Sensibilidade do PCR para Febre Maculosa
A sensibilidade do PCR para diagnóstico de febre maculosa é limitada quando realizada em amostras de sangue total, variando entre 25-36%, porém apresenta maior sensibilidade (70%) quando realizada em biópsias de pele ou tecidos, especialmente de lesões cutâneas ou escaras de inoculação.
Sensibilidade do PCR por tipo de amostra
Amostras de sangue
- A sensibilidade do PCR em sangue total para detecção de Rickettsia do grupo da febre maculosa é baixa, aproximadamente 25% 1
- A baixa sensibilidade em amostras de sangue ocorre porque as riquétsias tipicamente circulam em número reduzido na corrente sanguínea, exceto em casos de doença avançada 2
- A replicação de Rickettsia em células endoteliais resulta em bacteremia muito baixa, o que limita a detecção por PCR em sangue 1
Amostras de tecido
- Biópsias de pele, especialmente de lesões cutâneas ou escaras de inoculação, são amostras mais adequadas para detecção de DNA de riquétsias do grupo da febre maculosa 2
- PCR em biópsias de pele apresenta sensibilidade de aproximadamente 70% e especificidade de 100% 2, 3
- A sensibilidade é maior em escaras de inoculação do que em lesões de rash cutâneo, devido à maior concentração de microrganismos nas escaras 2
Fatores que afetam a sensibilidade do PCR
- Tempo de coleta: A coleta precoce de amostras durante a fase aguda da doença aumenta a sensibilidade do PCR 2
- Uso prévio de antibióticos: O tratamento com doxiciclina diminui significativamente a sensibilidade do PCR, sendo recomendada a coleta de sangue antes do início da antibioticoterapia 2
- Tipo de PCR: PCR em tempo real (qPCR) oferece vantagens como maior velocidade, reprodutibilidade, capacidade quantitativa e menor risco de contaminação em comparação com PCR convencional 2
- Volume da amostra: O uso de volumes maiores de sangue (5 ml versus 1 ml) pode melhorar a sensibilidade do PCR para detecção de riquétsias 1, 4
Recomendações para diagnóstico laboratorial
- Para diagnóstico de febre maculosa, o PCR em biópsias de pele é mais útil do que em amostras de sangue 2
- Técnicas de PCR multiplex podem detectar e diferenciar espécies de Rickettsia como R. rickettsii, R. parkeri e R. akari em amostras de tecido, mesmo em tecidos fixados em formalina e embebidos em parafina 3
- O PCR deve ser usado em conjunto com outros métodos diagnósticos, como sorologia (IFA) e imunohistoquímica, para aumentar a sensibilidade diagnóstica 2
Limitações e cuidados na interpretação
- Um resultado negativo de PCR não exclui o diagnóstico de febre maculosa, especialmente se a amostra foi coletada após início de antibioticoterapia 2
- A especificidade do PCR para febre maculosa é alta (98-100%), o que significa que resultados positivos são altamente confiáveis 1
- O PCR convencional não possui padrão específico, e a sensibilidade e especificidade diagnósticas podem variar entre diferentes ensaios 2
Em conclusão, embora o PCR seja uma ferramenta diagnóstica valiosa para febre maculosa, sua sensibilidade é limitada em amostras de sangue. Para maximizar a sensibilidade diagnóstica, recomenda-se a coleta de biópsias de lesões cutâneas ou escaras, preferencialmente antes do início da antibioticoterapia.