Imunidade a Helmintos: Possibilidade e Mecanismos
Não é possível para uma pessoa desenvolver imunidade completa e duradoura contra infecções por helmintos, pois estes parasitas desenvolveram mecanismos complexos para modular e suprimir a resposta imune do hospedeiro. 1, 2
Resposta Imune aos Helmintos
- As infecções por helmintos tipicamente induzem uma resposta imune do tipo Th2, caracterizada por eosinofilia periférica, mas esta resposta raramente confere proteção completa 2
- Os helmintos podem sobreviver por períodos prolongados no hospedeiro, muitas vezes anos, demonstrando sua capacidade de evadir a imunidade protetora 1, 2
- A resposta imune aos helmintos varia dependendo do tipo de parasita e do estado imunológico do hospedeiro 3
Mecanismos de Evasão Imune
- Os helmintos secretam moléculas imunomoduladoras que interferem diretamente nas vias de sinalização das células do hospedeiro 3
- Estes parasitas induzem células T reguladoras que suprimem respostas imunes específicas contra o parasita 3
- Proteínas, metabólitos e vesículas extracelulares secretadas pelos helmintos podem manipular diretamente a resposta imune do hospedeiro 3
Imunidade Parcial e Heterogeneidade Genética
- Populações humanas apresentam heterogeneidade genética quanto à capacidade de montar respostas imunes protetoras contra helmintos 4
- Alguns indivíduos são predispostos a infecções mais intensas, enquanto outros podem desenvolver algum grau de resistência parcial 4
- A imunidade de rebanho contra helmintos é limitada e depende da dinâmica entre exposição, estabelecimento e mortalidade dos parasitas 4
Papel das Células B e Anticorpos
- As células B são importantes na resposta imune contra helmintos, mas sua função protetora varia entre diferentes espécies de parasitas 5
- Os anticorpos produzidos durante infecções helmínticas podem ter funções protetoras, mas frequentemente são insuficientes para eliminar completamente os parasitas 5
- As células B também contribuem através de funções independentes de anticorpos, como apresentação de antígenos e atividades reguladoras 5
Implicações Clínicas
- Infecções helmínticas são frequentemente assintomáticas, demonstrando a capacidade destes parasitas de coexistir com o hospedeiro sem causar patologia significativa 1
- A síndrome de Katayama (esquistossomose aguda) é um exemplo de resposta imune exacerbada que ocorre principalmente em viajantes recém-expostos, raramente em pessoas de áreas endêmicas 1
- Infecções crônicas por helmintos podem modular respostas imunes a outros patógenos e até mesmo a doenças atópicas, autoimunes e metabólicas 3
Considerações Terapêuticas
- O tratamento anti-helmíntico empírico com albendazol e ivermectina é recomendado para eosinofilia assintomática em viajantes retornando de áreas endêmicas 1
- Em casos de estrongiloidíase, é necessário vigilância especial em pacientes imunocomprometidos, pois a imunidade comprometida pode levar à síndrome de hiperinfecção 1
- A quimioterapia em massa pode, em algumas circunstâncias, reduzir o nível de imunidade parcial existente, resultando em aumento da carga parasitária após o tratamento 4
Perspectivas para Vacinas
- O desenvolvimento de vacinas eficazes contra helmintos é dificultado pela heterogeneidade genética na capacidade de montar respostas protetoras 4
- Moléculas imunomoduladoras dos parasitas representam alvos promissores para vacinas, pois a neutralização de sua função poderia melhorar a imunidade antiparasitária 6
- Compreender os mecanismos específicos de evasão imune de cada espécie de helminto é crucial para o desenvolvimento de estratégias de controle eficazes 6