Tratamento da Depressão em Pacientes Oncológicos
Abordagem Recomendada
O tratamento da depressão em pacientes oncológicos deve seguir um modelo de cuidado escalonado, com intervenções psicossociais como primeira linha e farmacoterapia como adjuvante para casos moderados a graves, conforme recomendado pelas diretrizes da ASCO e NCCN. 1
Avaliação e Triagem
- Todos os pacientes oncológicos devem ser avaliados para sintomas de depressão em momentos periódicos durante a trajetória do tratamento
- Utilizar instrumentos validados para avaliação dos sintomas depressivos
- Classificar a gravidade dos sintomas para determinar o caminho de tratamento adequado
Tratamento Escalonado Baseado na Gravidade dos Sintomas
Para Sintomas Leves de Depressão:
- Oferecer educação sobre depressão e ansiedade
- Intervenções psicossociais de apoio
- Atividade física estruturada
Para Sintomas Moderados de Depressão:
Primeira linha: 1
- Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)
- Ativação Comportamental
- Intervenções Baseadas em Mindfulness (MBIs)
- Atividade física estruturada
- Intervenções psicossociais com evidência empírica
Terapias integrativas recomendadas: 1
- Yoga (recomendação moderada para câncer de mama, fraca para outros tipos)
- Musicoterapia
- Técnicas de relaxamento
- Reflexologia
Para Sintomas Graves de Depressão:
Primeira linha: 1
- Terapia cognitiva
- Ativação comportamental
- TCC
- Intervenções baseadas em mindfulness
- Terapia interpessoal
Farmacoterapia: 1
- Inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRSs) como fluoxetina e paroxetina
- Agentes tricíclicos (desipramina, doxepina) como alternativa
Considerações Farmacológicas
- Os ISRSs são amplamente utilizados para sintomas de depressão e ansiedade em pacientes oncológicos 1
- Evidência para o uso de antidepressivos é inconsistente, com revisões sistemáticas recentes mostrando resultados conflitantes 2
- A farmacoterapia deve ser considerada quando:
- O paciente não tem acesso aos tratamentos de primeira linha
- Prefere tratamento farmacológico
- Respondeu bem à farmacoterapia anteriormente
- Não melhorou com intervenções psicológicas ou comportamentais
Terapias Complementares e Integrativas
- Yoga: Pode ser oferecida para melhorar sintomas depressivos durante e após o tratamento, especialmente em câncer de mama 1
- Intervenções baseadas em mindfulness: Recomendação forte para melhorar sintomas depressivos após o tratamento 1
- Tai chi/qigong: Pode ser oferecido para melhorar sintomas depressivos após o tratamento em câncer de mama 1
- Exercício físico: Pode melhorar os resultados de saúde mental em pacientes com câncer 1
- Escrita expressiva: Não deve ser oferecida para melhorar sintomas depressivos 1
Considerações Importantes
Envolvimento Familiar
- Terapias envolvendo familiares ou casais podem ser eficazes para reduzir depressão, ansiedade e melhorar a satisfação conjugal 1
- Intervenções telefônicas para pacientes com câncer de pulmão avançado e suas famílias demonstraram melhora na depressão e ansiedade 1
Monitoramento e Seguimento
- É comum que pacientes com sintomas de depressão não sigam as recomendações de tratamento
- Acompanhamento regular é essencial para garantir adesão e ajustar o tratamento conforme necessário
Armadilhas e Advertências
- Subdiagnóstico: Sintomas depressivos são frequentemente subestimados ou considerados reações normais ao diagnóstico de câncer
- Sobreposição de sintomas: Difícil distinguir entre sintomas físicos do câncer/tratamento e sintomas somáticos da depressão
- Descontinuação de medicamentos: A retirada de agentes farmacológicos deve ser gerenciada com cuidado, com redução gradual
- Interações medicamentosas: Considerar possíveis interações entre antidepressivos e quimioterápicos
Conclusão Clínica
A depressão em pacientes oncológicos é comum e impacta significativamente a qualidade de vida, adesão ao tratamento e potencialmente a sobrevida. Uma abordagem escalonada que combina intervenções psicossociais, terapias integrativas e farmacoterapia quando necessário oferece o melhor caminho para o manejo eficaz desses sintomas, priorizando sempre as intervenções menos intensivas e mais eficazes com base na gravidade dos sintomas.