Pacientes com Lúpus Podem Fazer Radioterapia?
Sim, pacientes com lúpus eritematoso sistêmico (LES) podem fazer radioterapia, mas com monitoramento cuidadoso e considerações especiais para evitar exacerbações da doença. A radioterapia não é contraindicada absoluta para pacientes com LES, embora exija uma avaliação individualizada dos riscos e benefícios 1.
Evidências sobre Radioterapia em Pacientes com LES
Segurança da Radioterapia
Um estudo com seis pacientes com lúpus (cinco com LES e um com lúpus discoide) tratados com doses moderadas a altas de radioterapia para câncer de mama, doença de Hodgkin e timoma não mostrou complicações graves agudas ou tardias na pele ou tecidos subcutâneos tratados, com seguimento de 7-121 meses 1.
Outra pesquisa identificou que 65% dos pacientes com lúpus e câncer poderiam ter recebido radioterapia curativa ou sintomática, mas apenas 10% a receberam. Nenhum dos pacientes que recebeu radioterapia desenvolveu toxicidade incomum 2.
Considerações Importantes
Fotossensibilidade e Radiação UV:
Monitoramento durante o tratamento:
- É essencial um acompanhamento rigoroso para detectar precocemente sinais de exacerbação da doença.
- A avaliação da atividade da doença deve ser realizada em cada consulta usando índices validados 4.
Medicações concomitantes:
Protocolo de Manejo para Pacientes com LES que Necessitam de Radioterapia
Antes da Radioterapia:
Avaliação da atividade da doença:
- Verificar se o LES está em remissão ou com baixa atividade.
- Realizar exames laboratoriais incluindo hemograma completo, anticorpos anti-dsDNA, níveis de complemento, testes de função renal e urinálise 4.
Otimização do tratamento do LES:
- Garantir que o paciente esteja em tratamento adequado com hidroxicloroquina 5.
- Considerar ajuste na dose de imunossupressores se necessário.
Durante a Radioterapia:
Monitoramento intensivo:
- Avaliar sinais e sintomas de atividade do LES regularmente.
- Monitorar possíveis reações cutâneas com maior atenção.
Proteção adicional:
- Utilizar medidas de proteção da pele nas áreas não tratadas.
- Manter hidratação adequada da pele.
Após a Radioterapia:
Seguimento regular:
- Acompanhamento mais frequente nos primeiros meses após o tratamento.
- Monitorar possíveis efeitos tardios da radiação.
Ajuste do tratamento do LES:
- Reavaliar a necessidade de ajustes na medicação imunossupressora.
Contraindicações Relativas
Embora o LES não seja uma contraindicação absoluta para radioterapia, deve-se ter cautela em pacientes com:
- Doença muito ativa não controlada
- Envolvimento pulmonar significativo
- Histórico de reações graves a radiação UV
- Uso concomitante de medicações fotossensibilizantes
Conclusão
A radioterapia pode ser oferecida com segurança a pacientes com LES que necessitam desse tratamento para condições malignas. O manejo adequado do LES antes, durante e após a radioterapia, com monitoramento cuidadoso e manutenção do tratamento com hidroxicloroquina, é essencial para minimizar o risco de exacerbações da doença e garantir um tratamento eficaz do câncer.