Radioterapia em Paciente com Câncer de Próstata Metastático
A radioterapia da próstata não é recomendada como tratamento padrão para pacientes com câncer de próstata metastático, como este caso com adenocarcinoma Gleason 7 (4+3), PSA 12, e múltiplas metástases em linfonodos retroperitoneais, fossa supraclavicular e bacia óssea.
Fundamentos da Decisão
O tratamento de primeira linha para câncer de próstata metastático deve ser a terapia de privação androgênica (ADT), conforme recomendado pelas diretrizes da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO):
- Para doença metastática, a supressão androgênica usando orquiectomia bilateral ou um agonista LHRH deve ser o tratamento de primeira linha [I, A] 1
- Antiandrogênico de curta duração deve ser usado para prevenir exacerbação da doença ao iniciar um agonista LHRH 1
Evidências Contra Radioterapia Prostática no Cenário Metastático
As diretrizes não recomendam radioterapia da próstata como tratamento padrão para doença metastática. A ESMO especifica que:
- A terapia hormonal (supressão androgênica) é o tratamento padrão para doença metastática 1
- A radioterapia externa é indicada para metástases ósseas dolorosas, não para o tumor primário em doença metastática 1
Abordagem Terapêutica Recomendada
1. Terapia de Privação Androgênica (ADT)
- Iniciar agonista LHRH ou considerar orquiectomia bilateral 1
- Adicionar antiandrogênico de curta duração para prevenir exacerbação inicial 1
2. Intensificação do Tratamento
- Considerar a adição de inibidores da via do receptor de andrógenos (como darolutamida ou abiraterona) à ADT, que demonstraram melhorar a sobrevida 2
- Em pacientes com doença mais extensa, quimioterapia (docetaxel) pode ser considerada 2
3. Tratamento Paliativo
- Radioterapia externa deve ser oferecida para metástases ósseas dolorosas (1 × 8 Gy tem eficácia equivalente a esquemas multifração) [II, A] 1
- Terapia com radioisótopos pode ser considerada para metástases ósseas dolorosas 1
Pontos Importantes a Considerar
- Prognóstico: Pacientes com metástases distantes têm taxa de sobrevida em 5 anos de aproximadamente 37% 2
- Monitoramento: Acompanhamento regular com PSA e avaliação de sintomas é essencial para ajustar o tratamento conforme necessário
- Cuidados Paliativos: Pacientes com doença refratária à castração devem ser gerenciados em colaboração com serviços de cuidados paliativos 1
Armadilhas e Advertências
- Não atrasar o início da ADT: Em pacientes sintomáticos ou com doença extensa, a ADT não deve ser postergada 1
- Evitar tratamento local isolado: Tratar apenas a próstata em doença metastática não oferece benefício de sobrevida comprovado e pode atrasar o tratamento sistêmico necessário
- Não confundir com doença oligometastática: Embora existam estudos emergentes sobre tratamento local em doença oligometastática, este paciente apresenta múltiplos focos metastáticos, não se enquadrando nesse cenário 3
- Atenção aos efeitos colaterais da ADT: Monitorar e manejar adequadamente os efeitos da privação hormonal (perda de massa óssea, alterações metabólicas, etc.)
A abordagem terapêutica deve focar no controle sistêmico da doença através da ADT, possivelmente intensificada com terapias adicionais, e não na radioterapia local da próstata, que não demonstrou benefício neste cenário clínico.