Avaliação do Risco de Aneurisma Cerebral em Pacientes com Doença Policística Renal e Hepática
Pacientes com doença policística renal e hepática devem ser avaliados quanto ao risco de aneurisma cerebral, especialmente aqueles com história familiar de aneurisma intracraniano, hemorragia subaracnóidea ou morte súbita inexplicada. 1
Risco de Aneurisma Cerebral na Doença Policística
- Pacientes com doença policística renal autossômica dominante (DRPAD) têm prevalência aumentada de aneurismas intracranianos, variando entre 6% e 11,5% naqueles sem história familiar de aneurisma 1
- O risco aumenta para 16% a 23% em pacientes com DRPAD que também têm história familiar de aneurisma intracraniano ou acidente vascular cerebral hemorrágico 1
- A ruptura de aneurisma intracraniano é uma complicação grave na DRPAD, com taxa de incidência de aproximadamente 2,0 por 1000 pacientes-ano 2
Indicações para Rastreamento
Recomendado:
- Pacientes com DRPAD e história pessoal de hemorragia subaracnóidea 1
- Pacientes com DRPAD e história familiar positiva de aneurisma intracraniano, hemorragia subaracnóidea ou morte súbita inexplicada 1
- Pacientes com expectativa de vida razoável e elegíveis para tratamento 1
Deve ser discutido:
- Pacientes com DRPAD de novo (sem história familiar conhecida) 1
- Pacientes com história familiar desconhecida ou pouco clara 1
- Pacientes com história pessoal ou familiar de fenótipo vascular extracerebral 1
- Mulheres com DRPAD antes da gravidez, quando o rastreamento é indicado pelos critérios acima 1
Situações específicas:
- Durante avaliação para transplante renal e/ou hepático 1
- Antes de cirurgias eletivas de grande porte 1
Método de Rastreamento
- Angiografia por ressonância magnética (ARM) sem contraste com técnica time-of-flight é o método preferencial de rastreamento 1
- Angiotomografia computadorizada (ATC) de alta resolução pode ser uma alternativa 1
- Ambos os métodos têm sensibilidade e especificidade >90% na avaliação de aneurismas 1
Seguimento após Rastreamento Negativo
- Em pacientes com alto risco de aneurisma intracraniano, o intervalo de reavaliação deve ser individualizado a cada 5-10 anos 1
- A decisão deve considerar fatores de risco, idade e expectativa de vida 1
Manejo de Aneurismas Identificados
- Quando um ou mais aneurismas são identificados, as opções de tratamento (manejo conservador, reparo microvascular ou endovascular) devem ser avaliadas em ambiente multidisciplinar 1
- O tratamento deve ser realizado em centros especializados com grande volume de casos de aneurismas intracranianos 1
Fatores de Risco Modificáveis
- O tabagismo é um forte fator modificável para desenvolvimento e ruptura de aneurisma intracraniano 1
- Hipertensão não controlada também é um fator de risco modificável importante 1
- Todos os pacientes com DRPAD devem ser aconselhados sobre cessação do tabagismo e controle adequado da pressão arterial 1
Considerações Adicionais
- Estudos de custo-efetividade sugerem que o rastreamento sistemático de aneurismas intracranianos pode ser benéfico para todos os pacientes com DRPAD, não apenas aqueles com fatores de risco familiares 2
- Pacientes devem ser educados para reconhecer sintomas de ruptura de aneurisma, como cefaleia em trovoada (início súbito de dor de cabeça intensa que atinge intensidade máxima em segundos a minutos) 1
- A presença de doença policística hepática isolada também foi associada a aneurismas cerebrais, com estudos de autópsia mostrando prevalência de aproximadamente 20% 3
Alertas e Cuidados
- A ruptura de aneurisma intracraniano pode ocorrer mesmo em pacientes sob vigilância 4
- Pacientes com DRPAD e ruptura de aneurisma têm maior risco de lesão renal aguda (22%) e desfechos neurológicos desfavoráveis (17%) 4
- Implicações potenciais da detecção de anormalidades vasculares intracranianas (como elegibilidade para seguro de vida) e ansiedade devem ser consideradas e discutidas com o paciente 1