Por que a mirtazapina termina em "pina" como a quetiapina se não é um antipsicótico?
A mirtazapina termina em "pina" apesar de não ser um antipsicótico porque a nomenclatura dos medicamentos segue regras de classificação química e farmacológica, não necessariamente sua classe terapêutica. 1
Classificação farmacológica da mirtazapina
- A mirtazapina é classificada como um antidepressante tetracíclico com mecanismo de ação único, atuando como antagonista dos receptores alfa-2 adrenérgicos pré-sinápticos e bloqueando receptores 5-HT2 e 5-HT3 1
- Diferentemente da quetiapina, que é um antipsicótico atípico (segunda geração) com ação antagonista de receptores dopaminérgicos D2 e serotoninérgicos 5-HT2A 1
Nomenclatura farmacêutica
- O sufixo "pina" não indica necessariamente que um medicamento seja um antipsicótico, mas reflete características estruturais químicas compartilhadas entre diferentes compostos 1
- Outros medicamentos com diferentes classes terapêuticas também compartilham sufixos semelhantes, como por exemplo:
Características clínicas da mirtazapina
- A mirtazapina é utilizada primariamente para tratamento da depressão, com doses terapêuticas entre 15-45mg/dia 1
- Apresenta efeitos sedativos pronunciados, especialmente em doses mais baixas (15mg), o que a torna útil para pacientes com insônia associada à depressão 1
- É metabolizada principalmente pelo citocromo P450, incluindo CYP2D6, CYP3A4 e CYP1A2 1
Diferenças farmacológicas entre mirtazapina e antipsicóticos
- Enquanto antipsicóticos como a quetiapina têm como alvo principal o bloqueio de receptores dopaminérgicos D2, a mirtazapina não apresenta afinidade significativa por esses receptores 1
- A mirtazapina não é indicada para tratamento de psicose, esquizofrenia ou transtorno bipolar como medicação primária, diferentemente dos medicamentos que terminam em "pina" e são antipsicóticos 1, 2
- Em estudos comparativos de segurança, a mirtazapina apresenta perfil de efeitos colaterais diferente dos antipsicóticos, com menor risco de sintomas extrapiramidais 1, 3
Usos clínicos comparados
- A mirtazapina é frequentemente prescrita para depressão, ansiedade e insônia 1
- Em contraste, a quetiapina é aprovada primariamente para esquizofrenia e transtorno bipolar, embora seja usada off-label para insônia em doses baixas 4, 3
- Ambos os medicamentos são por vezes utilizados em combinação no tratamento de transtornos psiquiátricos complexos 2, 5