Tratamento da Dengue
O tratamento da dengue é principalmente sintomático, pois não existe terapia antiviral específica aprovada, sendo o manejo adequado de fluidos o pilar fundamental do tratamento, especialmente em casos graves. 1, 2
Classificação e Avaliação Inicial
- A avaliação deve buscar sinais de alerta para dengue grave, incluindo hematócrito elevado com queda rápida da contagem de plaquetas, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, letargia ou inquietação e sangramento de mucosas 3, 1
- O monitoramento de sinais de choque, como taquicardia, hipotensão, tempo de enchimento capilar prolongado e alteração do estado mental, é crucial na avaliação inicial 3
- A doença caracteristicamente segue um curso trifásico (fase febril, fase crítica, fase de recuperação) 2
Manejo de Fluidos
- Para pacientes sem sinais de choque, recomenda-se hidratação oral como primeira linha de tratamento 3, 1
- Deve-se evitar o uso rotineiro de bolus de fluidos intravenosos em pacientes com "doença febril grave" que não estão em choque 3, 1
- Para crianças com síndrome do choque da dengue, recomenda-se administrar um bolus inicial de 20 mL/kg de solução cristaloide isotônica, com reavaliação cuidadosa do paciente posteriormente 3, 1
- Em casos graves de síndrome do choque da dengue, soluções coloides podem ser benéficas quando disponíveis 1, 4
- Para síndrome do choque da dengue moderada, soluções cristaloides são recomendadas como primeira linha 1
Monitoramento
- É essencial monitorar indicadores clínicos de perfusão tecidual adequada, incluindo tempo de enchimento capilar normal, ausência de manchas na pele, extremidades quentes e secas, pulsos periféricos bem palpáveis, retorno ao estado mental basal e débito urinário adequado 3, 1
- O hemograma completo diário é essencial, particularmente para acompanhar a contagem de plaquetas e os níveis de hematócrito em pacientes com risco de progressão para choque 1
- Deve-se estar vigilante durante a fase crítica (tipicamente dias 3-7 da doença) quando o extravasamento plasmático pode progredir rapidamente para choque 3, 1
Manejo de Complicações
- Para pacientes com hipoperfusão tecidual persistente apesar da ressuscitação adequada com fluidos, vasopressores como dopamina ou epinefrina podem ser necessários 3, 1
- A transfusão de sangue pode ser necessária em casos de sangramento significativo 3, 1
- A linfo-histiocitose hemofagocítica secundária é uma complicação potencialmente fatal da dengue que precisa ser reconhecida, pois o manejo específico com esteroides ou imunoglobulina intravenosa pode melhorar os resultados 5
Medicações e Tratamentos a Evitar
- Deve-se evitar aspirina e outros anti-inflamatórios não esteroides devido ao aumento do risco de sangramento 1, 6
- Não se recomenda a transfusão profilática de plaquetas 5
- Não há evidência suficiente para avaliar os efeitos dos corticosteroides no tratamento da dengue em estágio inicial e do choque relacionado à dengue 7
Armadilhas Comuns a Evitar
- Administrar bolus excessivos de fluidos em pacientes sem choque pode levar à sobrecarga de fluidos e complicações respiratórias 1
- Não reconhecer a fase crítica (tipicamente dias 3-7 da doença) quando o extravasamento plasmático pode progredir rapidamente para choque 1
- Usar aspirina ou AINEs, que podem piorar as tendências de sangramento 1, 6
- Atrasar a ressuscitação com fluidos em pacientes com síndrome do choque da dengue 1
- Monitoramento inadequado de pacientes durante a fase crítica da doença 1