Terapia Adyuvante para Adenocarcinoma Pulmonar EGFR+ Estadio IIb
O osimertinib deve ser administrado como terapia adjuvante após quimioterapia adjuvante baseada em platina para este paciente com adenocarcinoma pulmonar estadio IIb com deleção no exon 19 do EGFR e margem hilar comprometida.
Análise do Caso
- Paciente masculino de 52 anos
- Adenocarcinoma pulmonar invasivo (pT1cN1, Estadio IIb)
- EGFR positivo com deleção no exon 19 (mutação ativadora)
- Margem hilar comprometida por tumor
- Linfonodos hilares comprometidos por contiguidade (4/6)
Abordagem Terapêutica Recomendada
1. Quimioterapia Adjuvante
- A quimioterapia adjuvante baseada em platina é fortemente recomendada para pacientes com CPNPC estadio IIb ressecado com EGFR mutado 1
- Deve ser administrada antes da terapia com inibidor de tirosina quinase (TKI)
2. Terapia Adjuvante com Osimertinib
- Após a quimioterapia adjuvante, o osimertinib 80mg/dia por 3 anos está indicado 1, 2
- O estudo ADAURA demonstrou que o osimertinib reduziu o risco de recorrência ou morte em 83% em pacientes de alto risco (estadios II-IIIA) comparado com placebo (HR 0,17; IC 99,06% 0,11-0,26; p<0,001) 1, 2
- Aos 24 meses, 90% dos pacientes tratados com osimertinib permaneceram vivos e livres de doença, comparado a 44% no grupo placebo 1
3. Considerações sobre a Margem Comprometida
- Para pacientes com margens patológicas positivas (R1/R2), como este caso com margem hilar comprometida, o uso de osimertinib adjuvante é especialmente indicado devido ao alto risco de recidiva 1
- Avaliação multidisciplinar para tratamento local pós-ressecção (re-ressecção versus radioterapia) é altamente indicada 1
Justificativa da Recomendação
Eficácia Superior em Deleções do Exon 19
- Pacientes com deleção no exon 19 do EGFR (como este caso) tendem a apresentar melhor resposta ao tratamento com TKIs do que aqueles com mutação L858R no exon 21 3
- A deleção do exon 19 é um preditor de melhor sobrevida quando tratada com TKIs 3
Importância da Terapia Adjuvante no Contexto de Margens Comprometidas
- A presença de margem hilar comprometida aumenta significativamente o risco de recorrência
- O osimertinib adjuvante demonstrou benefício particular em pacientes com características de alto risco 1
- A FDA aprovou o osimertinib como primeiro tratamento adjuvante para pacientes com CPNPC estadios IB-IIIA com ressecção tumoral completa que apresentam mutações no EGFR 1, 2
Sequência de Tratamento
- Quimioterapia adjuvante baseada em platina (4 ciclos)
- Osimertinib 80mg/dia por 3 anos
- Considerar radioterapia local devido à margem hilar comprometida
Pontos de Atenção e Monitoramento
- Toxicidade do osimertinib: Monitorar para doença pulmonar intersticial, prolongamento do intervalo QT e alterações cardíacas 1, 2
- Acompanhamento por imagem: Realizar TC de tórax e abdome a cada 3-6 meses nos primeiros 2 anos
- Monitoramento da função hepática: Importante devido às alterações hepáticas já presentes (TGO 60 U/L e TGP 84 U/L)
- Função renal: Monitorar a função renal, considerando a leve redução da TFG (73 mL/min/1,73m²)
Considerações Adicionais
- A presença de invasão vascular/linfática e perineural são fatores de mau prognóstico que reforçam a necessidade de terapia adjuvante agressiva
- A deleção no exon 19 do EGFR é um biomarcador favorável para resposta ao osimertinib
- Em caso de recorrência após completar o tratamento adjuvante com osimertinib, considerar reintrodução do osimertinib 1
- Se a recorrência ocorrer durante o uso de osimertinib adjuvante, recomenda-se interromper o osimertinib e realizar nova biópsia para guiar o próximo tratamento 1
O tratamento adjuvante com osimertinib após quimioterapia representa a melhor oportunidade para reduzir significativamente o risco de recorrência neste paciente com adenocarcinoma pulmonar EGFR+ estadio IIb com margem hilar comprometida.