Associação entre Febre e Raiva
Sim, existe uma clara associação entre febre e raiva, sendo a febre um sintoma comum durante a fase clínica da doença rábica, que é quase invariavelmente fatal sem intervenção precoce.
Manifestações Clínicas da Raiva
A raiva é uma zoonose viral causada por vírus do gênero Lyssavirus, família Rhabdoviridae, que afeta o sistema nervoso central. A doença apresenta um período de incubação variável, geralmente de 1-3 meses, mas pode variar de 2 semanas até 6 anos 1, 2.
Durante a fase clínica da doença, os pacientes frequentemente apresentam:
- Febre
- Dificuldade para engolir (disfagia)
- Parestesias (especialmente no local da mordida)
- Sintomas respiratórios (tosse, aperto no peito)
- Alterações neurológicas progressivas
Um caso documentado em Porto Rico em 2015 ilustra claramente esta associação, onde o paciente apresentou-se ao departamento de emergência com febre, dificuldade para engolir, parestesia nas mãos, tosse e aperto no peito após ter sido mordido por um mangosto 3.
Transmissão e Patogênese
A raiva é transmitida principalmente através de:
- Mordidas de animais raivosos (principal forma de transmissão)
- Contaminação de membranas mucosas ou feridas abertas com saliva infectada
- Em casos raros, exposição a grandes quantidades de vírus rábico aerossolizado 4
Após a exposição, o vírus se replica localmente e viaja através dos nervos periféricos até o sistema nervoso central, causando encefalite progressiva e fatal 2.
Prevenção e Manejo Pós-Exposição
O manejo pós-exposição é crucial e inclui:
- Limpeza imediata e completa da ferida com água e sabão e um agente virucida como solução de povidona-iodo 4
- Administração de imunoglobulina antirrábica (infiltrada no local da ferida)
- Vacinação antirrábica em esquema pós-exposição
É importante ressaltar que a administração da profilaxia pós-exposição é uma urgência médica, não uma emergência 4. O tratamento deve ser iniciado o mais rápido possível, independentemente do tempo decorrido desde a exposição, desde que os sinais clínicos da raiva não estejam presentes 4.
Considerações Especiais
- A raiva é quase invariavelmente fatal uma vez que os sintomas clínicos (incluindo febre) se desenvolvem 1, 2
- Mais de 99,9% das mortes humanas por raiva resultam de mordidas de cães raivosos 5
- A profilaxia pós-exposição adequada é praticamente 100% eficaz na prevenção da doença 5
Avaliação de Risco e Manejo de Animais
O manejo de animais que morderam humanos é essencial:
- Cães, gatos e furões saudáveis que morderam uma pessoa devem ser confinados e observados diariamente por 10 dias 4
- Animais selvagens que morderam pessoas devem ser sacrificados imediatamente e o cérebro enviado para teste de raiva 4
- Animais domésticos expostos a um animal raivoso e atualmente vacinados devem ser revacinados imediatamente e observados por 45 dias 4
Conclusão
A febre é um sintoma comum e importante na raiva clínica, geralmente acompanhada de outros sintomas neurológicos. Como a doença é quase sempre fatal uma vez que os sintomas clínicos se desenvolvem, a prevenção através da vacinação animal e a profilaxia pós-exposição adequada são as intervenções mais importantes para reduzir a mortalidade por raiva.