Clorpromazina endovenosa ou intramuscular: composição e intercambialidade
A clorpromazina para uso intramuscular (IM) não deve ser administrada por via endovenosa (EV) sem diluição apropriada, pois a formulação IM é mais concentrada e pode causar danos vasculares e hipotensão grave quando administrada diretamente na veia.
Diferenças entre as formulações
A clorpromazina está disponível em diferentes formulações para diferentes vias de administração, com características específicas:
- Formulação IM: Geralmente mais concentrada, projetada para liberação gradual do músculo para a circulação sanguínea 1
- Formulação EV: Deve ser diluída adequadamente (1 mg/mL, ou seja, 1 mL [25 mg] misturado com 24 mL de solução salina) e administrada lentamente a uma taxa de 1 mg por minuto 1
Recomendações para administração
Via Endovenosa (quando indicada)
- Sempre dilua para concentração de 1 mg/mL
- Administre lentamente (1 mg a cada 2 minutos)
- Não exceda 25 mg por dose
- Monitore pressão arterial continuamente
- Mantenha o paciente em posição deitada por pelo menos 30 minutos após a administração 1
Via Intramuscular
- Injete lentamente no quadrante superior externo do glúteo
- Mantenha o paciente deitado por pelo menos 30 minutos após a injeção
- Se ocorrer irritação, pode diluir a injeção com solução salina ou procaína 2% 1
Advertências importantes
- EVITE INJETAR CLORPROMAZINA NÃO DILUÍDA DIRETAMENTE NA VEIA
- A via EV é reservada apenas para casos específicos como soluços intratáveis, cirurgia e tétano 1
- A injeção subcutânea não é recomendada
- Devido à possibilidade de dermatite de contato, evite que a solução entre em contato com as mãos ou roupas 1
Indicações para uso parenteral
A clorpromazina parenteral (IM ou EV) é indicada em situações específicas:
- Transtornos psicóticos agudos
- Náuseas e vômitos graves
- Durante cirurgia
- Apreensão pré-cirúrgica
- Soluços intratáveis
- Porfiria intermitente aguda
- Tétano
- Agitação terminal em pacientes com câncer avançado 2
Considerações especiais
- Em pacientes com câncer terminal com agitação, a clorpromazina pode ser administrada por via EV (dose mediana de 12,5 mg a cada 4-12 horas) ou retal (dose mediana de 25 mg a cada 4-12 horas) com eficácia e segurança 2
- Em pacientes com delirium grave, a clorpromazina EV deve ser usada apenas em pacientes acamados devido ao seu efeito hipotensor 3
- Pacientes idosos são mais suscetíveis a hipotensão e reações neuromusculares, necessitando monitoramento cuidadoso e ajuste de dose 1
Pitfalls e cuidados
- A administração EV rápida pode precipitar convulsões e hipotensão grave
- A extravasão pode causar lesões graves na pele e tecidos moles
- A administração EV deve ser realizada preferencialmente através de cateter venoso central
- Tenha flumazenil disponível para reversão de depressão respiratória grave se benzodiazepínicos forem usados concomitantemente 4
- Monitore sinais vitais e saturação de oxigênio durante e após a administração
Em resumo, embora a clorpromazina possa ser administrada tanto por via IM quanto EV, as formulações têm concentrações diferentes e a administração EV requer diluição adequada e técnica específica para garantir a segurança do paciente.