Receptores, Citocinas e Papel dos Macrófagos na Imunidade Inata e Adaptativa
Os macrófagos são células efetoras do sistema imunológico que desempenham funções cruciais tanto na imunidade inata quanto na adaptativa, através de receptores específicos, liberação de citocinas e interações com outras células imunológicas.
Receptores dos Macrófagos
- Os macrófagos possuem diversos receptores de reconhecimento de padrões (PRRs) que detectam padrões moleculares associados a patógenos, sendo os receptores Toll-like (TLRs) os mais importantes para iniciar respostas imunes 1, 2
- Receptores scavenger, como o SR-A1, são altamente abundantes em macrófagos e reconhecem moléculas derivadas tanto do hospedeiro quanto de microrganismos, participando de processos inflamatórios e anti-inflamatórios 3
- Receptores NOD (como proteínas Nod) controlam a autofagia ao recrutar ATG16L1 para a membrana plasmática no local de entrada bacteriana, influenciando o manuseio bacteriano e a apresentação de antígenos 1
- Receptores para citocinas, como CCR-2 (receptor de MCP-1), são altamente expressos em macrófagos hepáticos durante processos inflamatórios 1
- Receptores de complemento que facilitam a fagocitose de antígenos marcados por fatores do sistema complemento 1, 2
Citocinas Produzidas pelos Macrófagos
Citocinas pró-inflamatórias:
- TNF-α: promove extravasamento de leucócitos, induz febre e promove vasodilatação 1
- IL-1α e IL-1β: iniciam respostas inflamatórias auto-perpetuantes; induzem febre e vasoconstrição/vasodilatação, respectivamente 1
- IL-6: induz secreção de proteínas de fase aguda, crescimento e maturação de células T e B 1
- IL-8: recruta neutrófilos para o local da infecção 1
- IL-12: promove diferenciação de células T naive em Th1; bloqueia angiogênese; ativa células T citotóxicas 1
Citocinas anti-inflamatórias:
Quimiocinas:
- MCP-1 (Proteína quimioatraente de monócitos-1): envolvida no tráfego de monócitos; recruta monócitos, macrófagos e células NK 1
Papel na Imunidade Inata
- Os macrófagos patrulham tecidos mucosos e capturam substâncias tanto de forma não específica quanto específica, atuando como primeira linha de defesa contra patógenos 2, 4
- Produzem espécies reativas de oxigênio (ROS), óxido nítrico (NO) e enzimas hidrolíticas para destruir patógenos invasores 1, 5
- Fagocitam bactérias, células mortas, detritos, células tumorais e materiais estranhos, promovendo a homeostase tecidual 6
- Diferenciam-se em macrófagos classicamente ativados (M1) após contato com LPS, TNF-α e IFN-γ, facilitando o aumento da produção de ROS necessária para erradicar efetivamente o invasor 1
- Secretam citocinas pró-inflamatórias que recrutam outras células imunes para o local da infecção 1, 2
Ponte entre Imunidade Inata e Adaptativa
- Os macrófagos atuam como células apresentadoras de antígenos, embora menos potentes que as células dendríticas, processando e apresentando antígenos para células T 2, 4
- Induzem a polarização de células T para o fenótipo Th1, estabelecendo uma resposta inflamatória de longo prazo que inclui imunidade adaptativa 1
- Transportam antígenos do intestino para os linfonodos mesentéricos, onde promovem a indução de células T reguladoras 1
- Secretam citocinas que direcionam as respostas imunes adaptativas, influenciando a diferenciação e função das células T 2
Papel na Imunidade Adaptativa
- Macrófagos intestinais modulam respostas de células T a antígenos luminais, secretando constitutivamente IL-10 e impulsionando a expansão de células T reguladoras (Treg) 1
- Durante a fase de resolução da inflamação, os macrófagos regulam negativamente a produção de mediadores inflamatórios e se diferenciam em macrófagos alternativamente ativados (M2) sob influência de TGF-β e IL-10 1
- Macrófagos M2 apresentam capacidade fagocítica aumentada, visando limpar o tecido de detritos celulares deixados pelo ataque neutrofílico anterior 1
- Participam na fase de remodelação, contribuindo para a maturação do tecido regenerado através da reorganização da matriz extracelular e da vasculatura 1
- Influenciam a tolerância oral, que depende principalmente de uma comunicação finamente ajustada entre imunidade inata (células apresentadoras de antígenos) e adaptativa (células T) 1
Heterogeneidade e Polarização dos Macrófagos
- Os macrófagos teciduais têm fenótipos heterogêneos em diferentes ambientes teciduais 6
- Polarização M1/M2:
Origem dos Macrófagos
- Os macrófagos se diferenciam de monócitos derivados de células-tronco hematopoiéticas e de macrófagos do saco vitelino embrionário 6
- Os macrófagos do saco vitelino embrionário dão origem principalmente aos macrófagos teciduais 6
- Os monócitos são recrutados para tecidos inflamados em resposta a MCP-1 e GM-CSF, onde se diferenciam em macrófagos 1
Implicações Clínicas
- Os macrófagos desempenham papel central na regulação de uma ampla variedade de processos, incluindo angiogênese, transformação da matriz extracelular, proliferação de células cancerígenas, metástase e imunossupressão 7
- A compreensão dos mecanismos moleculares e do crosstalk com outros receptores pode fornecer insights para o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas para modular respostas imunes e imunopatologias 3
- A polarização adequada dos macrófagos é crucial para o equilíbrio entre proteção do hospedeiro e lesão tecidual 6, 7