Gravidez Após Câncer de Mama Inicial
Evidências atuais sugerem que a gravidez após o tratamento do câncer de mama inicial é segura e não aumenta o risco de recorrência ou morte pela doença, independentemente do status do receptor de estrogênio (ER). 1
Segurança da Gravidez Após Câncer de Mama
- A gravidez após o tratamento do câncer de mama não está associada a um aumento no risco de recorrência ou morte pela doença, conforme demonstrado por múltiplos estudos epidemiológicos 1
- Esta segurança se aplica mesmo para pacientes com tumores positivos para receptores hormonais (HR-positivos) 1
- Não há evidência de aumento na taxa de defeitos congênitos ou outras doenças infantis graves em filhos de mulheres que engravidaram após o tratamento do câncer de mama 1
Considerações sobre o Momento da Gravidez
Para pacientes com câncer de mama, é razoável adiar a gravidez por pelo menos 2 anos após o diagnóstico 1
- Este período permite a recuperação da função ovariana adequada
- Também ultrapassa o período associado a um risco relativamente alto de recorrência
Para mulheres em terapia endócrina (TE) com tamoxifeno:
- Para aquelas que desejam engravidar, a interrupção temporária da TE após 18-30 meses de tratamento é uma opção 1
- Recomenda-se um período de eliminação (wash-out) de 3 meses antes de tentar engravidar 1
- A gravidez pode ser tentada durante um período de até 2 anos 1
- É fortemente recomendado retomar a TE após o parto 1
- Pacientes devem estar cientes de que a interrupção precoce do tamoxifeno pode ter efeitos potencialmente prejudiciais no resultado do câncer de mama 1
Fertilidade e Preservação
- O tratamento do câncer de mama, especialmente com agentes citotóxicos, pode prejudicar a fertilidade 1
- Todas as pacientes pré-menopáusicas devem ser informadas sobre o impacto potencial da quimioterapia na fertilidade 1
- Mulheres jovens que desejam ter filhos após o tratamento do câncer de mama devem passar por uma consulta com um especialista em fertilidade antes do início da quimioterapia 1
- O uso de análogos de GnRH concomitante com quimioterapia (neo)adjuvante deve ser oferecido para reduzir o risco de falência ovariana prematura 1
Considerações Especiais
Mulheres com câncer de mama têm uma chance 70% menor de gravidez subsequente em comparação com a população geral 1
- Isso se deve ao tratamento frequente com quimioterapia gonadotóxica
- Períodos prolongados de tratamento com tamoxifeno em pacientes com doença sensível a hormônios
- Concepção errônea de que a gravidez poderia estimular a recorrência do câncer
Uma vez ocorrida a gravidez, a indução do aborto não tem impacto no prognóstico materno e, portanto, é fortemente desencorajada para tais fins 1
Algoritmo de Decisão
Avalie o risco individual de recorrência baseado em:
- Estágio inicial da doença
- Biologia tumoral (status do receptor hormonal, HER2)
- Tempo desde o diagnóstico
- Idade da paciente e função ovariana
Considere o tempo ideal para gravidez:
Para pacientes em terapia endócrina:
- Opção 1: Completar os 5 anos de terapia endócrina antes de tentar engravidar
- Opção 2: Interromper temporariamente após 18-30 meses, tentar engravidar por até 2 anos, e depois retomar a terapia 1
Acompanhamento durante e após a gravidez:
Em resumo, as evidências atuais apoiam que a gravidez após o tratamento do câncer de mama inicial é segura e não compromete o prognóstico da paciente. A decisão sobre quando engravidar deve considerar o risco individual de recorrência, a idade da paciente e seu desejo de ter filhos.