecção de obstruções biliares:
Sem exposição à radiação ionizante:
- Seguro para pacientes que necessitam de avaliação detalhada
- Não requer uso de contraste iodado
Por que não a colangiografia intraoperatória?
A colangiografia intraoperatória (CIO) apresenta limitações importantes neste cenário:
Timing inadequado:
- A CIO é realizada apenas durante a cirurgia, quando o paciente já está em procedimento cirúrgico
- Pacientes com icterícia, acolia e colúria necessitam diagnóstico pré-operatório para planejamento adequado do tratamento 2
Limitações técnicas e operacionais:
Abordagem sequencial recomendada pelas diretrizes:
Algoritmo de avaliação recomendado
Para pacientes com colecistolitíase apresentando acolia, colúria e icterícia:
Ultrassonografia abdominal inicial:
- Primeira linha para avaliação de doença biliar
- Avalia presença de cálculos na vesícula e dilatação de vias biliares
- Limitada para visualização completa das vias biliares
Se ultrassonografia inconclusiva ou suspeita de obstrução persistir:
- Prosseguir para TC abdominal com contraste IV 1
Se TC e ultrassonografia forem inconclusivas:
- Realizar colangiorresonância (MRCP) 1
- Superior para avaliação detalhada das vias biliares e identificação precisa da causa da obstrução
Cirurgia com possível colangiografia intraoperatória:
- A CIO pode ser considerada durante a cirurgia se houver dúvidas residuais após os exames pré-operatórios
- Não substitui a avaliação pré-operatória adequada com MRCP
Considerações importantes
- A presença de icterícia, acolia e colúria em paciente com colecistolitíase sugere fortemente coledocolitíase ou outra obstrução biliar, exigindo avaliação completa das vias biliares antes da intervenção cirúrgica
- A MRCP tem excelente desempenho na detecção de anormalidades hepatobiliares não caracterizadas pela ultrassonografia 1
- A colangiografia intraoperatória pode complementar, mas não deve substituir a avaliação pré-operatória adequada com MRCP em pacientes com sinais de obstrução biliar
Em conclusão, a colangiorresonância é superior à colangiografia intraoperatória para avaliação inicial de pacientes com colecistolitíase que apresentam sinais de obstrução biliar (acolia, colúria e icterícia), permitindo diagnóstico preciso e planejamento adequado do tratamento antes da intervenção cirúrgica.