Indicação de Gastrostomia Profilática em Pacientes com Tumor de Amídala Submetidos à Radioterapia de Cabeça e Pescoço
A gastrostomia profilática deve ser fortemente considerada em pacientes de alto risco com tumor de amídala que serão submetidos à radioterapia de cabeça e pescoço, especialmente aqueles com fatores de risco como sítio tumoral T4, sexo feminino, quimiorradioterapia concomitante, disfagia prévia ou perda de peso significativa antes do tratamento. 1
Fundamentação da Recomendação
A radioterapia de cabeça e pescoço, especialmente para tumores da região orofaríngea como a amídala, frequentemente causa mucosite grave, disfagia e comprometimento nutricional significativo. Estes efeitos adversos podem levar a:
- Perda de peso acentuada (até 80% dos pacientes)
- Desidratação
- Diminuição do desempenho físico
- Redução da tolerância ao tratamento
- Aumento das interrupções do tratamento oncológico
Fatores de Risco para Desnutrição Grave
Os seguintes fatores indicam maior necessidade de gastrostomia profilática 1, 2:
- Tumor primário T4
- Sexo feminino
- Tratamento com quimiorradioterapia concomitante
- Perda de peso >10% antes do tratamento
- Disfagia prévia ao tratamento
- Desidratação contínua
- Comorbidades significativas
- Aspiração grave
- Tumores de nasofaringe ou hipofaringe
Benefícios da Gastrostomia Profilática
Estudos observacionais mostram que a nutrição enteral profilática (em comparação com a colocação reativa de sonda após desenvolvimento de disfagia) proporciona 1, 3:
- Manutenção do estado nutricional
- Menor perda de peso relativa
- Menor incidência de reinternações hospitalares
- Menor frequência e duração de interrupções do tratamento
- Menor incidência de desnutrição grave
- Melhor estado geral de saúde
Tipos de Gastrostomia e Considerações
PEG vs. Sonda Nasogástrica
A gastrostomia endoscópica percutânea (PEG) comparada à sonda nasogástrica apresenta 1:
- Menor risco de deslocamento da sonda
- Possivelmente melhor qualidade de vida
- Maior aceitação pelos pacientes
- Menor risco de peritonite e mortalidade (comparada à gastrostomia radiológica)
No entanto, a PEG está associada a:
- Maior incidência de disfagia a longo prazo
- Maior dependência prolongada da sonda
- Possíveis complicações como infecção e pneumonia aspirativa
Algoritmo de Decisão para Gastrostomia Profilática
Avaliação de risco nutricional pré-tratamento:
- Verificar perda de peso recente (>10% do peso ideal)
- Avaliar presença de disfagia ou odinofagia
- Determinar estágio do tumor e localização precisa
- Verificar modalidade de tratamento planejada (radioterapia isolada vs. quimiorradioterapia)
Indicar gastrostomia profilática se:
- Tumor T4 ou estágio avançado
- Planejamento de quimiorradioterapia concomitante
- Perda de peso >10% antes do tratamento
- Disfagia prévia significativa
- Desidratação contínua
- Comorbidades significativas
- Aspiração grave
Monitorar rigorosamente sem gastrostomia profilática se:
- Ausência dos fatores de risco acima
- Bom estado nutricional inicial
- Ausência de obstrução significativa das vias aéreas
- Ausência de disfagia grave
Considerações Importantes
Manutenção da função de deglutição: Independentemente da colocação de gastrostomia, é fundamental realizar avaliação da deglutição e prescrever exercícios supervisionados para manter a função de deglutição durante o tratamento 1
Complicações potenciais: As taxas de complicação da PEG profilática são relativamente baixas (4,9-9,3%), mas incluem infecção, pneumonia aspirativa e impacto na qualidade de vida 1, 3
Dependência da sonda: Existe risco de dependência prolongada da sonda de gastrostomia, especialmente em casos de doença avançada, fracionamento alterado da radioterapia e quimiorradioterapia concomitante 1
A decisão sobre a colocação de gastrostomia profilática deve ser tomada por uma equipe multidisciplinar, considerando os fatores de risco individuais do paciente e o protocolo de tratamento planejado, sempre priorizando a manutenção do estado nutricional e a continuidade do tratamento oncológico.