Por que a agomelatina raramente é prescrita para tratar depressão?
A agomelatina raramente é prescrita para tratar depressão devido à sua eficácia clínica limitada, necessidade de monitoramento hepático regular e ausência de vantagens significativas em comparação com outros antidepressivos de segunda geração, apesar de seu mecanismo de ação único.
Eficácia clínica questionável
- A eficácia da agomelatina como antidepressivo é modesta e inconsistente. Em estudos clínicos, apenas cinco de dez ensaios de curto prazo demonstraram benefícios estatisticamente significativos sobre o placebo, enquanto os outros cinco não encontraram superioridade 1.
- Uma meta-análise de seis estudos europeus mostrou uma diferença estatisticamente significativa, mas clinicamente marginal, favorecendo a agomelatina sobre o placebo 1.
- Em estudos de prevenção de recaída, a agomelatina demonstrou ser mais eficaz que o placebo em apenas um de três estudos 1.
- O único estudo controlado por placebo em pacientes idosos não demonstrou benefício significativo para a agomelatina 2.
Preocupações com segurança hepática
- A agomelatina é contraindicada em pacientes com função hepática comprometida 1, 2.
- Reações hepatotóxicas, como lesão hepática aguda (ALI), são um risco identificado no plano europeu de gerenciamento de riscos para agomelatina 3.
- É necessário monitoramento laboratorial regular da função hepática durante todo o tratamento devido ao risco de elevação das enzimas hepáticas e possíveis reações hepáticas mais graves 1, 2.
- A agomelatina também é contraindicada em pacientes que tomam medicamentos que inibem potentemente as enzimas metabólicas do citocromo P450 1A2 1, 2.
Comparação com outros antidepressivos
- As diretrizes do American College of Physicians recomendam que os clínicos escolham antidepressivos de segunda geração com base nos perfis de efeitos adversos, custo e preferências do paciente 4.
- Evidências disponíveis não apoiam diferenças clinicamente significativas na eficácia entre os ISRSs, ISRSNs e outros antidepressivos de segunda geração para o tratamento da fase aguda do transtorno depressivo maior 4.
- Embora a agomelatina tenha um perfil de efeitos colaterais diferente de outros antidepressivos, sua tolerabilidade geral em estudos com outros antidepressivos como controles ativos não parece ser substancialmente melhor que os controles 1.
Perfil de efeitos adversos
- Os efeitos adversos mais comuns dos antidepressivos de segunda geração incluem constipação, diarreia, tontura, dor de cabeça, insônia, náusea, efeitos adversos sexuais e sonolência 4.
- A agomelatina apresenta um perfil de efeitos adversos diferente, que inclui distúrbios hepáticos, pancreáticos, neuropsiquiátricos, musculares e cutâneos 5.
- Alguns pesquisadores argumentam que os danos associados à agomelatina, que não tem eficácia comprovada na depressão, claramente superam os benefícios 5.
Considerações práticas
- A necessidade de monitoramento hepático regular aumenta o custo e a complexidade do tratamento com agomelatina 1, 2.
- A agomelatina pode ser considerada apenas como um medicamento alternativo para pacientes que não respondem ou não podem tolerar outros medicamentos antidepressivos 1, 2.
- A melhora dos distúrbios do sono, a tolerabilidade em termos de efeitos colaterais sexuais e a falta de sintomas de abstinência após a descontinuação abrupta do tratamento podem representar benefícios clínicos importantes em comparação com antidepressivos estabelecidos 6.
Algoritmo de decisão para uso da agomelatina
- Considerar a agomelatina apenas após falha ou intolerância a pelo menos um antidepressivo de segunda geração convencional 1, 2.
- Verificar a função hepática antes de iniciar o tratamento 1, 2.
- Excluir pacientes com comprometimento hepático ou uso concomitante de inibidores potentes do CYP1A2 1, 2.
- Implementar monitoramento regular da função hepática durante todo o tratamento 1, 2.
- Avaliar a resposta clínica após 6-8 semanas de tratamento adequado 4.