Incidência de Depressão Após Cirurgia Cardíaca
A incidência de depressão após cirurgia cardíaca é de aproximadamente 9% em pacientes que não apresentavam depressão antes da cirurgia, com uma prevalência total de 33% um ano após o procedimento. 1
Epidemiologia da Depressão Pós-Cirurgia Cardíaca
A depressão após cirurgia cardíaca é um problema significativo que afeta tanto a recuperação quanto o prognóstico dos pacientes. De acordo com as diretrizes da American Heart Association:
- A prevalência de depressão pode chegar a 33% dos pacientes um ano após a cirurgia de revascularização miocárdica (CABG) 1
- Apenas 9% dos pacientes sem depressão prévia desenvolvem depressão após a cirurgia 1
- Aproximadamente metade dos pacientes que apresentavam depressão antes da cirurgia não apresentam mais o quadro após o procedimento 1
Fatores de Risco para Depressão Pós-Cirurgia Cardíaca
Vários fatores de risco foram identificados para o desenvolvimento de depressão após cirurgia cardíaca:
- Sexo feminino (odds ratio: 5,15) 2
- Idade superior a 70 anos (odds ratio: 4,67) 2
- Cirurgia de emergência (odds ratio: 4,46) 2
- Depressão pré-operatória - principal preditor de depressão pós-operatória 1, 3
- Fração de ejeção ventricular esquerda reduzida (30-49%: OR 1,81; <30%: OR 2,81) 3
- Inatividade física (OR 2,03) 3
- Internação hospitalar prolongada (>7 dias: OR 1,62) 3
Impacto da Depressão no Prognóstico Pós-Cirúrgico
A depressão após cirurgia cardíaca está associada a piores desfechos clínicos:
- Maior mortalidade hospitalar 2
- Internação hospitalar mais prolongada 2
- Aumento de eventos cardíacos adversos - pacientes com depressão têm risco 2,3 vezes maior de eventos cardíacos no primeiro ano após a cirurgia 4
- Maior recorrência de angina nos primeiros 5 anos pós-operatórios 1
- Maior risco de eventos cardíacos entre 6 e 36 meses após a cirurgia (13,6% vs. 3,0% em pacientes sem depressão) 5
- Depressão grave está associada a aumento do risco de morte (HR: 2,4) 1
- Depressão leve a moderada persistente aos 6 meses também aumenta o risco de morte (HR: 2) 1
Rastreamento e Intervenções Recomendadas
As diretrizes recomendam:
Rastreamento de depressão em colaboração com médico de atenção primária e especialista em saúde mental (Classe IIa, Nível de Evidência B) 1
Terapia cognitivo-comportamental ou cuidado colaborativo para pacientes com depressão clínica após cirurgia de revascularização miocárdica (Classe IIa, Nível de Evidência B) 1
Reabilitação cardíaca para todos os pacientes após cirurgia de revascularização miocárdica (Classe I, Nível de Evidência A) 1
- A reabilitação cardíaca também ajuda a reduzir sintomas depressivos pós-operatórios 1
Benefícios das Intervenções para Depressão
Intervenções específicas para depressão após cirurgia cardíaca demonstraram benefícios significativos:
- Terapia cognitivo-comportamental melhora o controle percebido e diminui a interferência e gravidade da dor 6
- Cuidado colaborativo por telefone melhora a qualidade de vida, funcionamento físico e reduz sintomas depressivos 1
- Tratamento pré-operatório com escitalopram melhora a qualidade de vida e reduz dor pós-operatória 1
Considerações Importantes
- A depressão é um fator de risco mais importante para o sucesso da reabilitação cardíaca do que muitas outras variáveis cardíacas funcionais 1
- O rastreamento precoce e o tratamento da depressão podem melhorar significativamente os desfechos clínicos após a cirurgia cardíaca
- Pacientes com percepções mais fortes de controle sobre sua doença têm menor probabilidade de desenvolver depressão ou ansiedade após a cirurgia 1