Quimioprofilaxia para Haemophilus influenzae: Não se deve aguardar a tipagem
Não se deve aguardar a tipagem para indicar quimioprofilaxia em casos de doença invasiva por Haemophilus influenzae tipo b (Hib), pois o atraso na profilaxia pode resultar em casos secundários evitáveis. 1
Indicações para quimioprofilaxia
A quimioprofilaxia com rifampicina é recomendada nas seguintes situações:
Para o paciente índice:
- Pacientes com menos de 2 anos tratados com antibióticos diferentes de cefotaxima ou ceftriaxona devem receber rifampicina antes da alta hospitalar 1, 2
- Pacientes tratados com cefotaxima ou ceftriaxona não necessitam de profilaxia, pois estes antibióticos erradicam a colonização por Hib 1, 2
Para contatos domiciliares:
- Todos os contatos domiciliares quando há crianças menores de 4 anos não completamente vacinadas na residência 1, 2
- Todos os contatos domiciliares quando há pessoas imunocomprometidas menores de 18 anos na residência, independentemente do status vacinal 1, 2
Para contatos em creches:
- Quimioprofilaxia é recomendada em ambientes de creche quando dois ou mais casos de doença invasiva por Hib ocorreram em um período de 60 dias e há crianças não imunizadas ou subimunizadas frequentando o local 1
- Quando indicada, a profilaxia deve ser prescrita para todos os frequentadores, independentemente da idade ou status vacinal, e para os cuidadores 1
Importante destacar:
- A rifampicina é o medicamento de escolha para quimioprofilaxia porque atinge altas concentrações nas secreções respiratórias e erradica a colonização nasofaríngea em mais de 95% dos portadores 1
- Casos secundários de doença por Hib são raros, mas podem ocorrer (geralmente dentro de 60 dias após o contato com um paciente)
- As taxas de ataque secundário são mais altas entre contatos domiciliares com menos de 48 meses (2,1%), especialmente aqueles com menos de 12 meses (6%) e menos de 24 meses (3%) 1
Considerações sobre a tipagem:
- A quimioprofilaxia NÃO é recomendada para contatos de pessoas com doença invasiva causada por H. influenzae não tipo b, pois casos de transmissão secundária não foram documentados 1, 2
- Estudos mostram que a disseminação clonal de cepas invasivas (sorotipo b) de H. influenzae pode ser acompanhada por alta taxa de portadores de cepas não associadas à doença 3
- A implementação da vacina conjugada contra Hib reduziu significativamente a incidência de infecções graves causadas por cepas Hib, mas outras cepas não tipáveis de H. influenzae (NTHi) emergiram como cepas epidêmicas em todo o mundo 4
Armadilhas e cuidados:
- Não aguardar a tipagem para iniciar a quimioprofilaxia quando há indicação clara (contatos domiciliares de caso confirmado de Hib com crianças menores de 4 anos não completamente vacinadas ou pessoas imunocomprometidas)
- Não administrar quimioprofilaxia para contatos de casos de H. influenzae não tipo b
- Não esquecer que o tratamento com cefotaxima ou ceftriaxona elimina a necessidade de profilaxia adicional com rifampicina para o paciente índice
A implementação rápida e adequada da quimioprofilaxia é essencial para prevenir casos secundários de doença invasiva por Hib, especialmente em populações vulneráveis.