Aerobilia após CPRE: Expectativa e Implicações Clínicas
Sim, a aerobilia (ar na árvore biliar) é uma ocorrência esperada e comum após a realização de CPRE (Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica). A presença de ar no sistema biliar após este procedimento é considerada um achado normal e geralmente não representa uma complicação.
Causas da aerobilia pós-CPRE
- A CPRE envolve a manipulação da papila e do esfíncter de Oddi, o que permite a entrada de ar no sistema biliar durante o procedimento 1
- A esfincterotomia endoscópica, frequentemente realizada durante a CPRE, cria uma comunicação permanente entre o ducto biliar e o duodeno, facilitando a entrada de ar 2
- A colocação de stents biliares também pode resultar em aerobilia devido à criação de uma via de comunicação entre o trato biliar e o intestino 1
Fatores de risco para aerobilia persistente
- Dilatação do ducto biliar comum (>1 cm) aumenta significativamente o risco (OR 2,48) 2
- Esfincterotomia endoscópica com incisão moderada (OR 5,38) ou grande (OR 8,7) são fatores de risco independentes 2
- Divertículo peripapilar também está associado à maior incidência de aerobilia 2
- História prévia de CPRE ou transplante hepático aumenta o risco de colonização bacteriana associada à aerobilia 3
Implicações clínicas da aerobilia pós-CPRE
- A aerobilia por si só não é uma complicação e geralmente não requer tratamento específico 4
- Pacientes com aerobilia persistente após CPRE têm maior risco de recorrências múltiplas de cálculos no ducto biliar comum (32,5% vs 12,5%) 2
- Maior incidência de colangite aguda sem recorrência de cálculos (32,5% vs 2,5%) em pacientes com aerobilia persistente 2
- A aerobilia pode ser um achado incidental em exames de imagem pós-CPRE e não deve ser confundida com ar no sistema venoso portal, que é uma condição mais grave 4
Monitoramento e considerações clínicas
- A aerobilia isolada sem sintomas clínicos não requer intervenção específica 4
- Em pacientes com febre, dor abdominal ou alterações laboratoriais após CPRE, deve-se considerar outras complicações como pancreatite (complicação mais comum, ocorrendo em até 14% dos casos) 5
- A administração rotineira de diclofenaco ou indometacina retal (100 mg) imediatamente antes ou após a CPRE é recomendada para reduzir o risco de pancreatite pós-CPRE 1
- Em casos de alto risco para pancreatite pós-CPRE, deve-se considerar a colocação de um stent pancreático profilático de 5 Fr 1
Conclusão
A aerobilia após CPRE é um achado normal e esperado, especialmente após esfincterotomia ou colocação de stents. Embora geralmente benigna, a aerobilia persistente pode estar associada a maior risco de recorrência de cálculos biliares e colangite, particularmente em pacientes com ducto biliar comum dilatado e esfincterotomia extensa.