Escolha entre Paroxetina e Escitalopram
O escitalopram é preferível à paroxetina devido ao seu perfil de efeitos colaterais mais favorável, menor risco de síndrome de descontinuação e menor potencial de interações medicamentosas.
Comparação de Eficácia
- Ambos os medicamentos são eficazes no tratamento da depressão e transtornos de ansiedade, porém estudos comparativos mostram que o escitalopram pode ser superior à paroxetina, especialmente em casos de depressão grave 1
- Em pacientes com depressão grave (MADRS ≥30), o escitalopram demonstrou superioridade em relação à paroxetina após 24 semanas de tratamento 1
- O escitalopram é classificado como um inibidor alostérico da recaptação de serotonina, o que pode explicar sua eficácia ligeiramente superior em comparação com ISRSs clássicos como a paroxetina 2
Perfil de Efeitos Colaterais
- A paroxetina está associada a mais efeitos anticolinérgicos e não é recomendada para idosos 3
- O escitalopram apresenta uma taxa mais baixa de descontinuação devido a eventos adversos (8%) em comparação com a paroxetina (16%) 1
- A paroxetina foi associada a um maior risco de pensamentos ou comportamentos suicidas em comparação com outros ISRSs 3
Síndrome de Descontinuação
- A paroxetina está fortemente associada à síndrome de descontinuação, caracterizada por tonturas, fadiga, letargia, mal-estar geral, mialgias, calafrios, dores de cabeça, náuseas, vômitos, diarreia, insônia, desequilíbrio, vertigem, distúrbios sensoriais, parestesias, ansiedade, irritabilidade e agitação 3
- Durante a redução gradual e interrupção do tratamento, pacientes no grupo da paroxetina demonstraram significativamente mais sintomas de descontinuação em relação ao escitalopram 4
- O escitalopram apresenta sintomas de descontinuação mais leves em comparação com a paroxetina 5
Interações Medicamentosas
- A paroxetina é um potente inibidor do CYP2D6, o que aumenta o potencial de interações medicamentosas 2
- O escitalopram tem o menor efeito nas isoenzimas CYP450 em comparação com outros ISRSs, resultando em menor propensão para interações medicamentosas 3
- A paroxetina pode interagir com medicamentos metabolizados pelo CYP2D6, enquanto o escitalopram tem efeitos negligenciáveis sobre as enzimas metabolizadoras de drogas do citocromo P450 in vitro 6
Considerações Especiais
Pacientes Idosos
- O escitalopram é considerado um agente preferido para pacientes idosos com depressão, enquanto a paroxetina deve geralmente ser evitada devido a taxas mais altas de efeitos adversos em idosos 3
Disfunção Sexual
- Ambos os medicamentos podem causar disfunção sexual, mas estudos mostram que os escores na Escala de Experiência Sexual do Arizona (ASEX) tendem a melhorar ao longo do tempo com o escitalopram 4
Dosagem e Administração
- Escitalopram: 10-20 mg/dia 3
- Paroxetina: 20-50 mg/dia 3
- Para ambos os medicamentos, é aconselhável começar com uma dose subterapêutica como "dose de teste" em casos de ansiedade, pois um efeito adverso inicial dos ISRSs pode ser ansiedade ou agitação 3
Algoritmo de Escolha
Preferir escitalopram se:
Considerar paroxetina apenas se:
- O paciente já respondeu bem a este medicamento anteriormente
- Há contraindicação específica ao escitalopram
Cuidados e Monitoramento
- Para ambos os medicamentos, monitorar o surgimento de eventos adversos, especialmente nas primeiras semanas de tratamento 3
- Atenção especial aos sinais de síndrome serotoninérgica quando combinados com outros medicamentos serotoninérgicos 3
- Descontinuar gradualmente ambos os medicamentos para evitar síndrome de descontinuação, com atenção especial à paroxetina 3