Tratamento Parenteral Ambulatorial para Pielonefrite Complicada
A indicação de antibioticoterapia parenteral ambulatorial é apropriada para este paciente diabético com doença renal crônica e pielonefrite complicada por Pseudomonas aeruginosa resistente, desde que haja acesso venoso estável, adesão do paciente, acompanhamentos clínico e laboratorial, além de suporte de uma equipe multiprofissional. 1
Avaliação do Caso
- Homem de 62 anos com diabetes e doença renal crônica estágio 3
- Pielonefrite complicada necessitando internação inicial
- Clinicamente estável após antibioticoterapia inicial com ceftriaxona
- Cultura com Pseudomonas aeruginosa resistente a quinolonas
- Sensibilidade apenas a piperacilina-tazobactam e meropenem
- Necessidade de tratamento endovenoso por 7-10 dias
Critérios para Antibioticoterapia Parenteral Ambulatorial
A terapia antibiótica parenteral ambulatorial (OPAT) é uma alternativa segura e eficaz para pacientes que estão clinicamente estáveis, mas requerem antibióticos parenterais. Para que seja bem-sucedida, são necessários 1:
- Acesso venoso estável
- Adesão do paciente ao tratamento
- Acompanhamento clínico e laboratorial regular
- Suporte de equipe multiprofissional
Regime de Tratamento Recomendado
Para este paciente com pielonefrite complicada por Pseudomonas aeruginosa resistente a quinolonas, as opções terapêuticas são:
Considerando a resistência do patógeno e a necessidade de cobertura adequada, o tratamento deve ser mantido por 7-10 dias, podendo ser estendido até 14 dias devido às comorbidades do paciente (diabetes e doença renal crônica) 2.
Monitoramento Durante OPAT
O paciente requer monitoramento regular que inclui:
- Avaliação da função renal (especialmente importante devido à DRC estágio 3)
- Monitoramento de marcadores inflamatórios (PCR, VHS)
- Avaliação clínica para garantir resposta ao tratamento
- Verificação do acesso venoso quanto a sinais de flebite ou infecção 1
Considerações Especiais para Pacientes com Comorbidades
Pacientes diabéticos com doença renal crônica requerem atenção especial:
- São mais vulneráveis a complicações de pielonefrite, incluindo abscessos renais
- Necessitam de monitoramento mais frequente da função renal
- Podem requerer ajuste de dose dos antibióticos conforme a função renal 1
Contraindicações para OPAT
A antibioticoterapia parenteral ambulatorial seria contraindicada nas seguintes situações:
- Instabilidade hemodinâmica
- Falta de acesso venoso adequado
- Impossibilidade de acompanhamento regular
- Ausência de suporte domiciliar ou de equipe multiprofissional
- Não adesão do paciente ao tratamento 1
Conclusão da Conduta
A opção C é a mais adequada para este paciente. Manter o paciente internado por todo o tratamento (opção D) seria desnecessário considerando sua estabilidade clínica. Encerrar o antibiótico prematuramente (opção A) ou trocar obrigatoriamente para via oral (opção B) seriam condutas inadequadas, pois o patógeno isolado requer tratamento parenteral completo para erradicação efetiva, conforme recomendado pelas diretrizes da Sociedade Europeia de Urologia e da Sociedade Americana de Doenças Infecciosas 2, 1.