Manejo da Disfunção Sexual em Paciente com Depressão Tratado com Desvenlafaxina
A melhor estratégia para este paciente é trocar a desvenlafaxina por bupropiona, que tem o menor risco de disfunção sexual entre os antidepressivos e mantém a eficácia antidepressiva. 1
Avaliação da Situação Atual
O paciente de 31 anos apresenta remissão completa dos sintomas depressivos com desvenlafaxina 100 mg, mas sofre com diminuição da libido e dificuldades sexuais. Estes efeitos colaterais são comuns com inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSN) como a desvenlafaxina:
- A disfunção sexual é um dos efeitos adversos mais frequentes dos antidepressivos de segunda geração, afetando até 59,1% dos pacientes 2
- A desvenlafaxina pode causar disfunção sexual em homens, incluindo anorgasmia (até 8%), diminuição da libido (até 6%), ejaculação retardada (até 7%) e disfunção erétil (até 11%) 3
- Um estudo prospectivo mostrou que 75,6% dos pacientes que trocaram para desvenlafaxina ainda apresentavam algum grau de disfunção sexual 4
Opções de Manejo
1. Troca de Medicação
Primeira opção: Bupropiona
- A bupropiona tem taxas significativamente menores de eventos adversos sexuais em comparação com ISRSs e IRSNs 1, 5
- Estudos mostram que a bupropiona 150 mg duas vezes ao dia é eficaz para tratar a disfunção sexual induzida por antidepressivos 5
- A troca para bupropiona mantém a eficácia antidepressiva enquanto melhora a função sexual 1, 5
Outras opções de troca (em ordem de preferência):
- Mirtazapina: menor risco de disfunção sexual que os IRSNs 1, 6
- Agomelatina: baixo risco de disfunção sexual 6
- Moclobemida: incidência muito baixa (3,9%) de disfunção sexual 2
2. Adição de Medicação
Se a troca de medicação não for possível devido à excelente resposta à desvenlafaxina:
- Adicionar bupropiona (150 mg 2x/dia) como adjuvante pode melhorar a função sexual sem comprometer o efeito antidepressivo 5
- Inibidores da fosfodiesterase (sildenafil, tadalafil) podem ser considerados especificamente para disfunção erétil 5
3. Ajuste de Dose
- Reduzir a dose de desvenlafaxina para 50 mg pode diminuir os efeitos colaterais sexuais, mas pode comprometer a eficácia antidepressiva 3
- A taxa de descontinuação por eventos adversos é menor com 50 mg (4,1%) do que com 100 mg (8,7%) 3
4. Estratégias de Dosagem Situacional
- Considerar "férias medicamentosas" em dias específicos (pular doses antes da atividade sexual planejada)
- Esta estratégia tem evidências limitadas e pode comprometer a eficácia antidepressiva 1
Algoritmo de Decisão
Primeira linha: Trocar para bupropiona (iniciar com 150 mg/dia, aumentando para 150 mg 2x/dia após uma semana)
- Monitorar resposta antidepressiva e função sexual após 4 semanas
Se a troca não for possível ou desejável:
- Reduzir a dose de desvenlafaxina para 50 mg e avaliar se há melhora da função sexual sem perda do efeito antidepressivo
- Se não houver melhora, considerar adicionar bupropiona como adjuvante
Se as estratégias anteriores falharem:
- Considerar troca para mirtazapina ou agomelatina
- Para disfunção erétil específica, considerar adicionar inibidor da fosfodiesterase
Pontos de Atenção
- A disfunção sexual induzida por antidepressivos é frequentemente subnotificada e pode levar à não adesão ao tratamento 6
- A manutenção da função sexual é crucial para a qualidade de vida e adesão ao tratamento antidepressivo 7
- Ao trocar medicações, fazer a transição gradual para minimizar sintomas de descontinuação e recaída da depressão
- Monitorar regularmente tanto os sintomas depressivos quanto a função sexual durante qualquer mudança de tratamento